segunda-feira, 5 de maio de 2008

• Índio quer i-pod / parte 1

Como blogs são feitos pra sair bonito na foto e isso é um tanto monótono, vou arriscar a enfeiar-me (e assim parecer-me com vocês, populacho destituido do quilate estético que em mim abunda*).

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Hoje viajei com o post da Mony, sobre a aldeia que ela visitou em Boracéia (SP). Acompanhava a Maria, amiga nossa, encantada com aquele Brasil que nós também não conhecemos (talvez porque não exista mesmo). Confiram o texto na íntegra (como diria aquele jornalista que precisava de mais 30 caracteres pra fechar a coluna).

O texto me fez pensar (e repensar) num tema espinhudo, daqueles que te fazem questionar se o próprio discurso não é permissivo demais para um mundo que exige posturas, ou reaça demais pro seu bico democrático-comunista tupiniquim (opa, voltamos ao tema).
O post estava quase pronto, aguardando aquele reforço na forma por falta de conteúdo, a lapidação que lima redundâncias e reforça impactos, quando tive o prazer de assistir ao documentário "O Povo Brasileiro", de Darci Ribeiro, levado às minhas mãos pela mesma Mony (tênquil!).
Fiquei encantado com a chapuletada na orêia que o video lascou-me e lembrei que precipitação não combina com discursos públicos, muito menos com formação de opinião (sendo justamente a formação da minha própria aquela onde quero chegar). Ainda assim, idéias desmancharam-se no mesmo passo em que outras solidificaram. São esssas que divido com vocês nos próximos eletrizantes capítulos de 'O Último Tango em Macondo'.

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"Índio, quem, cara-pálida?"


Sempre fui pró-cultura, pró-preservação. Sempre vi riqueza na conservação dos valores de um povo, desde que isso não negasse as transformações necessárias e fosse mantida numa via de mão dupla (do contrário essa mesma visão seria facilmente distorcida para justificar a imposição cultural dos Impérios).
Mas... sinceramente?
Não sei se isso aplica-se a todos os que a Funai chama de índios.

Se isso é importante?
Sem dúvida. Há toda uma gama de investimentos, resguardos, dívidas morais, agrárias e econômicas motivadas pela necessidade de compreender este tema, tanto como indivíduo como coletividade. Há pretensas justiças priorizadas sobre infindáveis preteridos numa fila imensa de filhos desta mãe gentil.

Nos próximos posts, pretendo encontrar uma linha de raciocínio possível a um cidadão brasileiro mediano, com poucas informações sobre o tema e nenhum conhecimento específico (situação na qual todos nos encontramos quando confrontados com a maioria dos dilemas). Gostaria de ler suas opiniões... quem sabe o debate não rende?

Abraço!


* (é, eu vou me arrepender dessa frase...)

6 comentários:

Karin disse...

Hm... eu vou esperar. Não sei porque, mas toda a vez que eu penso em responder sobre esse assunto, algo me cala.

Acho que eu simplesmente não tô pronta pra opinar ainda...

De Marchi ॐ disse...

Também acho o mesmo de mim, Karin. Só vou arriscar porque aprendo sempre que digo besteiras.

Anônimo disse...

Interessante o post do Denis, sempre o imaginei pela tez rubra um bugre. hehehe

brunomaiasouto disse...

Vai aqui meu didático e desautorizado besteirol:



O isolamento geográfico e cultural somente preserva a exploração desses povos.



Não me espanta, tampouco causa alguma desilusão, o fato de existir antena parabólica numa aldeia. Bem ao contrário, esta me parece a única alternativa de preservação da cultura indígena.



É preciso conhecer o mundo para descobrir nele o seu lugar.



O japonês capitalista não perde (há controvérsias) suas raízes culturais. Ele cultiva bonsai para vender na internete, mas o faz com a mesma técnica e devoção de seus ancestrais. Ele valoriza sua cultura, muito embora inserido numa sociedade diversa daquele Japão feudal de outrora.



De que vale preservar um pseudo-índio na aldeia para ser visitado como palhaço de circo? Valores, conhecimentos, costumes (cultura em suma), não se preserva com isolamento, sem educação, saúde, etc.


Ou não...

Mario Ferrari disse...

Um dia quem sabe BRASILEIROS sem rótulos e com suas diferenças respeitadas por todos inclusive por eles, elas aqueles, nós,...
Até lá se aprofundar, errar, entender. Pós-conceito sim Pré-conceito não.

웃 Mony 웃 disse...

O pseudo-índio não foi preservado na aldeia, só foi largado lá.
Pq é mais fácil dizer que foram disponibilizados a eles recursos para a sua substistência, como seres humanos e como integrantes de uma cultura diferente da maioria...
É só um depósito de gente. Ele não são inseridos na sociedade e também não são isolado dela. É como se estivessem num limbo, um meio termo.
Um meio termo que os faz irem à estrada vender palmito, bromélias, artesanato, o que seja. É o que os faz abrir sua aldeia para visitação.
Eles estão lá, largados. Mas não há rio para pescar. Não há mais caça. E eles precisam comer, como qualquer outro mortal. Então, como os recursos que lhes oferecem não são suficientes às suas necessidades, assim como não são os recursos da "bolsa esmola" pras populações carentes, eles arranjam outro jeito de ganhar dinehiro. Simples assim.

Sou mais pela inclusão deles na sociedade, com dignidade, saúde e educação sim. Com condições dignas, inclusive para que a transmissão de sua cultura possa acontecer.
Mas, isso não é dado nem aos cidadãos pseudo-incluídos, que são eleitores e pagantes de impostos. Que dirá ao povo indígena, que em boa parte já é eleitor, e aos olhos de quem poderia fazer alguma coisa a respeito, já é o suficiente na parte que lhes cabe no que tange à cidadania.
Afinal, importante mesmo é eles votarem... São mais números.