segunda-feira, 3 de novembro de 2008

• Nem PT, nem PSDB: CLT

ou "Da prostituição nossa de cada dia"

Zero-zero.
É claro que votei nulo. Não acredito nesse jogo.
Supostamente, é uma alternativa democrática.
Então... por que tantos se incomodam quando me perguntam em quem votei?
Sim, eu votei nulo. Mea culpa, mea maxima culpa.
Vocês me perdoam?

Eu quero é grana, amiguinhos. Sem essa: quero casa, comida, roupa lavada. Se for Gucci, melhor.
Eu quero é trabalho. Trabalho pra *rima*. CLT. Próprio negócio, de repente. Não sou empreendedor (seja lá o que isso significa), crio muito, inicio muito mas, em longo prazo, levo pouco adiante. Muitas idéias que fervem e se sobrepõem sugerem que é melhor alguém ganhar dinheiro comigo (basta pagar meu passe, ófi córsi).
Mas ninguém perguntou, portanto não interessa (o que faz parte exatamente da filosofia desse post).

Falam demais em bandeiras, legendas. Por alguns minutos esquecem-se que todo grupo só olha o próprio lado. E veja só, democracia é isso: grupos que se reunem para debater, num cabo-de-ferro cuja duração depende do fôlego, seus interesses comuns ou conflitantes. Empresários, banqueiros, favelados, jovens, sindicalistas, idosos, vendedores de jujuba anil, não importa: pros demais, seu grupo está em segundo plano (se existir).
Desde que aterrisou no planeta, o corporativismo (aquele feixe de galhos ornado com um machado) domina o aeroporto. E você não vai vencê-lo com passeata, corrente de e-mail ou postagem de blog. Olha, nem com homem-bomba, viu... não se vence a Panelinha com panelaço.
Há coisas para se aprender com o PCC, por exemplo: a diferença entre eles e nós, o povo, é que os primeiros são organizados. Nós, abençoados com o excesso de contingente (tal e qual os gnus), nada temos além do volumoso despreparo. Não há corporativismo possível para um grupo que só se lembra dessa natureza coletiva em Copa do mundo e final do Brasileirão. No resto do tempo, brasileiro olha brasileiro como concorrente, vítima ou algoz. Ou então não fede e nem cheira.

O velho chichê da Educação aparece novamente. Como se todos quisessem ralar e abandonar a tal zoninha de conforto (vulgo "tô na merda mas tá quentinho"); como se os órgãos responsáveis tivessem intenção de mudar a situação de conforto atual. Quem vai alimentar a boca que te morde a mão? É tão mais simples parasitar enfermo, oras... ainda mais quando este sossega com um Borsa Famía.
Todo político ativo é 'desonesto', no sentido comum (se não o for, não entra no esquema, sequer tem espaço pra falar - o partido ignora, não há verba pra campanha, contatos ou influência - ele entra lá pra asfaltar a rua do patrocinador, pra facilitar aquele contrato exclusivo e, nesse meio tempo, plantar um coqueiro na praça).
Todo empresário é malandro (se não for, vai falir, porque é inerente ao jogo aumentar seus lucros em porcentagens que desconsideram limites - 12% ao ano significa o quê? Que metas são essas num sistema fechado? Pra concorrer com a China você começa achando que sonegar faz parte, que enxugar custos é sucatear a folha de pagamento produtiva ao invés de cortar as marmitas sexuais da diretoria, e termina achando que não é má idéia contratar um boliviano ilegal).
Isso vale pra qualquer lugar do mundo (com ou sem protecionismo - capitalismo é o jogo do "quatro laranjas = duas pessoas + eu com três e você com uma + eu de olho na sua=o jogo termina com você sem nada"). A diferença entre a maioria dos países de terceiro mundo e a maioria do primeiro é que, nestes, o povo tem um pouco mais de preparo, critérios e exigências. Os caras roubam mas têm de disfarçar, rebolam mais, seguem pelas beiradas. É um quase-malufismo, bem maquiado e sorrateiro: pode até roubar o que sobrar, mas se não mostrar serviço... bau-bau. Poderíamos dizer também que o dinheiro que não tiram de sua população, o fazem de suas 'províncias' através de FMIs, bancos, multinacionais e afins, mas isso seria polêmico demais e, vocês sabem, eu odeio polêmica.

Em resumo: nos países emergentes, apesar da grana e da estrutura em formação, o povo ainda é de terceiro mundo. O brasileiro classe-média incomoda-se com isso - parece bizarro viver em SP, por exemplo, e pensar em sua terra como subdesenvolvida. É porque, primeiro, classe-mérdiamédia raramente olha para além do próprio umbigo; mas não é só... o grosso da massa não sabe cobrar, ficar em cima, fazer valer.
É preciso dizer que, sendo estúpido, não se é capaz de cobrar muita coisa?
Pela janela eletrônica do voyeurismo a cabo, temos a impressão de que a opinião pública pode mesmo ser forte no mundo, que basta recolher assinaturas e encher os e-mails dos senadores, etc.
Bom, mon cheris... e-mail? UADEFÓQUI? Alguém sinceramente espera 180 milhões de e-mails encaminhados ao Senado?
Pois é... talvez mensagens em papel de pão (daqueles que podem comprá-lo), escrito com aqueles garranchos que são sinônimo de alfabetização, segundo a progressão continuada do PSDB (que, por uma falha de marketing, não foi gloriosamente chamada de "passa-burro").
No país onde a União só faz açúcar, quero minha parte em Dólar.

Bandeiras? Legendas?
Minha legenda é pirão no prato.
Pagou, me leva.

6 comentários:

웃 Mony 웃 disse...

Realmente, a política como é feita hoje desanima... A única coisa que deveria ser feita pelos nossos "representantes" é a única esquecida, cuidar dos interesses e necessidades da população. E o pior é que, é deixada para um depois que nunca chega, justamente em detrimento do interesse dos que nós elegemos e das camadas que já estão em melhor situação... :(

Luiz Rogério disse...

Como a maioria do "povão" pensa: pode roubar 1 bilhão, se me der 10 centavos de bolsa-família....

Karin disse...

Perdôo sim, eu também votei nulo... rs

Tá certo que não dei a mínima pra eleição municipal, pois não moro onde eu voto (e se eperar por algum mea culpa, vai ficar esperando...).

Já a eleição para reitor da universidade tá me dando arrepio... Não sei o que é mais inútil, só ter opções ruins ou nem ter opção...

De Marchi ॐ disse...

Bando de elitistas... hehehehehehe

Karin disse...

Tava lendo de novo (fazer o que, né? não tem nada novo...) e uma frase me chamou a atenção: "crio muito, inicio muito mas, em longo prazo, levo pouco adiante".

A gente precisa definitivamente parar com essa história de pensar muito e realizar pouco. Eu tô brigando comigo mesma nesse aspecto. E tenho conseguido algumas pequenas vitórias. Não sei se serve de algo, mas comigo foi uma questão de foco. O meu foco estava voltado demais pra coisas que não me levavam a lugar nenhum. Obsessão interna mesmo, que me consumia mais do que merecia. A hora em que eu comecei a limpar essas coisas (e ainda tenho muito o que fazer) o resto foi meio que se encaixando por si só.

Então, o que consome a tua mente e corpo mas não te leva a nada? Dá uma pensadinha a respeito...

Beijocas! (e voooooolta!)

De Marchi ॐ disse...

Concordo, Karin (mas se eu levar isso muito a sério vocês vão ficar sem blog pra ler hehehehehe).