sábado, 20 de setembro de 2008

• Mardita Chapinha!

Não existe 'ditadura da moda'. O que existe é quem se sujeite. Ao menos por enquanto, ninguém coloca uma arma na sua cabeça e te obriga a usar aquela grife, aquela bolsa, aquele penteado. E por falar em penteado, peguemos como exemplo esta parte do corpo cuja vocação milenar consiste em, basicamente, embelezar a cuca.
Que fixação é essa do mulherio pela chapinha?
Qual o problema com cabelos ondulados, afinal?
Mesmo sabendo que há cabelos que realmente são difíceis, quiçá ruins pacaraio, não entendo a motivação por alisar um cabelo. Existe muita diferença entre fixar apenas um modelo como padrão, e tratar ou realçar as qualidades daquilo que há em você.
Quer dizer que só aquele cabelinho lisinho é bom? A mim soa como mania de colonizado... Qualquer profissional de imagem sabe, por exemplo, que alguns tipos de cabelo devem ser condicionados ao tipo de rosto e podem simplesmente detonar com uma face bonita, assim como ocorreria se metêssemos uma moldura barroca num quadro pós-moderno. No geral, a emenda sai pior que o soneto.
Raramente desenhei mulheres com cabelos lisos, simplesmente porque o movimento de cabelos ondulados (meus preferidos) é mais complexo e atraente numa ilustração (tanto que na maior parte das vezes até forçamos ondulações nos lisos em desenhos e em fotografias - já viu aquelas seções fotográficas com ventilador? Então).

"Afinal, Denis, por que falar de algo tão fútil?"
Bom, primeiro... fútil é o mercado de ativos que negocia com ovo no cu da galinha, como diria John McCain. Pensar sobre um dos agentes psicológicos que mais oprimem o universo feminino na nossa Era me interessa, e muito. Pela motivação (seja qual for), pelo mal estar que provoca, pelos efeitos quase sempre nefastos, pela negação do que se é. Eu sei que as mulheres não consideram muito a opinião dos homens sobre suas invencionices (e isso nunca vamos entender bem), mas ao menos deveriam considerar que sua beleza inerente é necessariamente mais interessante (em num certo sentido, menos 'mutiladora'?) do que a homogenização das cacholas (em todos os sentidos).

sábado, 13 de setembro de 2008

• Evo e Chavez expulsam embaixador brasileiro

De onde se conclui que eles têm razão:
é absolutamente dispensável um diplomata
onde não há diplomacia alguma.


• Amy Whinehouse

Que saco, pípol.
Acho que hoje foi a quinta ou sexta vez que ouvi (juro que tentei fugir, mas não deu) o mesmo discurso sobre essa mulher. O curioso são as fontes, de fãs a detratores. As drogas, ah as drogas, bla bla bla. "Apanhou do namorado", "pêlos pubianos", "perdeu o dente", "tá se matando no tóchico". Música? Nem uma frase.
Vocês já ouviram essa mesma papagaiada?

Uma boa cantora, é fato. Fez um puta disco (Back to Black é ótimo) e pronto; provavelmente talvez não consiga fazer outro (ou mesmo um tão bom).

E?

Sem trocadilho, qual é o pó?
Todo o resto é não mais que uma pena pra quem queria continuar ouvindo seu trabalho.
Será que esse povo todo que tanto fala dela conhece pelo menos uma música ou outra (fora o trechinho que passou no Fantástico)?
Bom... nem precisa, afinal pras fofocas de cabeleireira só se deve saber que alguém famoso se danou. Não há diferença entre Amy e Rafael Pilha ou uma bichinha de uma bandinha de moleques que fez lipo e entrou em coma.
O importante é bater o cartão e falar a bostinha do dia.

"Ah, ela segue os passos de Janis Joplin, Jim Morrison, Jimmy Hendrix..."
Ah é? "Roqueiro(a) junkie"? Por que?
"Essa vida artística é assim mesmo" - diz, com todo aquele conhecimento de causa, uma tiazinha no consultório onde abundam revistas Contigo (como se a galera do feijão-com-arroz não se estrepasse também - não têm overdose de tóchico mas têm de sogra, de cunhada, de fofoca de vizinha, de condomínio).
É... Deve haver algum padrão aí que não entendi, que bota Amy, Milli Vanilli, Fábio Júnior, Bello pagodeiro e demais cheiradores num mesmo patamar (pero fueda-ze o repertório).
Qual o problema se ela cheira até o fiofó cair da bunda? Por que isso é importante pra alguém além dela e dos íntimos? São da família, entendidos?
"Ah mas e a má infruênça?"
Ora, se alguém for estúpido de cheirar porque um artista qualquer o faz, tem mais é que morrer em prol da seleção natural.
UADEFÓQUI? Deixem-na morrer.

Amy Whinehouse fez uma escolha. Seguia um caminho medíocre, candidata a Shakira genérica, mas despirocou. Fez um puta disco. Só. Não é nossa parente, é uma cantora - falem da música, ou melhor, escutem.
Amy não faz marketing de biscate como as demais ninfetas descoloridas do showbizz nem atribui seu talento às drogas como fez Bob Marley num dia infeliz. Tá se lascando mas tá onde queria.
Não tô nem aí com isso, não sei nome de namorado, qual dente ela perdeu, mas... porra, mais fã eu do que esse bando de desocupados com diálogos patéticos sobre a vida alheia.

Por que tende tanto assunto?
Até imagino a resposta, mas dela também tento fugir.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

• 9 meses de incomensurável sucesso!

No próximo dia 15, vamos comemorar!
Este blog não teria conseguido sem vocês, leitores de UADERREL!





A todos, muito obrigado!

sábado, 6 de setembro de 2008

• Pérola do Dia

"Nossa consciência está em algum lugar entre o coccix e o períneo"

• Falha de Comunicação nº2

Já tratei desse tema tanto aqui quanto com alguns amigos...
Não sei se é uma limitação da palavra escrita, do meio ou o que for, mas... depois de tanto tempo trabalhando com comunicação, ainda fico surpreso...
A quantidade de mal entendidos que rola nos sites de redes sociais, MSNs, blogs e mesmo na imprensa é gigantesca. Além da importância óbvia, vale acrescentar que a molecada de hoje passa horas diárias na frente da net justamente nesses veículos (e não para estudar, como gostariam os otimistas - nem pra se masturbar, como pensariam os cínicos). Tá clara mais uma vez a nossa vocação pra comunicação, esse diferencial que nos levou ao que somos (para bem e para mal). A questão é: nunca se comunicou tanto sobre nada. Mas isso fica pra outro dia.
No momento o meu foco está na competência dessa fórmula de contato. As idéias, independente de seu conteúdo, vêm sendo transmitidas a contento? A infinidade de meios e quebra de fronteiras interferiu efetivamente no nosso entendimento mútuo?

Traduzindo: ainda falamos alho e entendem passaralho?

Num mundo construido, que depende de atos coordenados, eis mais um assunto entre as urgências prorrogadas. A primeira reação diante do problema da Interpretação de texto é pensar que o mundo tá fodido mesmo, tornou-se uma Babel de analfabetos funcionais, disléxicos, etc. Mas a gente sabe que não é bem assim.
A impressão que eu tenho (e o orkut me ajudou a formar essa visão) é que temos uma amplitude de sentimentos e idéias que as palavras simplesmente não abarcam, porque parte desses mesmos nós sequer temos consciência plena. Não à toa esses meios eletrônicos usam 'emoticons': as letras parecem não bastar.

Fulano diz 'casa' e vocês lêem 'casa', mas a Casa que imaginamos não é a mesma.

Que acentuação se usa para 'dar o tom'?
Esse é um desafio que até o García Márquez já confessou enfrentar.
Por outro lado... e quando se usa da ambiguidade, do cinismo e das entrelinhas? A subjetividade é praticamente a mesma da poesia, a interpretação é livre e depende de coisas que estão no limiar da comunicação (como o semblante) ou mesmo fogem desta (como o momento pessoal, intenções, conceitos prévios e associações).

Pra você, qual é o melhor meio de comunicação?
Sente-se plenamente capaz de manifestar-se, de ser compreendido e, principalmente, de compreender?

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

• Mal entendido

Não é que eu precise deles. Só quero estar sem precisar, entende?
Quero a troca, não preciso receber além.
Gosto do reconhecimento pela lealdade porque é raro. Porque é rara.
Desaguo palavras que ninguém quer ouvir, muitos talvez queiram dizer (mas não o fazem - ah, não o fazem), alguns compreendem e ninguém, ninguém quer arcar com as réplicas. E o faço por mim.
O direito às minhas contradições, tenho mas não usufruo... senão por acidente. Vem da 'condescendência' das pessoas, em doses variadas, dependentes de contexto. Desde que o que sou se encaixe em suas teorias.

***

Como profissional de comunicação, sinto-me falido. Incapaz de ultrapassar o metron da conveniência do ouvinte, debato-me entre explicações exaustivas, traduções paliativas e muito, muito cansaço. Não há palavras que saciem suas vontades. São seletivos: lêem, escutam e, principalmente, concluem apenas o que querem. Esse é o desafio, aceitar que muitas mãos escrevem sua história, que você trata como 'sua' por mero descuido.
Aceitar a presença de um mal entendido, talvez mantê-lo... será tão ruim?
Dessa vez vou tentar. Para ter paz, hoje digo o que não sinto: eles têm razão.

Satisfações a dar, temos todos.
Só não vale a pena.