quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Política, de novo???

Ah não, sai do meu pé, chulé. Eu já havia dito que comentaria aqui sobre a Marina Silva (a qual ainda estou a pesquisar), só pelo esporte de pegar no pé. Mas de novo vieram exigir um posicionamento diante do circo de 2010.
Eu, hein...


O jeito é preparar esse textão prolixo e mandar pro lixo, digo, pro e-mail dos exigentes.


Já disse que não discuto paixões - o único fator verdadeiramente reconhecível nesses blablablás pseudopolíticos. Política nesse país é tratada como time de futebol, e o pior, principalmente nas classes supostamente cultas (e já deveríamos saber que acúmulo de conhecimento formal não acompanha necessariamente capacidade de raciocínio).
Sempre há, nas conversas, um ranço, uma aversão tácita (muitas vezes herdada, e sempre por antecipação) cheia de conceitos simplistas como direita e esquerda (o Olavo de Carvalho - o papa do Mainardi, por exemplo, acha que no Brasil só há esquerda - incluindo o DEM. Já os bancos devem achar o PT uma das mais rentáveis direitas de todos os tempos). Tudo baseado em velhas bandeiras descartáveis, numa era onde troca-se de partido como de cueca. Afinidade filosófica? Me poupe, mailóvi.

Como levar a sério uma discussão calcada numa base dessas? O emocionalismo, patético, ultrapassa o direito de cada idiota nesse país vomitar preconceitos sob o pretexto de democracia e atinge esses resultados que se vê.

O que mais me enoja, no entanto, não é o desfile de tolices em si, mas a atitude convicta e contundente de voltar atrás em algo que já experimentado que provou-se ser ruim, por não gostar do ruim atual. Desculpas, há muitas: 'falta de alternativa', 'menos pior', 'melhor voltar pra merda que pelo menos tava quentinha' ou até 'ser roubado por culto é melhor do que por ignorante'. Redundante ressaltar o medíocre nas sentenças.

Quem assim pensa não raro arrota índices e denúncias de jornais e revistas declaradamente partidários, sempre soltos em momentos estratégicos. Eesquecem que o viés da imprensa privada é ser empresa e mal sabem que apenas o 'receio' profissional (e não a ética, pois nesse sentido seria um dever abrir a boca) impede muitos jornalistas de comentar algumas dessas 'verdades', construídas pra classe-média reacionária bater palma. Tanto pra um lado quanto pra outro.

Então, é inevitável para mim que, ao ouvir velhos discursos das mesmas fontes, a ojeriza apareça - o que também me desqualifica pro debate.


Insisto, não entendo esse eterno retorno em busca, talvez, de diferenças marcantes. Não aprovo muito do que Lula fez e faz. Mas FHC fez votarem a reeleição em dois dias, quando qualquer coisa mais relevante ao país leva meses, senão anos, pra ser votada. Para alguns, pelo visto, isso foi muito diferente de mensalão. Pra mim, não.
Em SP, o comprometimento de Serra com o eleitor foi abandonar a cidade e deixar de herança a bomba do Kassab, em nome da escalada do poder. Era óbvio, mas a culta classe média, que mal ganha 15 contos por mês e adora pensar que é elite (elite é o Eike Batista, porra) não reparou.

Cá entre nós, não sei porque SP achou que um 'culto' anestesista seria mais útil que um torneiro mecânico como administrador, mas não é de todo errado prestar mais atenção nos resultados concretos do que nesse papinho pseudo-objetivista das tais 'bandeiras'. Escolher entre um fanfarrão do pré-sal e um arrogante da super-elite não é escolha, é sofisma. Tanto faz o fantoche, eu preferia mesmo era escolher o ministro da fazenda.

Não é uma crítica aos partidos: eles fazem o que a demanda exige, o que seu público pede. Criticá-los seria tão sensato quando reclamar que o McDonalds vende gordura pros obesos (se eles gostassem de alface, McSalad seria o nº 1). Há tempos institucionalizou-se a política como um jogo onde a regra oficial é a corrupção - que aliás está infiltrada em cada nível da infraestrutura nacional desde antes da Ditadura, senão antes.
Papas já eram colocados no poder por famílias ricas como braços de seus interesses, não? A política não mudou: a diferença é que trocaram Bórgias por bancos, multinacionais ou um bando de macunaímas em busca de esmola. Todos defendendo o seu. Nunca uma nação.
Não há virgem nessa zona. De nada valeria, portanto, fixar-se no efeito sem ressaltar a vocação do eleitorado.

Sejamos francos: estamos, todos ou a maioria, preocupados apenas com o próprio rabo.
Quem não recebe bolsa-família quer mais é que se exploda, quer altos lucros e pouco investimento; prefere mexer em CLT e sucatear mão-de-obra do que lutar por imposto baixo e incentivos (esses sim, empecilhos diretos ao crescimento). Não importa que funcionário custe o dobro mas retorne o quíntuplo, o negócio é enxugar - muito bônus, pouco ônus e tudo no ânus (dos outros, claro).
Quem recebe, quando tem QI pra achar algo mais que o penta-hexa do Framengo ou Ronaldo no Curíncha, acha ótimo leiloar o país a troco de esmola porque... afinal, resorveu meu pobrema, foda-se. Quer mais é tirar tudo o que puder do Governo, do vizinho menos pobre e do patrão, a quem inveja com mais força do que trabalha, como se tivesse a obrigação de indenizá-lo (pelo quê, ninguém diz), mimá-lo e sustentá-lo, baseado no vitimismo e na lei do mínimo esforço.
E assim ficam todos os braços-curtos sem visão de longo prazo, com esse velho papinho típico de país escravocrata, Coringão versus Parmera, calcado num conflito de classes claramente interdependentes. E enquanto patronato e proletário, a classe produtiva, brigam ao invés de cuidarem de interesses comuns, os especuladores e oportunistas, independente de partido, delapidam a nação.

Então... por que perder tempo com esse assunto, senão por desabafo?
Com esse eleitorado, é murro em ponta de faca.

Um comentário:

Anônimo disse...

Pois então. Eu acho graça quando eu falo que sim, voto no Lula e a pessoa me olha com aquela cara de: mas como assim, pensei que vc tivesse um minimo de inteligencia. Ao contrario de muitos que só estão preocupados com o próprio botão, eu vi na prática que pra quem mais precisa, a coisa melhorou sim. Ainda longe de estar bom, mas está menos pior.
Então foda-se o que pensam. :P

Janaina.