quinta-feira, 19 de março de 2009

• A coragem e bravura do esportista radical



Olá!
Sei que ando sumido daqui, por motivos diversos, entre eles alguns bons. Um é o que você viu acima.
Pode não parecer, devido à essa minha malemolência mulata e atlética da cor del pecado, mas eu adoro um esporte radical (só acho esse nome meio besta, mas não importa). Já havia feito alguns ao longo dos anos, como o curso de sobrevivência na selva nível I e II pela SAS (uma das experiências emocionais mais relevantes da minha existência, apesar dos percalços).
Fiz pela Scafo o mergulho autônomo (é, sou do tempo em que se chamava assim), uma das atividades mais apaixonantes nesse ramo da eco-aventura (o que me faz lembrar que preciso fazer o batismo e buscar o certificado da PADI).
Pratiquei tiro na ISA-Embel com 380 e .40 (e não pude fazer o de armas longas devido a uma portaria baixada na véspera, que limitava esse tipo de treino às Forças).
Enfim, me meti nessas coisas. E adorei.

Cá entre nós, não sou atleta, nem esportista, nem nada meramente assemelhado ao hábito saudável de evitar o sedentarismo. Mas, se podemos chamar de esporte um evento esporádico e exótico, então taí, tô nessa. Fiz natação dos 5 aos 18 anos e depois nunca mais pratiquei nada com regularidade, mas uma trilhazinha... opa, pode me chamar.

***

Há umas duas semanas recebi o convite de um casal de Amigos meus (falo mais deles num outro dia) para encarar uma aventurinha que há tempos passeava pela minha cuca. A inicialmente receosa Janaina (motivada talvez pela minha cinturinha de pilão) convidou-nos suavemente para fazermos Rapel num fim de semana desses. Papo vai, papo vem, Karin aderiu, alguns acertos de agenda e negociações na ONU e voilá, caímos na estrada para fazer o Voo do Falcão (a série de tirolesas do vídeo acima) e o Rafting, a boa e velha canoagem com 6 pessoas num bote, nos 8 km de uma corredeira nível 3/4 (a escala de dificuldade vai até 6).
Eu nunca havia feito, e meu olhar cresceu na hora pra esse lado. Havia também o cachoeirismo/canionismo no sábado, os três malucos foram. Mony e eu tínhamos um compromisso e ficou pra próxima.

Bom, pra encarar uma coisa dessas você tem de ter em mente duas coisas:
a) é pra divertir-se com a adrenalina
b) adrenalina só é divertida abaixo da linha do estresse

E foi justamente pra evitar o estresse que escolhemos uma empresa séria.
Parece exagero, mas não é: muito além da sua diversão, está em risco sua vida. 'Empresas' espalhadas pelo mundo oferecem todo tipo de serviço e se você não abrir o olho... bau-bau. Pra ter uma ideia, saiba que essa mesma amiga que foi conosco tinha pânico de água, agravado justamente pelo mau serviço de alguns desses picaretas espalhados por aí.
Então não era hora pra brincar. Ainda não.

Indicada pelo Zé Luiz, a Alaya mandou muito bem. Do atendimento simpático (thanks, Carla e Silvia) à execução, tudo perfeito. Os certificados e autorizações (coisa básica a se exigir de qualquer empresa do ramo) estavam lá, tudo certinho.
Mas o que não dava pra imaginar era o grau de profissionalismo dessa trupe. Nesses tempos onde você tem de vender ouro a preço de banana, me tornei exigente e quero ser bem atendido. Mas quando um prestador supera nossas expectativas, isso deve ser dito. E a Alaya superou.
Também pudera: só pra citar a equipe das corredeiras (por falta de 11, dou nota 10!), eles têm entre seu staff, simplesmente... os Campeões mundiais de Rafting! Sim, amiguinhos: eu nem sabia que os campeões dessa categoria eram brasileiros, quanto mais imaginar que teríamos seu know-how disponível.
Imagine caras que transmitem segurança, sem arrogância ou afetação, e que sabem exatamente o que estão fazendo. Que brincam na quantidade e momento certos (nada de piadinhas imbecis ou subestimar a véia, o gordinho etc - nada de gracinhas estúpidas, infelizmente comuns, como 'causar emoção' com movimentos bruscos para assustar apavorados etc).
Os caras não brincam em serviço: zelam pela segurança a ponto de, a todo momento, você notar com a visão periférica membros da equipe te rodeando nas margens, nos barcos e nos caiaques-batedores. Não havia um remendo no nosso barco, uma correia meio carcomida; parecia tudo comprado anteontem.
Quando chegou a hora de brincar, de cantarem as infames musiquinhas, já estávamos no ônibus a caminho da sede, molhados e satisfeitos. Eles sabiam que se brincassem assim ANTES do passeio, algum mala mau humorado poderia questionar sua seriedade. Isso é atenção aos detalhes, é tarimba de quem entende do riscado e tem experiência.

Quando o Paulinho, chefe da equipe, disse nas explicações iniciais que se algo de ruim acontecesse eles fariam o resgate em 45 segundos, pensei que fosse marketing. Depois do que vi, duvido até que aconteça algo ruim, mesmo que você queira (os suicidas devem escolher outra coisa, porque ali não dá).
O nosso instrutor, Marcelo 'Lafon', soube ser divertido e liderou sem fazer força. Foi sensível o suficiente pra relaxar nossa amiga em pânico sem fazê-la sentir-se como uma mongolóide (ou emendar cantadinhas idiotas - as meninas do nosso grupo são lindas e qualquer fulano menos profissional cometeria essa gafe). O resultado foi tão positivo que lá pro meio do passeio, num remanso, Jana pulou do barco pra curtir a água do Jacaré-pepira, em Brotas.
Preciso dizer mais?

Preciso sim. Descer uma corredeira com um salto de 2,50m é simplesmente duca!
Vou de novo, recomendo e digo mais: o preço dos caras, pelo que oferecem, é muito justo. Picaretas pela metade do valor existem, mas minha vida e meu barato valem mais.
(Mas não vão aumentar só porque eu disse isso, hein... :D).

Taí a propaganda mais que merecida.
Quem quiser encarar a aventura pode ir tranquilo com a Alaya (www.alaya.com.br).

***

Ah, um comentário importante: apesar da brincadeira no vídeo, é relativamente comum que ocorra o retorno na tirolesa (quando você cruza mas, ao invés de parar na estação de pouso, retorna para o meio do cabo de aço e fica suspenso). Eu já havia feito antes e sabia disso (só não fazia ideia de como me resgatariam dali, porque quando fiz da outra vez mal passava de 10 metros... e ali eram 50!). O rapaz não soltou o cabo de frenagem de propósito, apenas escapou de suas mãos porque precisava simultaneamente manter o cabo preso e buscar-me na rampa. Como eu estava segurando a câmera numa mão e a faixa da cadeira na outra, não consegui segurar também e retornei. Foram longos minutos de puro cagaço mas cá estou eu são e salvo. Pode-se questionar o procedimento nesse caso, ou mesmo recomendar um alerta específico sobre essa possibilidade na apresentação inicial (quem não conhece poderia entrar em pânico, ficar histérico e dificultar o resgate), mas no meu entendimento isso não depõe em nada contra a empresa. Tanto que pretendo retornar muito em breve (aos cursos, não ao meio do cabo hehehe).

Agradecimentos especiais ao
Jean-Claude, líder da Alaya em Brotas, que foi extremamente solícito em suas respostas.

quinta-feira, 5 de março de 2009

• Participe da campanha: "Quero ser excomungado!"

Bom dia, amiguinhos.
Estou aqui para convidá-los a participar de mais uma campanha supimpa.
Explico: O advogado da Arquidiocese de Olinda e Recife, Márcio Miranda, deve apresentar ao Ministério Público de Pernambuco uma denúncia contra a mãe da menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto e estava grávida de gêmeos. Segundo o advogado, a denúncia será oferecida com base nos artigos 1º e 5º da Constituição Federal, que asseguram a inviolabilidade do direito à vida, já que a mãe da menina consentiu o aborto dos fetos. (...)
A gravidez de gêmeos da menina foi interrompida no início da tarde desta quarta-feira, na maternidade do Cisam (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros), em Recife. A gestação era considerada de alto risco em função de sua estrutura física - 36 kg e 1,36 m. De acordo com o médico responsável pelo procedimento, uma criança com esta idade não tem todos os órgãos formados.

A menina, que estava no quarto mês de gravidez, está sob o efeito de medicamentos e, se tudo correr bem, deve receber alta dentro de uma semana.

(fonte: DGABC - 5/3/09)

Poizintão, meus confrades e minhas confraudas! Considerando que, segundo a legislação brasileira, o aborto é permitido em vítimas de estupro até a 20ª semana de gestação, isto não passa de teatro, quiçá um bunda-lelê.
Considerando ainda que tal teatro tem por objetivo reforçar a mentalidade católica do "quem não está conosco está contra nosco", é um bom momento pra aproveitar o ensejo e emplacar nosso cirquinho.

Os cartunistas Seri, Fernandes e De Marchi (djô) lançam a campanha: "Quero ser excomungado", que tem por objetivo, veja só, ser excomungado. Não sei vocês, mas eu não quero ser vinculado de modo algum a uma instituição que se presta a esse papel desumano, canalha, retrógrado et al. Numa boa, gota d'água para um saco cheio de 2000 mil anos de História muito, mais muito mal contada. O Estado onde vivo ainda é laico (apesar dos pesares) e felizmente entende o óbvio: estupro não é formação de família (só faltou entender que igreja é formação de quadrilha, mas isso fica pra outro dia).

A mãe da menina foi excomungada.
Ora essa, também quero ser expulso dessa gangue!
Estou com a mãe, com a menina e com quantos mais houverem, vítimas da ignorância dessa turba de velhos paranóicos que nunca tiveram utilidade alguma além de embolar o meio-de-campo da evolução e contrariar o bom senso do seu próprio Mestre, que preferia abraçar os desvalidos a apedrejá-los. Se isso é ser cristão, então eu sou o Papa.

Gostou? Participe.


Breve, neste tópico, o link para a coleta de assinaturas do Petitiononline.com


P.S.: Não pensem que não sou pró-vida: o câncer também é vivo e espero que nasça no reto do Ratzinger.