sábado, 5 de setembro de 2009

Férias!

Fáinali!
O quê? Eu mereço, porra. Adoro o que faço, amo meu trabalho, mas vagabundar tem um certo séquizapiu que não posso negar. "Vagabundar", numas, que não consigo ficar parado. Vou começar um montão de coisas que deixarei incompletas!
Férias é aquela coisa estranha, como a vida: você leva tempo pra se ligar e se acostumar, e quando finalmente tá pegando o jeito, ela acaba. Na hora de aproveitar pra valer, você tem de abrir mão.
Férias é coerente com um mundo onde você passa a broxar justamente quando tem o quinourráu pra trepar.
Férias é mesmo tão estranha que você fica na dúvida se ela é ou elas são, até que elas passam ou acaba.
Férias, amiguinhos, é basicamente tempo ocioso e mal aproveitado com sofismas sobre as férias.
Ou não.
Então deixo aí pra vocês, meus milhares de leitores apreensivos com meu sumiço, dois súperes posts supímpares, que eu tenho mais o que fazer.

Abraço e não chorem (de rir), pois eu volto!

Democracia, aqui me tens de regresso

E, suplicando, lhe peço... que não seja um Demônio com crasse. Porque tem horas onde é mais fácil caçar um novo sentido do que aceitar que não temos o que apregoamos. Mas, antes, pra poder reclamar com a devida pompa, é preciso relembrar uns poréns.
Democracia e liberdade de expressão não são a mesma coisa. Nunca foram nem mesmo intimamente ligadas, senão numa relação distante e condicional como ter pés e fazer cooper - uma coisa não necessariamente leva à outra.

Liberdade de expressão é você poder dizer o que quiser.

Democracia é você poder dizer o que quiser e ser ouvido.

A democracia moderna é como um cão mal-criado: você diz "sit" e ele sai andando. Você continua livre pra dizer "sit" quantas vezes quiser, e ele, pra cagar e andar. E ainda há risco de represálias.
A democracia - chame-lo-emo-la "de buteco" - tolera a Liberdade de Expressão enquanto não fizer diferença. Permite que eu fale a você um óbvio qualquer, como, por exemplo, que o Sarney é um coroné mafioso maldito, desde que não chegue aos ouvidos dele (torçamos para que este blogue continue uma porcaria e não faça sucesso!). Eu não tenho provas, então é calúnia, é difamação, é coisa feia de meudeus.
Porra, óbvio que eu não tenho provas! Eu sou promotor? Investigador? Tenho acesso a dossiês e assino quebras de sigilo bancário? Se até eu tivesse, ele não chegaria onde chegou!
Isso não significa que eu não possa concluir, pela lógica dos eventos, pela poeira levantada, pelos apontamentos e discursos, certo?

"Certo, mas conclua quieto".

Taí nossa liberdade de expressão. "De que o mel é doce é coisa que eu me nego a afirmar, mas que parece doce eu afirmo plenamente."
Então beleza, eu não posso chamá-lo de filho da puta porque não fotografei sua progenitora em folagrante de coito indevido. Você não pode reclamar de seu emprego porque será demitido. Você não pode dizer nada polêmico que não possa bancar com evidências, nem mesmo numa conversa informal (experimente). Chamam isso de assumir as consequências, mas então... que liberdade é essa, tão cheia de condições? Falar às escuras, já faziam nos calabouços e porões.
Que diferença há entre eu não poder dizer algo pra não tomar um processo e eu não poder dizer algo senão um ditador me caça? A intensidade do preju?
E em 68 morreram por isso, veja só!

Não defendo a falastragem irrestrita e irresponsável, mas não sou eu quem diz que vive num país livre e democrático. Só fico estressado mesmo quando reclamam por eu rir disso.
Quem não pode e diz que pode me diz que não posso dizer.
Olha só que confusão! E é isso mesmo o que esse sisteminha propicia: perda de tempo tagarelando e desabafando pra não explodir em revolução, enquanto tudo segue seu curso.
Já faziam bigodes nos pôsteres de Stanculescu, e ainda assim ele tiranizou a Romênia por mais uns cinco ou dez anos. Caiu porque um culhão maior o derrubou, aproveitando o ensejo da massa em fúria (o único poder da vantagem numérica). A palhaçada do mundo livre está nessa singela confusão, que permite que o mundo todo desaprove um Bush e ele, gostemos ou não, invada um Iraque.

Falar, falamos todos. Só não achemos que isso é grande coisa, em si.
Expressão é esporte: do Dilúvio não escapa o justo e sim quem sabe nadar.

Uma palavrinha sobre os Bíblicos - parte1

Paz de Cristo, amiguinhos!
Não, eu não vou subir no livro pra falar. Só quero comentar uma belezura que chegou novamente aos meus ouvidos (como, provavelmente, vive a chegar nos vossos também).

Muita polêmica e rebosteio tem sido movido nesses tempos de chove-não-molha entre Rede Grobo e Igreja Universal do Dólar de Deus. Tanta, mas tanta, a ponto da crentaiada sentir-se obrigada a dizer algo, a levantar um álibi, a tirar da reta - movimento comum em tempos onde a pá do ventilador respinga por todos os lados.
Até aí, beleza. Bom pra estimular o debate. O problema é o discurso, tão incoerente quanto os daqueles que querem justificar sua fé dizendo que algo nela é científico.
A síndrome do "num fui eu" chegou com tudo entre os evangélicos. Ninguém matou Joana Darc, assim como ninguém votou no Collor. Alguns poucos com acesso à cultura vêm dizendo, a boca miúda - miudinha - que não aceitam a Universal, a Renascer, a Quadrangular, a Sextavada com hipotenuza convexa e correlatas. Não admitem, não toleram, têm nojinho da bandalheira. E mais: exigem que não se faça confusão entre esses e aqueles, pois generalizar é pecado.

Ótimo. Só tem um probleminha.
O coerente, então, seria que todas igrejas as ditas "sérias" não aceitassem essas outras até em suas Confederações e Uniões... mas, se os próprios não fazem distinção, não serão os leigos a fazê-la, certo?

É curioso. Se alguém usar indevidamente o logo de uma empresa, por exemplo, é processo na certa. Daí usam o nome do seu Jesus pra estelionato e os ditos 'bons' não se movem?
Bons em quê então, me conta? Em fazer passeata de mãos dadas com bandido? Em engordar a bancada de pastores no Congresso do meu Estadinho laico?
O máximo que vejo são alguns fiéis postando-se publicamente contra essa corja, nunca as instituições. E esses, contentam-se com uma postadinha de orkut, um comentarinho na fila do açougue. Cobrar postura dos pastores, nada.

Tsc tsc, ovelhinha!
Uma OAB não precisa exigir ser levada a sério, pois não aceita advogado sem diploma (ao menos não tão descaradamente). Estão cobrando o quê?
Sei bem que a liberdade de crença é o que regula a história (ou melhor, não regula nada) e 'ninguém pode proibir' (?) que templos do tipo existam. Mas daí a se juntar com os malandros por uma conveniência qualquer que justifique a vista grossa... vai longe.
As maiores interessadas nessa separação seriam justamente elas, não? Os caras estão queimando o filme de todos e ainda por cima cagando no nome do seu deus.
Quem deveria combater os falsos profetas?
Ou cabe ao coitadão que cai lá na boca do lobo, em desespero de causa, diferenciar "a boa da má palavra"?
Só faltava essa... o puto, fudido e lascado ainda ser culpado por lhe passarem a perna. Muito cristão de vossa parte.
Não vou nem comentar que pedir (ou aceitar) mais que 10% da grana de qualquer um é usura segundo seu próprio Livro (dízimo=10). Então não basta não tirar encoxto, não curar AIDS com reza e não dar cambalhota no templo com pomba-gira. Segundo dizem, se Cristo gostasse de grana, tinha nascido em Roma, não em Nazaré.

Pessoalmente, creio que coerência não seja algo que se cobre de qualquer religião de massa mas, até aí, foda-se minha opinião. Só não dá pra pagar de bom-moço, de isentos, enquanto deixam esse tipo de coisa acontecer. Então perdoe-me, crentaiada séria desse mundão de meu Deus, mas nesse papinho eu não caio, não. Mexam-se.

Os hipócritas, falta-lhes o culhão que seu mestre teve em expulsar os mercadores do templo. Mero repudiozinho de buteco, papai-do-céu castiga.


Amém?
Amém!


*(até aqui não se discutiu religião em si, então não venham com papinho de "respeito à crença blablabla e tal").

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Não.

Não. Os ETs não virão nos salvar, nem ensinar que estamos errados e devemos cuidar do planeta.
Nem um Messias - escolha um nome, a granel - virá para limpar suas cagadas.
Nenhum grande líder se erguerá, senão para estar acima dos demais.
Muito menos algum sábio dirá aquilo que já sabemos, como se preciso fosse.
Não nos uniremos finalmente em paz e liberdade. Não sabemos o que ambas são.
Não agiremos no último minuto. E não adiantaria, porque já deixamos pra última hora.
Não queremos reconstrução - a humanidade deseja uma data onde tudo termine.
Enquanto não chega, prorrogamos, abraçados a um novo calendário de algum povo extinto que, como nós, não preparou sementes.

Não. Estamos por si.
Estás por ti.
Estou por mim.


Mas nunca estamos por nós. Simplesmente não seria... o que somos.


A maravilha desse Éon é que todo mundo pode ser Nostradamus.