domingo, 20 de dezembro de 2009

Uaderrel vos diz:


by De Marchi

sábado, 19 de dezembro de 2009

Nietzsche (Saúde!)

Alguém já parou pra pensar que Nietzsche... assim... era um puta dum doidão?

Pinéu mesmo, treze total. Seja por sífilis, com tumor no cérebro ou o que quer que se alegue, o bicho era doido. Não bastasse um nome com cinco consoantes seguidas, o cara dava nó em gota e morreu num hospício.

É gostoso romantizar, claro, e pensar que ele ficou lá porque o mundo não estava preparado para reconhecer seu brilhantismo. De fato não estava, mas não é por isso que ele foi internado.

Isso tudo é só pra dizer que, por mais legal, criativo, maravilhoso e genial que seja uma ideia dum doido, não se pode esquecer a condição de sua fonte. Segundo o próprio Nietzsche, aliás.
Loucos podem ser geniais - em geral, a linha é mesmo das mais tênues - mas a perda daquele fiapinho derradeiro de contato com a realidade faz muita diferença.

Claro que em muitos esse fiapinho é a corrente de uma âncora. Claro que também pode-se questionar , numa masturbação mental ad aeternum, o que é sanidade, coisa e tal. Mas dá pra intuir, por exemplo, que certas coisas estão mais para a poesia, utópica e vivenciável apenas como horizonte e referência, do que para filosofia aplicável.

Li Nietzsche cedo demais, o que de certo modo saiu-me 'catastrófico'. Cheguei a achar que fosse o verdadeiro anticristo (e não o fanfarrão do Crowley - o que sob certa ótica ainda penso). Sofri para relacioná-lo com as correntes filosófica anteriores etc (tudo isso como esporte, não tenho maiores pretensões em relação ao tema). Demorou para lê-lo como realmente era-me útil.

Nietzsche (saude!) era um romântico. Um romântico com distúrbios mentais, absolutamente genial. Um Poeta.

Ele mesmo deu a dica: também para lê-lo é preciso abdicar da razão.
E ao parar de ler... voltar com os pés no chão.

Sabem como é... em abismo, amiguinhos, eu só pulo de bungee jump!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Keep Walking, Ju!



A gente sabia que se ela risse, contagiaria.

A gente sabia que suas palavras iam virar bordão.

A gente sabia quando era sério, sem grito por respeito.

A gente sabia como era fácil seguir líder nato.

A gente sabia que o lugar dela era mais além.

A gente sabia, a gente sabe, que a Ju é a Ju.




Boa sorte, Fia.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Mensagem do dia:

Sorria!
Você está lendo um gerúndio.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Política, de novo???

Ah não, sai do meu pé, chulé. Eu já havia dito que comentaria aqui sobre a Marina Silva (a qual ainda estou a pesquisar), só pelo esporte de pegar no pé. Mas de novo vieram exigir um posicionamento diante do circo de 2010.
Eu, hein...


O jeito é preparar esse textão prolixo e mandar pro lixo, digo, pro e-mail dos exigentes.


Já disse que não discuto paixões - o único fator verdadeiramente reconhecível nesses blablablás pseudopolíticos. Política nesse país é tratada como time de futebol, e o pior, principalmente nas classes supostamente cultas (e já deveríamos saber que acúmulo de conhecimento formal não acompanha necessariamente capacidade de raciocínio).
Sempre há, nas conversas, um ranço, uma aversão tácita (muitas vezes herdada, e sempre por antecipação) cheia de conceitos simplistas como direita e esquerda (o Olavo de Carvalho - o papa do Mainardi, por exemplo, acha que no Brasil só há esquerda - incluindo o DEM. Já os bancos devem achar o PT uma das mais rentáveis direitas de todos os tempos). Tudo baseado em velhas bandeiras descartáveis, numa era onde troca-se de partido como de cueca. Afinidade filosófica? Me poupe, mailóvi.

Como levar a sério uma discussão calcada numa base dessas? O emocionalismo, patético, ultrapassa o direito de cada idiota nesse país vomitar preconceitos sob o pretexto de democracia e atinge esses resultados que se vê.

O que mais me enoja, no entanto, não é o desfile de tolices em si, mas a atitude convicta e contundente de voltar atrás em algo que já experimentado que provou-se ser ruim, por não gostar do ruim atual. Desculpas, há muitas: 'falta de alternativa', 'menos pior', 'melhor voltar pra merda que pelo menos tava quentinha' ou até 'ser roubado por culto é melhor do que por ignorante'. Redundante ressaltar o medíocre nas sentenças.

Quem assim pensa não raro arrota índices e denúncias de jornais e revistas declaradamente partidários, sempre soltos em momentos estratégicos. Eesquecem que o viés da imprensa privada é ser empresa e mal sabem que apenas o 'receio' profissional (e não a ética, pois nesse sentido seria um dever abrir a boca) impede muitos jornalistas de comentar algumas dessas 'verdades', construídas pra classe-média reacionária bater palma. Tanto pra um lado quanto pra outro.

Então, é inevitável para mim que, ao ouvir velhos discursos das mesmas fontes, a ojeriza apareça - o que também me desqualifica pro debate.


Insisto, não entendo esse eterno retorno em busca, talvez, de diferenças marcantes. Não aprovo muito do que Lula fez e faz. Mas FHC fez votarem a reeleição em dois dias, quando qualquer coisa mais relevante ao país leva meses, senão anos, pra ser votada. Para alguns, pelo visto, isso foi muito diferente de mensalão. Pra mim, não.
Em SP, o comprometimento de Serra com o eleitor foi abandonar a cidade e deixar de herança a bomba do Kassab, em nome da escalada do poder. Era óbvio, mas a culta classe média, que mal ganha 15 contos por mês e adora pensar que é elite (elite é o Eike Batista, porra) não reparou.

Cá entre nós, não sei porque SP achou que um 'culto' anestesista seria mais útil que um torneiro mecânico como administrador, mas não é de todo errado prestar mais atenção nos resultados concretos do que nesse papinho pseudo-objetivista das tais 'bandeiras'. Escolher entre um fanfarrão do pré-sal e um arrogante da super-elite não é escolha, é sofisma. Tanto faz o fantoche, eu preferia mesmo era escolher o ministro da fazenda.

Não é uma crítica aos partidos: eles fazem o que a demanda exige, o que seu público pede. Criticá-los seria tão sensato quando reclamar que o McDonalds vende gordura pros obesos (se eles gostassem de alface, McSalad seria o nº 1). Há tempos institucionalizou-se a política como um jogo onde a regra oficial é a corrupção - que aliás está infiltrada em cada nível da infraestrutura nacional desde antes da Ditadura, senão antes.
Papas já eram colocados no poder por famílias ricas como braços de seus interesses, não? A política não mudou: a diferença é que trocaram Bórgias por bancos, multinacionais ou um bando de macunaímas em busca de esmola. Todos defendendo o seu. Nunca uma nação.
Não há virgem nessa zona. De nada valeria, portanto, fixar-se no efeito sem ressaltar a vocação do eleitorado.

Sejamos francos: estamos, todos ou a maioria, preocupados apenas com o próprio rabo.
Quem não recebe bolsa-família quer mais é que se exploda, quer altos lucros e pouco investimento; prefere mexer em CLT e sucatear mão-de-obra do que lutar por imposto baixo e incentivos (esses sim, empecilhos diretos ao crescimento). Não importa que funcionário custe o dobro mas retorne o quíntuplo, o negócio é enxugar - muito bônus, pouco ônus e tudo no ânus (dos outros, claro).
Quem recebe, quando tem QI pra achar algo mais que o penta-hexa do Framengo ou Ronaldo no Curíncha, acha ótimo leiloar o país a troco de esmola porque... afinal, resorveu meu pobrema, foda-se. Quer mais é tirar tudo o que puder do Governo, do vizinho menos pobre e do patrão, a quem inveja com mais força do que trabalha, como se tivesse a obrigação de indenizá-lo (pelo quê, ninguém diz), mimá-lo e sustentá-lo, baseado no vitimismo e na lei do mínimo esforço.
E assim ficam todos os braços-curtos sem visão de longo prazo, com esse velho papinho típico de país escravocrata, Coringão versus Parmera, calcado num conflito de classes claramente interdependentes. E enquanto patronato e proletário, a classe produtiva, brigam ao invés de cuidarem de interesses comuns, os especuladores e oportunistas, independente de partido, delapidam a nação.

Então... por que perder tempo com esse assunto, senão por desabafo?
Com esse eleitorado, é murro em ponta de faca.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

...E por falar em coerência...

Uns poucos observadores perguntaram porque diabos esse blog ganhou um cabeçalho animado de "ano 2" (acima - dãaaa...) só agora que já tá quase chegando o ano 3. Ora... o Prefeito só entrega uniforme e material escolar em setembro e ninguém reclama... e eu? Não posso atrasar?

Além do mais, a julgar pelo número de comentários nas postagens, sei lá se vou chegar ao ano que vem...
Mas uma coisa é certa: o cabeçalho de ano 3 logo virá (no mais tardar, no ano 4).

Endjói!

Um par de palavras sobre a prostituição

"...e a fulana, gostosa e novinha, está com aquele velho milionário. Que vacona!"
Dito popular


Você já ouviu essa?

Tá. E qual a novidade?
Por que tanta polêmica quanto às putas?
Em que se baseia o julgamento social?
Já parei pra pensar porque esse bordão é tão frequente na boca do povo, e tudo o que vi é que a força do hábito é maior que a de raciocinar. Não sei em qual mundo essas pessoas vivem mas, onde vivo, a regra forçosamente tem sido esta:


Quem quer, com quem tem.
Quem tem, com quem quer ter.


Não existe relação sem interesse. Tudo e todos têm suas condições (ou preços). A questão é se o interesse é justificado pela contrapartida (uma troca equilibrada, via de mão dupla) ou se é fraudulento, se está em pratos limpos ou é baseado em dissimulação.

Qual é a medida de valorização?
Pra mim, é aquela pautada pela necessidade, subordinada ao que posso conseguir, aos meus princípios e à força de vontade para mantê-los.
É como comer: se tenho quem cozinhe em casa, ótimo; senão, vou ao restaurante.
Não me olhe assim! Quando você quer tratar seus dentes, procura um dentista ou um açougueiro? Então, na hora do churrasco, não vejo porque a situação não se inverteria. Só sei que, no deserto, um copo d'água vale mais que um Playstation.
Quanto custa o que você quer?

SEXO, NÃO
"por que é ilegal vender algo que legalmente pode ser dado de graça?"
George Carlin

Isto não é uma apologia à prostituição. Pelo contrário, acho que dão cartaz demais para as Brunas Surfistinhas do mundo - o que é sintomático, afinal nenhuma profissão é tão idealizada quanto essa.
Mas alguma coerência se faz necessária na hora de discursar como uma senhora de ilibada conduta.

O machismo da nossa cultura pressupõe que vender seu cérebro seja mais nobre que alugar sua vagina, sem justificar bem porquê. E o engraçado que esse machismo parte principalmente das mulheres. Esse ranço hipócrita não passa de julgamento moral baseado em valores religiosos - dos quais não comungo no momento. Cá entre nós, penso que superestimam a pureza virginal num mundo sem Marias (e ignoram que não há oferta sem demanda). Porque os genitais hábeis de uma meretriz são mais execráveis que as mãos treinadas de um massagista ou os joelhos de um jogador, não está claro. Mas, num mundo capitalista, não se pode simplesmente qualificar o interesse no dinheiro como "mais repudiável" do que o desejo por genes bons para seus filhos, por amor para suas carências, um bom papo para entretê-las ou por bípeps malhados e um corpão que as faça gozar. Com ou sem nobreza, interesse É interesse do mesmo jeito e cada uma sabe o quanto está disposta a fazer para alcançá-lo. Sendo assim, uma dona-de-casa que não larga o marido só pra não perder a pensão é tão ou mais puta do que as da calçada.

Em geral (maus profissionais existem em todos os ramos), uma puta dá exatamente o que oferece, uma vez aceito seu preço - e só para aqueles que procuram seus serviços. Não promete milagres, lealdade ou amor. Fulano quer gozar, ela quer dinheiro. Feito o trato, ele faz o que quiser (ou conseguir) durante o prazo acertado. Acabou, pagou, contrato cumprido. Quer maior respeito à lei de mercado que isso?

Lezar o outro é roubar, é enganar, é deslealdade - pra mim, um dos maiores crimes - quebrar contrato, comer e não pagar, receber sem dar, combinar uma coisa e fazer outra.
Respeitando o limite de todo clichê, é grande a chance de que o velhão milionário da frase seja 50 vezes mais sujo e torpe do que cada puta que passou por suas mãos. Ao menos elas dão pelo que cobram, diferente de uma certa classe de crápulas que delapidam fornecedores, funcionários, clientes e o país. Desses que pedem concordata, abrem falência, dão uma de inadimplentes e só pagam em juízo (SE pagarem). Tais sociopatas, pessoalmente, não quebram nunca, posto que são garantidos pela Lei do Egoísmo extremo.

No mundo onde vivo, um médico só salva sua vida se você pagar - a nobreza acaba no bolso. Então... se você vai pagar em cash ou vai partir pro escambo, em espécie, isso não desqualifica a negociação. Seja amizade pela amizade, amor por companhia ou sexo por dinheiro. Alugando sorrisos, sentimento, conhecimento ou partes do corpo, você está no mercado.
Em maior escala, muitos de nós nos prostituimos em nossos empreguinhos, fazendo diariamente o que não queremos por... quanto? Três mil? Cinco mil reá ao mês? E olhe lá!
Talvez isso explique a inveja que recai sobre as putas, como se o clichê de que ganham muito pra fazer o que todos fariam de graça fosse real, como se fosse sempre gostoso, como se fosse puro glamour e carro novo na garagem. Não é, como não é pra um dentista lidar com a boca de um porco bafudo, ou para o suporte técnico atender analfabetos digitais e suas perguntas cretinas. Só o que vejo são jornalistas escrevendo o que não acreditam, advogados defendendo criminosos, jogadores beijando camisas onde ontem cuspiram e comediantes tristes tendo de fazer rir no dia da morte da mãe. Todos com seu preço pra roer seus ossos.

***

Qual é o seu preço? A 'mina' tem de ter bunda grande? O homem tem de te dar segurança? Pagar o motel?
Se o que digo te parece cruel, responda:
Você dá pra mendigo? Mongolóide?


Ilusão é achar que seu interesse é mais justo que o dos outros. Somos todos putos no tabuleiro do mundo. A diferença é que alguns fogem da conta.


E mais não digo.