sábado, 27 de janeiro de 2018

• Post Póstumo nº 2

É, eu sabia que você voltaria aqui pra reler...
Olhando bem, talvez eu devesse ter me exposto mais, né?
Falei tão pouco do que realmente me importava neste blog. Quase não há histórias nossas, daquelas pra gente relembrar com os detalhes que o outro guardou. Bem... não importa. Está tudo bem.

E então? Tá vivendo como eu te pedi? Tá tocando a vida, sonhando e amando?
Se eu pudesse esperar alguma coisa, eu esperaria que sim, que você tá sentindo mais vivo do que antes, pronto para o futuro.

Hoje eu quis falar com a minha família. Minha saborosa mãe, meu Nobre pai e meu querido irmão.
Dona Sula, meu amor, como você tá?
Eu não sei, mas imaginei quando escrevi. Tá chorando em silêncio? Pedindo pro Kit abrir as fotos, mostrar os videos? Visitando meus álbuns? Você não tem jeito, né véica?
Sinceramente, você não precisa disso. Não mesmo. Você sempre foi teimosa, fez sua vida e não perdia tempo com avaliações de placar; fazia e pronto, não é? Pois agora você tem o Kit pra cuidar (não relaxe, aquele cabeçudo teimoso puxou pra você hahahaha) e, se eu bem conhecia aquele cara, você tem agora netos pra cuidar também. Ou logo terá, isso é certo! Infelizmente não vou conhecê-los, seriam como filhos pra mim, mas você que pode curta-os muito! Você tem tudo pra ser uma vovó gostosíssima, tenho certeza.
Não se engane, todas essas pessoas e bichos à sua volta dependem muito de você. Faça-os felizes como você me fez, mãe. Porque eu fui muito, mas muuito feliz com você. Seu bifinho a milanesa, que você fazia sempre que eu aparecia em casa, era o resumo de como você demonstrava seu afeto, seu desejo de me ver feliz. Eu sempre fui caladão, mas eu notava. Reparei em cada atitude sua, no modo como relevava minha tosquice, meu jeitão meio rude, e me amava sempre. Eu tenho muito orgulho de você. Você é minha Casa.
Se eu fui tão feliz contigo em vida, pra que cacete eu ia querer que tu sofresse hoje?
Não quero, não quero mesmo. Você não merece passar por isso nessa etapa da sua vida, então não se derrube em vão. Eu só tenho o que agradecer a você e não posso pagar por tudo isso sendo um motivo pra você chorar, mãezinha.
Você lembra quando eu penteava seus cabelos, sentado no encosto do sofá? Quando ficava desenhando contigo na sala enquanto você lia Sabrina e Contigo hehehehe? E quando eu pegava um palito pra mexer nos teus dentes (tu achou que esse imprestável aqui ia ser dentista?)? Quando apertava 'os buchinho', fazia 'tuninho'? Quando a gente comia Skiny e Diamante Negro vendo Supercine?
Nós nos divertimos, né? Então lembra disso, mãe. O resto é bobagem. Você foi a melhor mãe que eu poderia desejar, nunca me passou pela cabeça nem mesmo nas fases revoltadas de "ter outra" que não você. Meu porto seguro. Tu me ensinou a ser tagarela, criativo, a gostar de mulher, ser um bom homem, gostar de ler. Tudo o que fiz e vivi na minha vida tinha no mínimo algo ligado a você. E se além de tudo isso eu continuo vivo no seu coração e memória, por que então sofrer? Não tá óbvio que eu sempre vou estar com você?
Lembra de mim nos bons momentos, nos Nossos momentos. E vive até o finalzinho, com o humor e a presença positiva que você sempre teve. Sorria como me fez sorrir, tá?
Hoje sou eu quem vai te benzer pra você dormir:
"Anjinho da gaida, poteja nezinho, tatinho, papai, mamãe, vovô, vovô, amém.
Pai, fio, pito, santo, mém".

:D

TE AMO
P.S.: Manda um dengo pros cachorros por mim, por favor.

OBS: Pai, Kit... deixei mensagens pra vocês também, viu?

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