É, eu sabia que você voltaria aqui pra reler...
Olhando bem, talvez eu devesse ter me exposto mais, né?
Falei tão pouco do que realmente me importava neste blog. Quase não há histórias nossas, daquelas pra gente relembrar com os detalhes que o outro guardou. Bem... não importa. Está tudo bem.
E então? Tá vivendo como eu te pedi? Tá tocando a vida, sonhando e amando?
Se eu pudesse esperar alguma coisa, eu esperaria que sim, que você tá sentindo mais vivo do que antes, pronto para o futuro.
Hoje eu quis falar com a minha família. Minha saborosa mãe, meu Nobre pai e meu querido irmão.
Dona Sula, meu amor, como você tá?
Eu não sei, mas imaginei quando escrevi. Tá chorando em silêncio? Pedindo pro Kit abrir as fotos, mostrar os videos? Visitando meus álbuns? Você não tem jeito, né véica?
Sinceramente, você não precisa disso. Não mesmo. Você sempre foi teimosa, fez sua vida e não perdia tempo com avaliações de placar; fazia e pronto, não é? Pois agora você tem o Kit pra cuidar (não relaxe, aquele cabeçudo teimoso puxou pra você hahahaha) e, se eu bem conhecia aquele cara, você tem agora netos pra cuidar também. Ou logo terá, isso é certo! Infelizmente não vou conhecê-los, seriam como filhos pra mim, mas você que pode curta-os muito! Você tem tudo pra ser uma vovó gostosíssima, tenho certeza.
Não se engane, todas essas pessoas e bichos à sua volta dependem muito de você. Faça-os felizes como você me fez, mãe. Porque eu fui muito, mas muuito feliz com você. Seu bifinho a milanesa, que você fazia sempre que eu aparecia em casa, era o resumo de como você demonstrava seu afeto, seu desejo de me ver feliz. Eu sempre fui caladão, mas eu notava. Reparei em cada atitude sua, no modo como relevava minha tosquice, meu jeitão meio rude, e me amava sempre. Eu tenho muito orgulho de você. Você é minha Casa.
Se eu fui tão feliz contigo em vida, pra que cacete eu ia querer que tu sofresse hoje?
Não quero, não quero mesmo. Você não merece passar por isso nessa etapa da sua vida, então não se derrube em vão. Eu só tenho o que agradecer a você e não posso pagar por tudo isso sendo um motivo pra você chorar, mãezinha.
Você lembra quando eu penteava seus cabelos, sentado no encosto do sofá? Quando ficava desenhando contigo na sala enquanto você lia Sabrina e Contigo hehehehe? E quando eu pegava um palito pra mexer nos teus dentes (tu achou que esse imprestável aqui ia ser dentista?)? Quando apertava 'os buchinho', fazia 'tuninho'? Quando a gente comia Skiny e Diamante Negro vendo Supercine?
Nós nos divertimos, né? Então lembra disso, mãe. O resto é bobagem. Você foi a melhor mãe que eu poderia desejar, nunca me passou pela cabeça nem mesmo nas fases revoltadas de "ter outra" que não você. Meu porto seguro. Tu me ensinou a ser tagarela, criativo, a gostar de mulher, ser um bom homem, gostar de ler. Tudo o que fiz e vivi na minha vida tinha no mínimo algo ligado a você. E se além de tudo isso eu continuo vivo no seu coração e memória, por que então sofrer? Não tá óbvio que eu sempre vou estar com você?
Lembra de mim nos bons momentos, nos Nossos momentos. E vive até o finalzinho, com o humor e a presença positiva que você sempre teve. Sorria como me fez sorrir, tá?
Hoje sou eu quem vai te benzer pra você dormir:
"Anjinho da gaida, poteja nezinho, tatinho, papai, mamãe, vovô, vovô, amém.
Pai, fio, pito, santo, mém".
:D
TE AMO
P.S.: Manda um dengo pros cachorros por mim, por favor.
OBS: Pai, Kit... deixei mensagens pra vocês também, viu?
segunda-feira, 27 de outubro de 2025
• Post Póstumo nº 2
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Se trabalhar fosse gostoso, você é quem pagaria pra fazer.
Título rude, né? Mas é isso, sem tirar nem por.
Você já viu aqueles artigos de blog "criativo" (oi?) reclamando de cliente? Já, né. Será que tem alguém que já não tenha trombado com eles nas redes sociais? Difícil.
Eu gosto, no geral. Acho legal quando um texto mostra que não é só você quem passa por algumas situações. E alguns textos são ótimos, divertidos (quem acompanhava o Di Vasca, por exemplo, sabia o que era se divertir muito com a desgraça compartilhada).
Mas – e, pelo calhamaço de texto abaixo, deve haver um baita de um "mas" – a maioria me parece um mimimi meloso de garoto assoberbado. Sério. Vem comigo.
Eu sempre sinto uma certa arrogância nesses textos que reclamam dos clientes.
Evidente que há péssimas figuras no mercado, mas repare bem no foco das reclamações. "O cliente é burro, o cliente paga mal, o cliente quer desconto, o cliente não sabe reconhecer minha genialidade".
A demanda pode ser justa, mas o tom e os modos às vezes botam tudo a perder.
De verdade: nem nós mesmos contrataríamos a maioria deles!
Eu espero que você não caia nessa. Espero também que esse mercado se profissionalize, porque a impressão que me dá nessas horas é a de que não evoluiu um milímetro. Conselho bom se vende e ninguém pediu, mas eu adoraria ter ouvido isso quando tinha 17 anos e tô de coração alegre.
Então senta que lá vem textão.
Tá aí um pouquinho do que aprendi nessas décadas de estrada, onde gente foi melhor e foi pior que eu. Espero que seja útil.
O cliente tem sempre razão?
Tem sim. Lide com isso.
Já o candidato a cliente... depende.
Para lidar bem com qualquer cliente, você precisa entendê-lo.
Coloque-se no lugar dele. O cliente quer algo que ele idealizou, que sonhou ou que precisa. Pode não saber bem o quê ou mesmo estar enganado, mas procurou um especialista com algo em mente.
Se pudesse fazer por si, o faria.
Se tivesse o tempo ou a habilidade necessária, já estaria pronto.
Mesmo que tenha tudo isso, ele talvez esteja ocupado demais com os seus próprios clientes, fazendo suas contas, honrando seus compromissos e cuidando do próprio negócio.
Então ele, como você, quer o melhor pelo menor preço possível. No jogo em que vivemos, esse desejo é compreensível e deve ser respeitado. Já o que é possível ou não no seu preço é você quem define. O que o justifica deve ser seu Valor, pra si mesmo e para o cliente, e também suas próprias necessidades. É natural que ele valorize o dele e você valorize o seu. O nome disso é negociação, não ofensa pessoal.
Assim como o fornecedor, o cliente está em avaliação. Sempre estamos, em qualquer negociação (inclusive nas relações não-comerciais). Encontrar o termo onde a mágica acontece faz parte das competências essenciais de qualquer trabalho.
Então... a menos que você me diga que prefere pagar 3 mil num celular que vale 2, e que vai recusar se te oferecerem por mil... melhor rever isso aí.
Outra: pode ser que o que ele quer não seja o melhor, o ideal, o mais eficaz. Clientes muitas vezes decidem mal, com a melhor das intenções, simplesmente porque não têm obrigação alguma de entender do seu negócio, e sim do próprio.
Mas é o que ele quer, e será feito por você ou por outro. O risco que vem com a escolha é do cliente, desde o momento em que decidiu fazer algo. Se ele vai se arriscar, nada mais justo que seja sob seus próprios termos.
Sua parte, qual é? Não sei, decida-se. A minha tem sido a de oferecer as melhores opções, apresentá-las sob prós-e-contras honestos e respeitar o desejo alheio, que propus a mim mesmo realizar. Sob pagamento, claro. Do contrário, pra fazer exclusivamente a minha vontade eu trabalharia só pra mim, em casa. E é aqui que retomo o título: a satisfação primordial é a de quem pagou pra ser satisfeito. Ponto.
A palavra final é do pagante e isso é ótimo pra todo mundo. É também por uma questão de garantia que um profissional tenha um custo, afinal. Ele também tem medo de pagar e não receber. Tem receio de que você seja um picareta sem palavra, que não vá dar conta, que vá deixá-lo na mão, que vai estourar os prazos, que mais fale do que faça de verdade.
Pode faltar um dinheirinho a mais ali, pode faltar um conteúdo extra acolá, mas o que importa é chegar no termo onde um dá o que o outro quer e a troca valeu a pena, sem traumas. O que mais você quer?
Fulano/a queria ganhar 50 mil por mês, o cliente queria um mega portal com vídeos em 4K e dançarinas de Zumba recitando Goethe ao vivo. Ilusões de grandeza temos todos, mas isso não é motivo para saírem sem nada. Em vez disso, você vai poder pagar seu crediário esse mês e ele vai ter um site funcional.
No mais... em termos bem realistas, é dele o direito de escolher o fornecedor e é seu o de aceitar um cliente.
Claro, se ele fizer uma escolha ruim apesar das opções justificadas que você fornecer e vier imputar a você o resultado do erro... bem... se podemos chamá-lo assim, esse é um cliente que você quer ter? De novo, decisões. Um bom médico faz o exame minucioso, receita o remédio e ministra o tratamento. Sua consulta estará paga de qualquer modo: o cliente tomando o remédio ou preferindo o chá da vó Neusa. Se o câncer voltar depois, não adianta dar chilique na recepção, adianta?
A lógica permanece.
Faz parte encontrar dessas coisas pelo caminho. Como também faz parte aprender, desviar-se e jamais assumir uma conduta que prejudique o bom cliente em nome de alguns ruins. Se você quiser sobreviver, claro. Isso é muito comum, tanto quanto lamentável.
A síndrome do Gênio incompreendido
Sabe... não tem campo de realização pessoal pra preencher na nota fiscal. Você pode ter muito prazer como resultado de uma parceria legal, de um trabalho onde as partes se comprometeram com o resultado. É uma delícia e a boa parceria, aquela duradoura, sempre surge assim. Mas esse prazer é consequência e, principalmente, sorte. Por isso também, o foco profissional é receber o pagamento e, sendo promissora para todos, ter a continuidade da parceria. Afinal, seu banco não aceita pagamento de boleto com abraço e parabéns.O que vier além disso é lucro. Literal e metaforicamente.
Dito isto...
Realmente não entendo essas estrelas todas. Essas divas que só tatuam o que querem, que só decoram o que acham legal, que só cozinham o que lhes der na telha. É o couro do outro, o quarto do outro, a barriga do outro! Não importa se você é o famosão, algumas inversões tão têm cabimento.
Uma coisa é você ter o seu cardápio, ok - não se faz picanha no restaurante vegan, seu produto é X e o Y é no box ao lado. Outra é você recusar-se a trazer o saleiro ou tirar a cebola porque "tem de" ser assim.
Baixe a bola. A menos que você vá pagar pro outro engolir, essa equação tá errada. Muito errada.
É por isso que eu odeio esses termos da moda, sabe? Essa autoimportância dos títulos vazios. "Profissão Criativo", seja lá o que isso for. O mercado pede que a gente seja 'artístico', não que seja "artista" - se por "artista" você entender aquela pessoa cuja única demanda ao criar for a própria, que fez o que quis e alguém foi lá ver depois. Confessa: é esse o caso?
Fellini fez Casanova a contragosto, por encomenda; um dos seus filmes mais poderosos. Da Vinci pintou a esposa de um cliente; por acaso tornou-se seu quadro mais famoso. Talvez ele preferisse bem mais seu cavalo de bronze do que pintar baranga, pode apostar. Não importa pra ninguém além dele. E ele certamente achou um meio de fazer o que quis com o dinheiro recebido pelo que "não quis" (e quis, já que aceitou).
Tô falando dos grandes.
E nós? Pois é. Garotear não cabe.
De(s) graça?
- Vai 'dar um boi' pra ganhar o cliente? Faz parte. Com ou sem crise, mimo e desconto todo mundo gosta.- "É só um desenhinho"?
Se você for um desenhistinha, não perca.
- Vai trabalhar de graça por "divulgação"?
Isso é contigo. Eu mexo meus contatos e anuncio em página dupla, vou no boca-a-boca, enfim, mil maneiras ao meu ver mais dignas.
- Ele "tem um sobrinho que mexe no Corel"?
Certamente o que ele deseja está nesse nível. Se você se identifica ou "tá precisado", dispute com o sobrinho. Eu digo Parabéns, sucesso. Boa sorte.
A gente encontra de tudo na feira. A questão é que não cabe a você questionar, necessariamente. Cabe aceitar ou recusar. Quais são os seus termos? A que está disposto? Do que precisa?
Aqui entre nós: eu só trabalho "de graça" quando quero. Se terei algo que compense e me satisfaça de algum modo (como ver um amigo próximo deslanchar, por exemplo, ou porque sempre quis fazer um trabalho do tipo). Posso até fazer de presente, depende! Já fiz muito, aliás - e nesse caso o prazer foi a compensação. Mas, sem pagamento formal envolvido, as condições do meu trabalho e do meu tempo são minhas.
Pode ser que alguém se magoe aí. Uma pena que se confunda. Profissão não é favor pessoal, é? Então magoar-se é opcional. Na verdade sabemos que a pessoa provavelmente está apenas frustrada porque seu plano de vantagem não deu certo. Mas dará com outro, não se preocupe com o seu amigão. Já caí em muito papinho furado e não há garantias de que não caia de novo. Ou você.
O ponto é que, pelas regras desse jogo, algum retorno tem de ter. Até porque... seria um puta desrespeito com quem me paga - e paga direito - pra ter o que faço. Não é justo dar pra papo-mole aquilo que gente séria valoriza.
Mas isso sou eu, nesse momento da vida, e não sei do dia de amanhã.
Hoje eu me atrevo a dizer que a relação é profissional ou é pessoal. Tenho grandes clientes amigos e amigos clientes, mas em cada momento há a sua devida atenção. O Amigo e o Cliente podem ser a mesma pessoa, mas não seus contextos. Podemos ou não trabalhar juntos. Podemos ou não tomar uma cerveja. Só com o CPF. O CNPJ não bebe.
Então... só pra lembrar: pondere, negocie e decida. Se topou os termos, mudar de ideia depois é uma baita mancada. Engula e siga em frente. O mesmo vale para o cliente.
O acordado se faz acordado e o respeito mútuo nasce daí.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
domingo, 21 de abril de 2013
A Verdadeira História por Trás da Moderação do Facebook e suas Denúncias Mesquinhas
Traduzido por Bianca Silva, o texto pode ajudar a refletir sobre as circunstâncias que antecedem o 'compartilhar' nas redes sociais e a maturidade de nossas reações ao que nos 'ofende'.
Lembrando que você tem o direito de sentir-se ofendido. O que não tem é o direito de não ser ofendido, por antecipação. Não há intocáveis no mundo e nossas noções narcisistas pouco importam pro Universo. Lidemos com isso.
"Imagine ir trabalhar todos os dias e no começo de seu dia, com sua primeira xícara de café, sentar-se para ver decapitações, crianças prestes a serem estupradas, corpos humanos em vários estágios de decomposição, os resultados vivos e mortos da violência doméstica, corpos de meninos de 10 anos enforcados acusados de serem gays, filmagens de assassinatos reais e rinhas sangrentas de cachorros e seus resultados subsequentes. Você consegue imaginar o horror humano? Eu provavelmente já o vi, ou uma foto, ou um vídeo de algo muito parecido. Posso dizer que algumas das pessoas que trabalham ao meu redor não passam muito bem. Frequentemente elas acabam sofrendo com uma enxurrada infinita de horror que testemunham de 8 a 12 horas por dia. Eu disse que “a maioria” dessas pessoas ganha por volta de um dólar para realizar esse trabalho? É verdade. Mas eu não. Eu sou um americano que exige seus direitos e tal, então, ganho aproximadamente $29 por hora a mais que elas. Tecnicamente, eu não preciso fazer nada além de garantir que estejam clicando nos botões na ordem correta. Não preciso olhar as imagens, mas a maior parte do tempo meu foco em manter-me livre de vieses em face disso me leva a fazê-lo assim mesmo.
Não é só Sangue e Entranhas, às Vezes é Pior
Nem todas as informações a que os moderadores do Facebook são expostos são tão terríveis quanto os resultados acima mostram, algumas são piores. O terror nessas é que são os chamados daqueles de quem os horrores privados, abuso ou assassinato estão em andamento. Verdadeiros gritos de socorro chegam de usuários do Facebook todos os dias, o dia inteiro. Os moderadores da rede social passam boa parte de cada dia de trabalho encaminhando “atos em andamento” às autoridades dos locais onde se encontram essas contas. Quando essas contas são legítimas (não contas-fantasma ou proxies) as denúncias podem e de fato salvam as vidas das pessoas. Essa provavelmente é a razão número um por que muitos traumatizados com os horrores visuais ainda seguem em frente.
Mas você ainda está chateado com quem possa tê-lo banido uma vez? Tente entender que a maioria dos banimentos é feita por um algoritmo automático, e apenas um pequeno percentual passa pelas mãos de uma pessoa. Por quê? Enquanto o Facebook declara ter 1,5 bilhões de usuários este ano, o dado impressionante é que ele possui 1,2 bilhões de usuários ativos que acessam sua conta quase que diariamente. Cada uma dessas pessoas tem um nível diferente do que as ofende.
Considerando tudo isso, eu gostaria de dizer a você o que me ofende. Me ofende que quase 80% das denúncias manuais que tenho que ler são de pessoas que se sentem ofendidas com alguma coisa. Uma lista recente de ofensas inclui (traduzida a partir das pobres desculpas pela gramática e ortografia com as quais a maioria vem):
- “Eu não acredito nessa moeda. Vai contra o que eu acredito.”
- “Esse peixe não parece um peixe, parece as partes íntimas de um homem, e eu tenho crianças pequenas por perto durante o dia.”
- “Eu vi isso no meu feed e não o aprovo, por favor, remova-o.”
- Essa página compartilhou minha foto sem crédito ou permissão.”
- “Você pode remover esta foto? Eu não gosto dela.”
- “Isso não é verdade, meu Deus jamais deixaria isso acontecer.”
Agora, você me perdoando ou não, eu posso garantir que isso é verdade. Face aos verdadeiros problemas que chegam a uma taxa de 250 mil por hora, eu cago e ando se moedas o ofendem ou se você não consegue sair do Facebook enquanto está tomando conta dos filhos do vizinho. O que me importa, que realmente me ofende mesmo, é o fato de que após cinco horas lendo seus mimimis descobri a garotinha de sete anos, muito assustada para contar a uma autoridade, que descobriu como denunciar uma foto dela que seu tio postou, foto que era gritantemente, claramente sexual, e pediu ajuda. “Ele disse que chegará às 2h. Você pode me ajudar, por favor? Eu não sei o que fazer.”
Se você acha que seus maiores problemas no Facebook são fotos ou status que o ofendem, não tem ideia de quantas vezes eu tenho vontade de excluir sua conta.
Graças às suas sensíveis suscetibilidades, eu não li a denúncia dela até que já fossem 5h. Quatro horas atrás eu poderia ter impedido um de seus estupros. Daqui a quatro horas eu provavelmente estarei chorando até pegar no sono porque não o fiz. Graças, novamente, às pessoas que deveriam ficar longe da internet. Por que a denúncia dela não chegou mais rápido? Porque ela tem sete anos, ela denunciou a foto como uma ofensa menor, que, se denunciada apropriadamente, teria furado a fila de denúncias, passando na frente de seus mimimis de injustiça visual. Aquelas coisas feias que estão no topo da fila toda manhã.
Supere seu narcisismo. Seus motivos desprezíveis por trás dessas denúncias de merdas não só são ofensivos como danosos em muitos casos. Quando eu era criança, nós não tínhamos uma maneira de nos comunicar instantaneamente com pessoas do mundo inteiro. Não tínhamos um amigo do outro lado do mundo que se importasse o suficiente para chamar a polícia por nós quando estivéssemos em perigo. Ainda assim, muitos de vocês se dedicam a deformar as potencialidades de uma rede social com um chororô tal que nem mais de 100 mil pessoas trabalhando de oito a doze horas por dia conseguem dar conta. A tecnologia deu a vocês um palco aberto diante do mundo, e alguns o têm usado como um pombo cagando num tabuleiro de xadrez. Vocês deveriam se envergonhar, mas, como um de seus moderadores, vejo claramente que não se envergonham.
Antes de terminar, eu quero compartilhar algumas das perguntas mais frequentes:
“Alguém pode ler minhas mensagens privadas?” Sim. “Mesmo aquelas fotos que eu...?” Sim.
Contudo, ninguém fica fuçando as mensagens privadas de sua conta. As únicas vezes em que elas são observadas por qualquer razão é quando o ID de uma conta aparece repetidamente em denúncias que falam de assédio ou outras questões que exigiriam um maior aprofundamento para se chegar à verdade antes de banir ou chamar a polícia. É uma exigência a que vocês deveriam ser gratos, acredite. Se não o fizéssemos, metade de vocês estaria na prisão agora.
“Por que o Facebook nunca respondeu à minha denúncia ou pedido de banimento?”
Eu vou ser curto e grosso aqui. Sistema sobrecarregado, o algoritmo automático ignorou você. OU, cagaram e andaram para sua questão se ela passou pelas mãos de alguém.
“O Facebook pelo menos vê os apelos ou e-mails enviados sobre minha página ou questões pessoais?”
Curto e grosso de novo: não. O Facebook mantém, e às vezes descarta, apenas um endereço de e-mail que acaba indo parar na lista de tarefas de alguém. O resto é recebe respostas automáticas sobre como eles poderiam ajudar, ou não. Eles não vão ajudar.
“Você verá quando eu denunciar esta postagem?”
Sim, mas vá em frente, você só vai aumentar o problema. Eu terei que remover esta denúncia também, porque não hesitei em xingar, mas...foda-se.
Eu queria poder responder mais perguntas, mas não vou desistir das oportunidades que tenho de ser justo ante as inacreditáveis razões por que alguns donos de boas páginas são banidos ou têm suas páginas removidas injustamente. Isso acontece muito, e provavelmente vai piorar antes que melhore. Provavelmente ajudaria se alguns de vocês voltassem a chorar para suas mães ao invés de fazê-lo para o sistema de moderação do Facebook."
Não sei se o autor é realmente moderador do Facebook, mas independentemente disso o caráter reflexivo do texto é importante.
Texto original: http://theinternetoffendsme.wordpress.com/2013/04/09/the-real-story-behind-facebook-moderation-and-your-petty-reports/
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