quinta-feira, 29 de junho de 2017

• Post Póstumo nº 2

É, eu sabia que você voltaria aqui pra reler...
Olhando bem, talvez eu devesse ter me exposto mais, né?
Falei tão pouco do que realmente me importava neste blog. Quase não há histórias nossas, daquelas pra gente relembrar com os detalhes que o outro guardou. Bem... não importa. Está tudo bem.

E então? Tá vivendo como eu te pedi? Tá tocando a vida, sonhando e amando?
Se eu pudesse esperar alguma coisa, eu esperaria que sim, que você tá sentindo mais vivo do que antes, pronto para o futuro.

Hoje eu quis falar com a minha família. Minha saborosa mãe, meu Nobre pai e meu querido irmão.
Dona Sula, meu amor, como você tá?
Eu não sei, mas imaginei quando escrevi. Tá chorando em silêncio? Pedindo pro Kit abrir as fotos, mostrar os videos? Visitando meus álbuns? Você não tem jeito, né véica?
Sinceramente, você não precisa disso. Não mesmo. Você sempre foi teimosa, fez sua vida e não perdia tempo com avaliações de placar; fazia e pronto, não é? Pois agora você tem o Kit pra cuidar (não relaxe, aquele cabeçudo teimoso puxou pra você hahahaha) e, se eu bem conhecia aquele cara, você tem agora netos pra cuidar também. Ou logo terá, isso é certo! Infelizmente não vou conhecê-los, seriam como filhos pra mim, mas você que pode curta-os muito! Você tem tudo pra ser uma vovó gostosíssima, tenho certeza.
Não se engane, todas essas pessoas e bichos à sua volta dependem muito de você. Faça-os felizes como você me fez, mãe. Porque eu fui muito, mas muuito feliz com você. Seu bifinho a milanesa, que você fazia sempre que eu aparecia em casa, era o resumo de como você demonstrava seu afeto, seu desejo de me ver feliz. Eu sempre fui caladão, mas eu notava. Reparei em cada atitude sua, no modo como relevava minha tosquice, meu jeitão meio rude, e me amava sempre. Eu tenho muito orgulho de você. Você é minha Casa.
Se eu fui tão feliz contigo em vida, pra que cacete eu ia querer que tu sofresse hoje?
Não quero, não quero mesmo. Você não merece passar por isso nessa etapa da sua vida, então não se derrube em vão. Eu só tenho o que agradecer a você e não posso pagar por tudo isso sendo um motivo pra você chorar, mãezinha.
Você lembra quando eu penteava seus cabelos, sentado no encosto do sofá? Quando ficava desenhando contigo na sala enquanto você lia Sabrina e Contigo hehehehe? E quando eu pegava um palito pra mexer nos teus dentes (tu achou que esse imprestável aqui ia ser dentista?)? Quando apertava 'os buchinho', fazia 'tuninho'? Quando a gente comia Skiny e Diamante Negro vendo Supercine?
Nós nos divertimos, né? Então lembra disso, mãe. O resto é bobagem. Você foi a melhor mãe que eu poderia desejar, nunca me passou pela cabeça nem mesmo nas fases revoltadas de "ter outra" que não você. Meu porto seguro. Tu me ensinou a ser tagarela, criativo, a gostar de mulher, ser um bom homem, gostar de ler. Tudo o que fiz e vivi na minha vida tinha no mínimo algo ligado a você. E se além de tudo isso eu continuo vivo no seu coração e memória, por que então sofrer? Não tá óbvio que eu sempre vou estar com você?
Lembra de mim nos bons momentos, nos Nossos momentos. E vive até o finalzinho, com o humor e a presença positiva que você sempre teve. Sorria como me fez sorrir, tá?
Hoje sou eu quem vai te benzer pra você dormir:
"Anjinho da gaida, poteja nezinho, tatinho, papai, mamãe, vovô, vovô, amém.
Pai, fio, pito, santo, mém".

:D

TE AMO
P.S.: Manda um dengo pros cachorros por mim, por favor.

OBS: Pai, Kit... deixei mensagens pra vocês também, viu?

quarta-feira, 28 de junho de 2017

• Post Póstumo nº 3

Oi... :D

Quero falar com o meu irmão. Kit, você tá aí?

Ô meu querido, meu queridão. Eu amo tanto você, sabia? Acho que sabe, mesmo comigo dizendo tão pouco. Tá cuidando da mãe e do pai? E a Kátia, como tá? Eu adorava essa menina, minha irmãzinha. Queria tanto ter dado mais carinho a ela! Mesmo depois do casamento eu tinha medo de apegar-me a ela e depois vocês se largarem, por isso mantinha-me um pouquinho distante. Que tolice...

Escrevi a maior parte desse texto enquanto você estava lá no quarto na casa da mãe, dormindo. Numa daquelas madrugadas, entre a hora em que você levantava para una mijadita e pouco antes de você levantar com um olho aberto e outro fechado e me encher o saco para tirar o carro pra você. Você me olhou, sorriu, mandou um beijo e disse: "Ô. Bô?"
Era tudo o que eu precisava ouvir.
Eu nunca pensei que fosse sentir saudade até disso. Até do beijo de cabeça. Mas, se estou em algum lugar para sentir algo, com certeza sinto.
Sinto falta também do teu olhar. Meu Kit kit Musculucutuca, meu Tule da Montanha, meu Seo Gegê. Desde antes de nascer você já provocava em mim sentimentos que nem imagina (aposto).
Eu falava contigo na barriga da mãe. Combinava de jogar bola no quintal (como tantas vezes jogamos - e quebramos vidros, e derrubamos gaiolas), cantava pra você (nada como a péssima influência musical que você adquiriu depois, sabe-se lá de quem - hehehe) e pensava no quanto seríamos amigos. Tudo bem que, quando chegou da maternidade aquele pacote de 2 quilos de picanha careca, eu pensei "puts, que que eu vou fazer com isso aí?", mas eu sonhava contigo, com o seu futuro, nossa amizade e com muitas outras coisas.
Coisas que depois brilharam nesse olhar desconfiado, úmido, esperto e curioso. Espero que seus filhos tenham olhos assim.

Teus filhos. Ô porra... como eu queria conhecê-los! Meus meninos! Minhas crias! Filhos do meu caçulinha... meus olhos molham as teclas enquanto faço cara de durão. Tosco, né?
Um tio babão, é o que eles perderam. Eu amaria esses meninos. Ia ensinar todas as merdas. Ia desenhar nas paredes de seus quartos, ensinar a nadar, a falar palavrão, contar as histórias da nossa família, do Universo, da fantasia... Pensando bem... ensine você. Eu já te estraguei antecipadamente pra isso mesmo... :D
Eles nunca saberão de mim senão por fragmentos das nossas histórias juntos, pequenas frases soltas de uma saudade alheia a eles, na mesa do jantar. Talvez não deem bola, não sei. Mas a mim, basta. Basta que vocês estejam lá, juntos numa mesma mesa, conversando. Como nós estivemos juntos tantas vezes na nossa, disputando o último chickenitos, criticando quem não comia cebola, quem pegava bife e não deixava pro outro, reclamando do copo de Coca que o outro roubou, nossas viagens, nossos jantares na casa da Mony... essas pequenas riquezas.
Nós fomos ricos, Renan.

Aprendi tanto contigo... 7 anos mais novo e já me ensinava coisas aos 14 anos. Não, minto: muito antes. Coisas sobre a vida, sobre mim e sobre o que é realmente o significado de família. Nós dois, os seres mais próximos em um planeta com bilhões de pessoas, os mesmos genes... ao mesmo tempo tão distintos, mas jamais distantes. Eu fui feliz contigo, tive a rara sorte de ter um irmão de verdade, daqueles de filmes onde tudo acaba bem no final.
E nosso final poderia mesmo ter vindo a qualquer hora que estaria tudo bem. Saí daí sem aquela sensação de pendências, de coisas por resolver contigo. Apenas gostaria de ter dito mais. Gostaria que houvesse mais daqueles momentos tão simples e mágicos. Nossa primeira viagem juntos, seu primeiro Golzinho, os filmes vistos juntos, você repetindo todo o diálogo dos Goonies, Top Gun... cantando Guns n' Roses. Teu primeiro show de rock. Tua primeira frustração com o emprego. Tua primeira dor de amor. Paris. Teu casamento (ainda tem a retrospectiva? Lembra do meu discurso?).
Eu estive sempre ali, contigo, e sou grato por isso.

Desculpe-me. Eu não tive contigo a chácara que gostaríamos. Não disse o quanto eu estava orgulhoso pelo profissional que você se tornou. Usei teu perfume escondido. Não caprichei o quanto podia no logo da sua banda. Não te consultei sobre pintar um ET assustador na parede do quarto. Troquei o CD do Metallica que dei para você. Te culpei pelo Danoninho jogado na privada.
Pior: peidei na almofadinha em que você dormia abraçado, tirei foto sua sentadinho na privada, peladinho tomando banho e chorando. Fui um mala dum irmão mais velho.
Será que posso te pedir um favorzinho mesmo assim?

Não me esquece, querido. Porque eu jamais te esqueci. Jamais. Quando pensava em sair de casa e seguir o caminho natural da vida, o que mais me doía era pensar em ficar longe de você, não conviver mais contigo, não conversar aqueles papos malucos de economia, psicologia, o espaço, a física quântica e tudo mais que nenhum dos dois entendia até teu olho piscar pesado na madrugada.
Lembra de mim como teu ninja protetor, girando um nuntchaco em riste atrás dos moleques do bairro que tosavam suas pipas. Daquele que fazia novela de terror contigo com o velho gravador do pai e uns efeitos especiais da cozinha. Daquele que te salvava o trabalho de escola fazendo uma máscara de isopor, ou qualquer outra bobagem que me fizesse sentir participando de sua vida, ser importante para você.
No fundo era isso, eu queria que aquele que eu amava tanto tivesse orgulho de mim, eu queria ser especial e digno da sua admiração. Porque assim você sorria e me olhava com esses olhos verdes desconfiados, curiosos, espertos e úmidos.
Úmidos como os meus, enquanto escrevo.

Eu te amo, moleque. E sempre vou amá-lo.
Beijo pras nossas famílias.




P.S.: Bulusss... kuuuu.


Antes que alguém diga "Denis, morre de uma vêz, hômi", aproveito para relembrar que já estou morto, portanto foda-se a reclamação, nem ligo. hehehe

O.B.S.: Se vocês pretendem guardar o que digo, é bom copiarem esses textos. Eu não sei se este blog vai durar muito... uma bela hora o Google apaga tudo e bau-bau.

terça-feira, 27 de junho de 2017

• Mony... (ao Amor da minha vida)

Nega...

Eu te amo e amei muito. Desde o primeiro dia eu sabia que você seria a mulher da minha vida (só não sabia que seria por tão pouco tempo). Obrigado por fazer-me tão feliz, tão realizado e satisfeito... obrigado pelo carinho, paciência, dedicação... obrigado por olhar nos meus olhos, com esses zoiões brilhantes que eu tanto amei, e trazer pra mim cada realce de sua transparência, de seu desejo, da sua cumplicidade e dedicação.
Vivemos tanta coisa linda, né? Eu me lembro enquanto escrevo (e talvez, se ainda existo, num outro lugar, um paraíso qualquer onde possa reviver sem limite de tempo cada detalhe, cada cheiro e cada momento que vivemos juntos). São Thomé, Paraty, Curitiba, Socorro, Itu, Floripa, NY, Miami, Paris e nossa casa. A gente vendo Frida. Você cozinhando e eu te atazanando. 'Baça-périna', na cama, enroladinhos. Tantos, tantos e ainda assim eu queria mais. Sempre quis mais. Mesmo quando confuso, mesmo quando perdido, eu sempre soube onde estava meu coração, e lá no fundo sabia que essa minha curta história só existia e tinha graça porque você estava nela. E sempre estará.
Minha vida teve muito mais sentido desde que você apareceu e arriscou tudo pra estar comigo (enquanto escrevo sinto falta do seu cheiro, da sua pele morna, do seu sorriso macio... e choro miudinho, um choro bom). Esses 14 anos foram os melhores da minha vida, tão curta quanto bem vivida e feliz, e nos meus diálogos comigo mesmo sempre pensei nela como AN/DN - antes e depois da Neguita.

Eu tinha tanto, mas tanto pra te dizer... como eu não teria pra mais ninguém. De tudo o que vivemos, de toda a sua presença na minha existência... dizer qualquer coisa a mais seria injusto com o que faltasse. Porque tudo teve sabor de vida, sabor de você.
Não chore muito por mim, tá? Eu sei que isso não se pede, mas... Se posso te pedir isso... passe por essa fase mas não guarde luto, guarde-me nas boas lembranças e vá viver, porque você é nova e merece tudo de melhor, de mais radiante e intenso dessa vida, porque essas são qualidades suas também. E cuida dos nossos bichinhos (ai que saudade dos meus quentinhos!)... vocês cinco são os meus tesouros e viver por vocês era minha maior realização, meu maior motivo pra acordar.
Você me fez tão feliz que, se eu pudesse escolher, viveria 10 vezes mais disso tudo a que chamamos Amor, mas que às vezes parecia ir além. Saiba. Saiba.
Bola pra frente! Não há espaço pra dor, só um longo caminho de vida que você ainda tem a percorrer: tenha os filhos que não tivemos, veja os lugares onde não fomos e busque sempre sua plenitude, meu anjinho preto, porque é exatamente o que eu buscaria se estivesse aí, com você, te empurrando pra vida. Nossa história juntos termina aqui, apenas porque um dia teria de terminar - estou menos triste que termine assim, enquanto saio de cena com a certeza de ter vivido o melhor dessa vida nos teus braços, ao teu lado. Eternizado nesse momento, congelado neste retrato do tempo, onde sempre te amarei e você sempre será a minha Mony, A Mony, A Minha Mulher.

Seja feliz, minha pretinha! Tenha uma boa noite... Dorme bem, dorme com Deus e sonha comigo...
Beijos nos olhinhos (cotíca!).


EU TE AMO, Simone, mulher da minha vida.


P.S.: Se este post foi publicado, isso significa que (salvo algum problema técnico) eu não estou mais aqui para prorrogar o timer.

• Post Póstumo nº 4 - Pai

É, velhinho... eu não ia deixar passar não.

Achou que eu ia esquecer de você? Que eu ia seguir caladão?
Bom, de certa forma estou calado, mas se não posso mais falar eu ainda assim direi.

Eu te Amo, pai. Sempre amei.
Mesmo hoje, enquanto escrevo, ainda sinto o peso dos teus olhos, o peso que você carregou consigo, sobre seus ombros. Eu preferia que o único peso que te ocupasse a memória fosse o meu, menino, andando de cavalinho nas suas costas.
Sabe... Eu sempre odiei seu perfeccionismo. Não você, seu perfeccionismo. Foi ele quem não deixou que você visse o puta pai que você foi, o quanto superou-se e à vida difícil que teve. Eu sempre admirei isso e sempre carreguei seus valores com orgulho. Pergunte a qualquer um que conviveu comigo quantas vezes não contei sua trajetória, seus caminhos, desde a sua infância até os dias em que pagou meus estudos. Aquele menino engraxate, que quase atirou em si por acidente numa banca de jornais, que pulava da ponte em dia de rio cheio; o Balé, que quase jogou profissional.
Enquanto você perdia seu tempo cobrando-se por não ter dado mais bens materiais eu lembrava com carinho dos Bens magníficos e intangíveis que você me deu. Da caixa de papelão com olhos e boca cortados no fundo e uma vela dentro, lá na chácara da vó, às histórias mil da família, da sua vida, te terror. Lembra a gente com o gravador fazendo história de terror? Ouvindo disco de piada suja? "Vai logo, vai logo, senão entra água". Das 'glândulas seborófilas', do palito de fósforo aceso entre seus dentes. De fazer a barba ao seu lado, te imitando. De montar ferrorama no quarto, fazer cabaninha de cobertor e vassoura, desenhar.

Desenhar, pai. Minha paixão, minha vida e meu sustento. Aquilo que me definiu mais do que qualquer outra coisa e pelo qual talvez eu seja lembrado fora de casa. Se eu desenhei, se inventei e criei, foi por sua causa.
Era você quem trazia papel e caneta pra mim, folhas de papel-vegetal e lapiseiras. E tudo o que eu queria era ficar do seu lado, enquanto você trabalhava na mesa da cozinha. Eu via o que você fazia como algo tão importante, algo que eu não entendia mas sentia, que queria fazer também.
Lembro de um rato que você desenhou uma vez, no sobrado, na sua poltrona. Eu pedi "pai, desenha um rato?" e você fez. Eu pensava no Mickey... você fez um rato de verdade. E eu me encantei por aqueles traços acalcados, rabiscados uns sobre os outros, sem linha contínua. Achei lindo. Eu sempre te via desenhando com régua, num traço frio e preciso, e então lá estava... isso, pai, definiu o estilo que eu criei pra mim e pelo qual fui conhecido.

Eu espero que essas memórias, tão vivas em mim após décadas, estejam vivas aí em você. E que se mantenham, sem espaço para lamentos e arrependimentos. Nossas falhas, brigas e discussões eram apenas o sintoma de aprender a viver, e nós aprendemos juntos.
Carregue então contigo aquilo que estou a levar comigo: nossa história magnífica e o orgulho que tive em ser filho de Hamilton Sinachi, a quem amei, honrei e nos últimos anos compreendi.

Te amo muito, meu amoroso pai, e te peço que não esmoreça. Não macule minha memória com um pretexto pra destruir-se, pra abandonar tudo, porque não foi isso o que eu nasci pra inspirar. Lembra de mim com amor e segue o resto do caminho, cuida dos nossos tesouros e da vida que continua, seja na família, nos nossos bichos e em você. Por favor, se cuida e livra do meu espírito a angústia de imaginá-lo triste e deprimido. Lembra de mim, pai, falando bonito e inspirado, desenhando o que você tinha orgulho em mostrar pros outros, com aquela minha soberba marruda e altiva que te irritava. Lembra, pai, de mim no seu colo, das nossas conversas no sofá, da empolgação com que eu falava e ensinava o pouco que sabia. Lembra de mim e de nós, da gente na represa com bóia de câmara de pneu, fazendo balão carrapeta, nadando machadinho, tirando as rodinhas da bicicleta. Lembra do Nesinho, do Dê.

Porque eu me lembro de você, o meu pai querido, de que tão igual a mim mal enxerguei em parte da vida, e que hoje levo comigo com o maior dos orgulhos.

Cuida da mãe, cuida do Kit e dos bichos. Cuida de tudo o que amei. Por mim.

Muito obrigado por tudo!

Te Amo. Beijo