terça-feira, 27 de outubro de 2015

Se trabalhar fosse gostoso, você é quem pagaria pra fazer.

Título rude, né? Mas é isso, sem tirar nem por.

Você já viu aqueles artigos de blog "criativo" (oi?) reclamando de cliente? Já, né. Será que tem alguém que já não tenha trombado com eles nas redes sociais? Difícil.
Eu gosto, no geral. Acho legal quando um texto mostra que não é só você quem passa por algumas situações. E alguns textos são ótimos, divertidos (quem acompanhava o Di Vasca, por exemplo, sabia o que era se divertir muito com a desgraça compartilhada).
Mas – e, pelo calhamaço de texto abaixo, deve haver um baita de um "mas" – a maioria me parece um mimimi meloso de garoto assoberbado.  Sério. Vem comigo.

Eu sempre sinto uma certa arrogância nesses textos que reclamam dos clientes.
Evidente que há péssimas figuras no mercado, mas repare bem no foco das reclamações. "O cliente é burro, o cliente paga mal, o cliente quer desconto, o cliente não sabe reconhecer minha genialidade".
A demanda pode ser justa, mas o tom e os modos às vezes botam tudo a perder.
De verdade: nem nós mesmos contrataríamos a maioria deles!

Eu espero que você não caia nessa. Espero também que esse mercado se profissionalize, porque a impressão que me dá nessas horas é a de que não evoluiu um milímetro. Conselho bom se vende e ninguém pediu, mas eu adoraria ter ouvido isso quando tinha 17 anos e tô de coração alegre.

Então senta que lá vem textão.
Tá aí um pouquinho do que aprendi nessas décadas de estrada, onde gente foi melhor e foi pior que eu. Espero que seja útil.


O cliente tem sempre razão?

Tem sim. Lide com isso.

Já o candidato a cliente... depende.


Para lidar bem com qualquer cliente, você precisa entendê-lo.
Coloque-se no lugar dele. O cliente quer algo que ele idealizou, que sonhou ou que precisa. Pode não saber bem o quê ou mesmo estar enganado, mas procurou um especialista com algo em mente.
Se pudesse fazer por si, o faria.
Se tivesse o tempo ou a habilidade necessária, já estaria pronto.
Mesmo que tenha tudo isso, ele talvez esteja ocupado demais com os seus próprios clientes, fazendo suas contas, honrando seus compromissos e cuidando do próprio negócio.
Então ele, como você, quer o melhor pelo menor preço possível. No jogo em que vivemos, esse desejo é compreensível e deve ser respeitado. Já o que é possível ou não no seu preço é você quem define. O que o justifica deve ser seu Valor, pra si mesmo e para o cliente, e também suas próprias necessidades. É natural que ele valorize o dele e você valorize o seu. O nome disso é negociação, não ofensa pessoal.
Assim como o fornecedor, o cliente está em avaliação. Sempre estamos, em qualquer negociação (inclusive nas relações não-comerciais). Encontrar o termo onde a mágica acontece faz parte das competências essenciais de qualquer trabalho.
Então... a menos que você me diga que prefere pagar 3 mil num celular que vale 2, e que vai recusar se te oferecerem por mil... melhor rever isso aí.

Outra: pode ser que o que ele quer não seja o melhor, o ideal, o mais eficaz. Clientes muitas vezes decidem mal, com a melhor das intenções, simplesmente porque não têm obrigação alguma de entender do seu negócio, e sim do próprio.
Mas é o que ele quer, e será feito por você ou por outro. O risco que vem com a escolha é do cliente, desde o momento em que decidiu fazer algo. Se ele vai se arriscar, nada mais justo que seja sob seus próprios termos.
Sua parte, qual é? Não sei, decida-se. A minha tem sido a de oferecer as melhores opções, apresentá-las sob prós-e-contras honestos e respeitar o desejo alheio, que propus a mim mesmo realizar. Sob pagamento, claro. Do contrário, pra fazer exclusivamente a minha vontade eu trabalharia só pra mim, em casa. E é aqui que retomo o título: a satisfação primordial é a de quem pagou pra ser satisfeito. Ponto.

A palavra final é do pagante e isso é ótimo pra todo mundo. É também por uma questão de garantia que um profissional tenha um custo, afinal. Ele também tem medo de pagar e não receber. Tem receio de que você seja um picareta sem palavra, que não vá dar conta, que vá deixá-lo na mão, que vai estourar os prazos, que mais fale do que faça de verdade.
Pode faltar um dinheirinho a mais ali, pode faltar um conteúdo extra acolá, mas o que importa é chegar no termo onde um dá o que o outro quer e a troca valeu a pena, sem traumas. O que mais você quer?
Fulano/a queria ganhar 50 mil por mês, o cliente queria um mega portal com vídeos em 4K e dançarinas de Zumba recitando Goethe ao vivo. Ilusões de grandeza temos todos, mas isso não é motivo para saírem sem nada. Em vez disso, você vai poder pagar seu crediário esse mês e ele vai ter um site funcional.
No mais... em termos bem realistas, é dele o direito de escolher o fornecedor e é seu o de aceitar um cliente.

Claro, se ele fizer uma escolha ruim apesar das opções justificadas que você fornecer e vier imputar a você o resultado do erro... bem... se podemos chamá-lo assim, esse é um cliente que você quer ter? De novo, decisões. Um bom médico faz o exame minucioso, receita o remédio e ministra o tratamento. Sua consulta estará paga de qualquer modo: o cliente tomando o remédio ou preferindo o chá da vó Neusa. Se o câncer voltar depois, não adianta dar chilique na recepção, adianta?
A lógica permanece.
Faz parte encontrar dessas coisas pelo caminho. Como também faz parte aprender, desviar-se e jamais assumir uma conduta que prejudique o bom cliente em nome de alguns ruins. Se você quiser sobreviver, claro. Isso é muito comum, tanto quanto lamentável.

A síndrome do Gênio incompreendido

Sabe... não tem campo de realização pessoal pra preencher na nota fiscal. Você pode ter muito prazer como resultado de uma parceria legal, de um trabalho onde as partes se comprometeram com o resultado. É uma delícia e a boa parceria, aquela duradoura, sempre surge assim. Mas esse prazer é consequência e, principalmente, sorte. Por isso também, o foco profissional é receber o pagamento e, sendo promissora para todos, ter a continuidade da parceria. Afinal, seu banco não aceita pagamento de boleto com abraço e parabéns.
O que vier além disso é lucro. Literal e metaforicamente.

Dito isto...
Realmente não entendo essas estrelas todas. Essas divas que só tatuam o que querem, que só decoram o que acham legal, que só cozinham o que lhes der na telha. É o couro do outro, o quarto do outro, a barriga do outro! Não importa se você é o famosão, algumas inversões tão têm cabimento.
Uma coisa é você ter o seu cardápio, ok - não se faz picanha no restaurante vegan, seu produto é X e o Y é no box ao lado. Outra é você recusar-se a trazer o saleiro ou tirar a cebola porque "tem de" ser assim.
Baixe a bola. A menos que você vá pagar pro outro engolir, essa equação tá errada. Muito errada.
É por isso que eu odeio esses termos da moda, sabe? Essa autoimportância dos títulos vazios. "Profissão Criativo", seja lá o que isso for. O mercado pede que a gente seja 'artístico', não que seja "artista" - se por "artista" você entender aquela pessoa cuja única demanda ao criar for a própria, que fez o que quis e alguém foi lá ver depois. Confessa: é esse o caso?
 Fellini fez Casanova a contragosto, por encomenda; um dos seus filmes mais poderosos. Da Vinci pintou a esposa de um cliente; por acaso tornou-se seu quadro mais famoso. Talvez ele preferisse bem mais seu cavalo de bronze do que pintar baranga, pode apostar. Não importa pra ninguém além dele. E ele certamente achou um meio de fazer o que quis com o dinheiro recebido pelo que "não quis" (e quis, já que aceitou).

Tô falando dos grandes.
E nós? Pois é. Garotear não cabe.

De(s) graça?

- Vai 'dar um boi' pra ganhar o cliente? Faz parte. Com ou sem crise, mimo e desconto todo mundo gosta.
- "É só um desenhinho"?
Se você for um desenhistinha, não perca.
- Vai trabalhar de graça por "divulgação"?
Isso é contigo. Eu mexo meus contatos e anuncio em página dupla, vou no boca-a-boca, enfim, mil maneiras ao meu ver mais dignas.
- Ele "tem um sobrinho que mexe no Corel"?
 Certamente o que ele deseja está nesse nível. Se você se identifica ou "tá precisado", dispute com o sobrinho. Eu digo Parabéns, sucesso. Boa sorte.

A gente encontra de tudo na feira. A questão é que não cabe a você questionar, necessariamente. Cabe aceitar ou recusar. Quais são os seus termos? A que está disposto? Do que precisa?

Aqui entre nós: eu só trabalho "de graça" quando quero. Se terei algo que compense e me satisfaça de algum modo (como ver um amigo próximo deslanchar, por exemplo, ou porque sempre quis fazer um trabalho do tipo). Posso até fazer de presente, depende! Já fiz muito, aliás - e nesse caso o prazer foi a compensação. Mas, sem pagamento formal envolvido, as condições do meu trabalho e do meu tempo são minhas.
Pode ser que alguém se magoe aí. Uma pena que se confunda. Profissão não é favor pessoal, é? Então magoar-se é opcional. Na verdade sabemos que a pessoa provavelmente está apenas frustrada porque seu plano de vantagem não deu certo. Mas dará com outro, não se preocupe com o seu amigão. Já caí em muito papinho furado e não há garantias de que não caia de novo. Ou você.
O ponto é que, pelas regras desse jogo, algum retorno tem de ter. Até porque... seria um puta desrespeito com quem me paga - e paga direito - pra ter o que faço. Não é justo dar pra papo-mole aquilo que gente séria valoriza.
Mas isso sou eu, nesse momento da vida, e não sei do dia de amanhã.
Hoje eu me atrevo a dizer que a relação é profissional ou é pessoal. Tenho grandes clientes amigos e amigos clientes, mas em cada momento há a sua devida atenção. O Amigo e o Cliente podem ser a mesma pessoa, mas não seus contextos. Podemos ou não trabalhar juntos. Podemos ou não tomar uma cerveja. Só com o CPF. O CNPJ não bebe.

Então... só pra lembrar: pondere, negocie e decida. Se topou os termos, mudar de ideia depois é uma baita mancada. Engula e siga em frente. O mesmo vale para o cliente.

O acordado se faz acordado e o respeito mútuo nasce daí.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Assim

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Bye-bye, Humor


Oi.
Posso desabafar?
Não quero iniciar um debate mas também não quero controlar se ele vai surgir ou não. Aqui é (ou era) um espaço de desbocamento e brincadeiras, então tô pedindo perdão por antecipação mas realmente não tenho outro lugar mais conveniente pra isso.
Tô muito chateado com o que vem acontecendo em relação ao humor. Porque trabalho nisso faz tempo (em certo sentido antes mesmo de trabalhar) e porque tinha outras pretensões na área que foram frustradas em 2013, menos pelo esforço em criar uma boa semente do que pela esterilidade do terreno.
Eu não sei o que tá acontecendo, mas em menos de 2 meses foram 6 casos próximos e distantes envolvendo processos por piadas ou algum tipo de cerceamento. Nenhum debate mais profundo, nenhuma avaliação dos motivos para limites e limitações. Apenas o não-pode, o calaboca.
Vejo um jogo de marcação de posições empedernidas, de reações emocionais por palavra-chave, automatismos e muito, muito melindre de todos os lados. Só um lado pode dizer o que acha sem cair num ostracismo automático, compulsório e inflexível, apesar de travestido numa democracia rota. Independentemente da questão do certo e do errado, o que mais me deixa infeliz é essa crudeza, a dureza e a defensiva das reações. A cólera, a empáfia e o melindre socialmente validado que tornarão o meu pedaço de incômodo algo ainda menor que um mimimi. Parece que o diálogo retrocedeu, que bater o pezinho é via de regra e que o tempo que o outro fala nos serve apenas pra ser usado criando uma nova resposta. Não há um ouvir de fato, um parar pra escutar. Entendo que isso foi potencializado - fudidamente potencializado - pelas redes sociais e a natureza virtual. Mas isso não diminui o espanto com o grau.
Há um projeto de lei tramitando que pretende proibir caricaturas não-autorizadas. E sua justificativa é perfeitamente coerente com o discurso vigente sobre ofensas que virou moda nos últimos tempos. O mote é evitar a todo custo uma ofensa, das que precisam ser feitas às que sequer sejam. Uma pretensa paz, como um lençol que encobre ranços profundos, sujeiras que víamos melhor antes da maquiagem de retidão e que, pela presença declarada, nos faziam refletir.

by Tom Cheney
(The New Yorker - 1985's Scripps-Howard Outstanding Cartoonist Award)


Sinto como se tivéssemos pulado do direito a sertir-se ofendido ao privilégio de não ser ofendido. Uma casta irrestrita de intocáveis que pra mim mostra sua fragilidade, sua arrogância, seus complexos mal resolvidos e principalmente sua estupidez em confundir o direito de sentir-se ofendido com o privilégio de não ser ofendido. Cresci aprendendo que paus e pedras são mais perigosos que as palavras e, hoje, sinto que o mais perigoso é - pela suposição de um novo poder das Palavras - abrir a própria boca.
Tudo ofende. Tudo. Política, religião e futebol não se discutem (e portanto não mudam). Também sexualidade, cor, tipo de humor. Nada se discute. E não sei mais para que serve a boca social senão para sorrisos frios. Lembra-me que os macacos não sorriem, apenas mostram os dentes em ameaça.

Eu pretendia fazer vídeos para o Youtube. Em 2012 montei uma estruturinha aqui em casa, pensei nuns esquetes, coisa e tal. Uns poucos sabiam disso e me perguntam porque morreu. Ora...
Também parei com o cartunismo. Parei também com o jornalismo, mas essa fica pra outro dia. Não crio novos cartuns porque não tenho costas quentes e os processos, com ou sem lei, já estão aí. Todos são agora Maomés intocáveis e não serei eu a ter minha cabeça cortada por tão pouco. Porque minha vontade, como a da maioria dos que pretendem fazer rir, era apenas essa. Fazer rir. Tentar, errar, sentir a emoção de fazer rir. Foi algo que me ajudou a lidar com os meus preconceitos, com as minhas limitações e com aquelas que a crueldade infantil impunha (não quero usar o termo americano, porque ele sugere uma novidade em algo que sempre existiu e que, nas doses semimortais que em geral recebíamos, formou gente forte, resistente e capaz de lidar com os excessos). Fazer rir e fazer refletir, levar adiante a tradição do humor e suas (R)evoluções sofisticou aquele meu desejo inicial de apenas divertir quem gosto, ver sua explosão de gargalhadas, seus rostos relaxando. Era assim aos 8 anos, foi assim aos 18 mas não chegará aos 38.
Tô com 36 e bem desanimado. Não com a polícia, não com a política (que nunca me animou), não muito com os advogados nem com as críticas que sempre existem. Tô desanimado porque o público, a parte que sorria, está com medo de rir. Porque uma voz onipresente, mais pelos auto-falantes que por volume, disse-lhes "que feio!" sem demonstrar (ou perguntar) porque é errado. Se ao menos fizesse refletir faltaria apenas a parte do sorrir, mas nem isso. É uma queda de braço sem intenção de convencer, só vencer. A opressão pelo 'oprimido' só demonstra que a truculência continua no tabuleiro, e todo dia uma nova Israel aparece para, em nome de um nazismo, bombardear um palestino. Esse jogo, espero que saibam, termina em bomba.

OK. Não endosso os crimes cometidos em nome de um pretenso 'humor', desqualificante e depreciador da pessoa (e não dos clichês que a isolam dos demais). Mas a forma como reagiram abriu o precedente que faltava para proibir a profissão de bobo, mais do que cortar esta ou aquela cabeça. Não vê quem não quer (ou é bobo demais pra entender não só isso como também piadas). E a maldição da bruxa na fogueira é sempre a mesma: isso vai se virar contra o autor. É o que a redime consigo mesma enquanto cozinha (e, veja só, sempre houve quem risse de execuções públicas).
Pois bem. Eu também não quero mais brincar. Não riscaram meus CDs, não queimaram minha alcatra nem apagaram a luz. Isso eles querem que nós mesmos façamos, para a vitória da soberba ser completa e servir de exemplo aos demais condôminos (que, não bastasse, parecem aprovar). Como um vizinho poderoso bastou apenas um telefonema pro síndico acabar com a nossa festa, que estava no horário e com os decibéis no limite. Sim, eu reconheço os excessos e já recolhi as latinhas que joguei na piscina. Concordei com a expulsão daquele convidado bêbado.
Mas precisava proibir os churrascos?

Espero que encontrem um bom uso pra área de lazer. Talvez uma sala de terapia para complexos, uma sala de aula de etiqueta ou qualquer outro bloco sisudo que algum dos 180 milhões de moradores desse condomínio, cada um com o seu próprio critério 'racional' para gostos subjetivos, queira e possa bancar com seus lobbies. Talvez façam uma sala de espelhos, daqueles de parque, porque de espelhos reais ninguém gosta. Até entendo: a fachada dessa vida virtual faz com que muitos optem pelo caminho curto de fazer o mesmo na vida real. Quem sabe talvez a fachada de tolerância não acabe incentivando uma mais concreta? Tomara, porque funcionando ou não esse caminho não tem mais volta.
Já não é mais possível brincar com a devida leveza. Não é possível fazer publicidade, humor, notícias, textos e opiniões sem tocar em alguma suscetibilidade (QUALQUER suscetibilidade, válida ou não), justificada apenas por sê-la.
Notícias do front: todos os que criam estão com algum medo. E já há entre nós quem, como eu, se autocensure onde antes bastaria ponderação e responsabilidade pelos seus atos.
Não chamarei de patrulha uma turba de linchamento, porque patrulhas envolvem um objetivo comum organizado (se bem que... bem... há uma organização, apenas não sabem os linchadores que fazem o trabalho sujo pensando ser escolha). Só digo que eu preferia quando rir de mim mesmo e dos outros, sem nada sagrado demais que não pudesse ser questionado, nos igualava no mesmo patamar. Preferia quando notávamos, juntos, que tirar o sarro um do outro nos tornava iguais, desconstruía o que achávamos sério e nos fazia por alguns instantes mágicos membros de uma mesma confraria, onde nenhuma dessas supostas diferenças tinha a menor importância. Pretendia que a coisa evoluísse para um novo patamar, onde brancos fossem alvos (não vítimas, alvos) tão prolíficos quanto negros, onde magros, lindos, altos, ricos e Deuses fossem expostos ao olhar de criança que tudo vê. Preferia mesmo quando tudo terminava numa risada cúmplice. Era isso o que eu sempre quis, foi pra isso que dediquei metade da minha vida, tendo ou não fama e dinheiro por isso, demonstrando ou não algum talento. Um haha e eu ganhava o dia. Dediquei porque prefiro os sorrisos, a alegria, o espasmo do descontrole daqueles segundos mágicos onde somos patéticos, ridículos e... sobrevivemos, mais leves e melhores, apesar de tudo o que pensamos ser.
Mas o que acho ou prefiro não importa porque isso não é um diálogo. É uma ordem.
Farei de conta que ainda estou lutando no palco, mas o fato é que desceram as cortinas.

Obrigado pra quem leu.


OBS: Houve quem me dissesse pra fazer humor pastelão. Estão doidos? Brincar com comida num mundo com 1 bilhão de famintos é um desperdício e uma afronta, coisa e tal...

P.S.: Deixa eu poupar o trabalho das senhoras e senhores de bem: Estou errado, peço desculpas pelo desabafo e pelas opiniões criminosas que possuo, como podem intuir com 100% de certeza através do perfil psicológico que traçaram pelo texto.
É um mimimi vazio, exagerado e vitimista da minha parte que nunca mais se repetirá. Perdão por existir e, se alguém espirrar, saúde.P.P.S.: (Perdão, não tenho nada contra contra os gripados, nem contra contra os imunologicamente desfavorecidos nem contra o vírus. Eu nem tomo Cebion pra não ofendê-lo).


OBS2: (Nada contra o Cebion também, seja o de 500mg, 1g ou 2g, efervescente ou líquido).

OBS3: (nem contra o Redoxon e demais concorrentes, os quais não foram citados por acidente e  não preconceito. Idem aos chás, rezas, macumbas e demais tratamentos, todos dignos de respeito. Perdão pela omissão na cota).

domingo, 21 de abril de 2013

A Verdadeira História por Trás da Moderação do Facebook e suas Denúncias Mesquinhas

Texto interessante sobre a moderação do Facebook e, mais do que isso, sobre o nosso papel no mimimi diário da rede.
Traduzido por Bianca Silva, o texto pode ajudar a refletir sobre as circunstâncias que antecedem o 'compartilhar' nas redes sociais e a maturidade de nossas reações ao que nos 'ofende'.

Lembrando que
você tem o direito de sentir-se ofendido. O que não tem é o direito de não ser ofendido, por antecipação. Não há intocáveis no mundo e nossas noções narcisistas pouco importam pro Universo. Lidemos com isso.


"
Imagine ir trabalhar todos os dias e no começo de seu dia, com sua primeira xícara de café, sentar-se para ver decapitações, crianças prestes a serem estupradas, corpos humanos em vários estágios de decomposição, os resultados vivos e mortos da violência doméstica, corpos de meninos de 10 anos enforcados acusados de serem gays, filmagens de assassinatos reais e rinhas sangrentas de cachorros e seus resultados subsequentes. Você consegue imaginar o horror humano? Eu provavelmente já o vi, ou uma foto, ou um vídeo de algo muito parecido. Posso dizer que algumas das pessoas que trabalham ao meu redor não passam muito bem. Frequentemente elas acabam sofrendo com uma enxurrada infinita de horror que testemunham de 8 a 12 horas por dia. Eu disse que “a maioria” dessas pessoas ganha por volta de um dólar para realizar esse trabalho? É verdade. Mas eu não. Eu sou um americano que exige seus direitos e tal, então, ganho aproximadamente $29 por hora a mais que elas. Tecnicamente, eu não preciso fazer nada além de garantir que estejam clicando nos botões na ordem correta. Não preciso olhar as imagens, mas a maior parte do tempo meu foco em manter-me livre de vieses em face disso me leva a fazê-lo assim mesmo.

Não é só Sangue e Entranhas, às Vezes é Pior

Nem todas as informações a que os moderadores do Facebook são expostos são tão terríveis quanto os resultados acima mostram, algumas são piores. O terror nessas é que são os chamados daqueles de quem os horrores privados, abuso ou assassinato estão em andamento. Verdadeiros gritos de socorro chegam de usuários do Facebook todos os dias, o dia inteiro. Os moderadores da rede social passam boa parte de cada dia de trabalho encaminhando “atos em andamento” às autoridades dos locais onde se encontram essas contas. Quando essas contas são legítimas (não contas-fantasma ou proxies) as denúncias podem e de fato salvam as vidas das pessoas. Essa provavelmente é a razão número um por que muitos traumatizados com os horrores visuais ainda seguem em frente.

Mas você ainda está chateado com quem possa tê-lo banido uma vez? Tente entender que a maioria dos banimentos é feita por um algoritmo automático, e apenas um pequeno percentual passa pelas mãos de uma pessoa. Por quê? Enquanto o Facebook declara ter 1,5 bilhões de usuários este ano, o dado impressionante é que ele possui 1,2 bilhões de usuários ativos que acessam sua conta quase que diariamente. Cada uma dessas pessoas tem um nível diferente do que as ofende.

Considerando tudo isso, eu gostaria de dizer a você o que me ofende. Me ofende que quase 80% das denúncias manuais que tenho que ler são de pessoas que se sentem ofendidas com alguma coisa. Uma lista recente de ofensas inclui (traduzida a partir das pobres desculpas pela gramática e ortografia com as quais a maioria vem):

- “Eu não acredito nessa moeda. Vai contra o que eu acredito.”

- “Esse peixe não parece um peixe, parece as partes íntimas de um homem, e eu tenho crianças pequenas por perto durante o dia.”

- “Eu vi isso no meu feed e não o aprovo, por favor, remova-o.”

- Essa página compartilhou minha foto sem crédito ou permissão.”

- “Você pode remover esta foto? Eu não gosto dela.”

- “Isso não é verdade, meu Deus jamais deixaria isso acontecer.”

Agora, você me perdoando ou não, eu posso garantir que isso é verdade. Face aos verdadeiros problemas que chegam a uma taxa de 250 mil por hora, eu cago e ando se moedas o ofendem ou se você não consegue sair do Facebook enquanto está tomando conta dos filhos do vizinho. O que me importa, que realmente me ofende mesmo, é o fato de que após cinco horas lendo seus mimimis descobri a garotinha de sete anos, muito assustada para contar a uma autoridade, que descobriu como denunciar uma foto dela que seu tio postou, foto que era gritantemente, claramente sexual, e pediu ajuda. “Ele disse que chegará às 2h. Você pode me ajudar, por favor? Eu não sei o que fazer.”

Se você acha que seus maiores problemas no Facebook são fotos ou status que o ofendem, não tem ideia de quantas vezes eu tenho vontade de excluir sua conta.

Graças às suas sensíveis suscetibilidades, eu não li a denúncia dela até que já fossem 5h. Quatro horas atrás eu poderia ter impedido um de seus estupros. Daqui a quatro horas eu provavelmente estarei chorando até pegar no sono porque não o fiz. Graças, novamente, às pessoas que deveriam ficar longe da internet. Por que a denúncia dela não chegou mais rápido? Porque ela tem sete anos, ela denunciou a foto como uma ofensa menor, que, se denunciada apropriadamente, teria furado a fila de denúncias, passando na frente de seus mimimis de injustiça visual. Aquelas coisas feias que estão no topo da fila toda manhã.

Supere seu narcisismo. Seus motivos desprezíveis por trás dessas denúncias de merdas não só são ofensivos como danosos em muitos casos. Quando eu era criança, nós não tínhamos uma maneira de nos comunicar instantaneamente com pessoas do mundo inteiro. Não tínhamos um amigo do outro lado do mundo que se importasse o suficiente para chamar a polícia por nós quando estivéssemos em perigo. Ainda assim, muitos de vocês se dedicam a deformar as potencialidades de uma rede social com um chororô tal que nem mais de 100 mil pessoas trabalhando de oito a doze horas por dia conseguem dar conta. A tecnologia deu a vocês um palco aberto diante do mundo, e alguns o têm usado como um pombo cagando num tabuleiro de xadrez. Vocês deveriam se envergonhar, mas, como um de seus moderadores, vejo claramente que não se envergonham.

Antes de terminar, eu quero compartilhar algumas das perguntas mais frequentes:

“Alguém pode ler minhas mensagens privadas?” Sim. “Mesmo aquelas fotos que eu...?” Sim.

Contudo, ninguém fica fuçando as mensagens privadas de sua conta. As únicas vezes em que elas são observadas por qualquer razão é quando o ID de uma conta aparece repetidamente em denúncias que falam de assédio ou outras questões que exigiriam um maior aprofundamento para se chegar à verdade antes de banir ou chamar a polícia. É uma exigência a que vocês deveriam ser gratos, acredite. Se não o fizéssemos, metade de vocês estaria na prisão agora.

“Por que o Facebook nunca respondeu à minha denúncia ou pedido de banimento?”

Eu vou ser curto e grosso aqui. Sistema sobrecarregado, o algoritmo automático ignorou você. OU, cagaram e andaram para sua questão se ela passou pelas mãos de alguém.

“O Facebook pelo menos vê os apelos ou e-mails enviados sobre minha página ou questões pessoais?”

Curto e grosso de novo: não. O Facebook mantém, e às vezes descarta, apenas um endereço de e-mail que acaba indo parar na lista de tarefas de alguém. O resto é recebe respostas automáticas sobre como eles poderiam ajudar, ou não. Eles não vão ajudar.

“Você verá quando eu denunciar esta postagem?”

Sim, mas vá em frente, você só vai aumentar o problema. Eu terei que remover esta denúncia também, porque não hesitei em xingar, mas...foda-se.

Eu queria poder responder mais perguntas, mas não vou desistir das oportunidades que tenho de ser justo ante as inacreditáveis razões por que alguns donos de boas páginas são banidos ou têm suas páginas removidas injustamente. Isso acontece muito, e provavelmente vai piorar antes que melhore. Provavelmente ajudaria se alguns de vocês voltassem a chorar para suas mães ao invés de fazê-lo para o sistema de moderação do Facebook."

Não sei se o autor é realmente moderador do Facebook, mas independentemente disso o caráter reflexivo do texto é importante.

Texto original: http://theinternetoffendsme.wordpress.com/2013/04/09/the-real-story-behind-facebook-moderation-and-your-petty-reports/

Página no Facebook: http://www.facebook.com/TheInternetOffendsMe