domingo, 1 de novembro de 2015

Assim

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Bye-bye, Humor


Oi.
Posso desabafar?
Não quero iniciar um debate mas também não quero controlar se ele vai surgir ou não. Aqui é (ou era) um espaço de desbocamento e brincadeiras, então tô pedindo perdão por antecipação mas realmente não tenho outro lugar mais conveniente pra isso.
Tô muito chateado com o que vem acontecendo em relação ao humor. Porque trabalho nisso faz tempo (em certo sentido antes mesmo de trabalhar) e porque tinha outras pretensões na área que foram frustradas em 2013, menos pelo esforço em criar uma boa semente do que pela esterilidade do terreno.
Eu não sei o que tá acontecendo, mas em menos de 2 meses foram 6 casos próximos e distantes envolvendo processos por piadas ou algum tipo de cerceamento. Nenhum debate mais profundo, nenhuma avaliação dos motivos para limites e limitações. Apenas o não-pode, o calaboca.
Vejo um jogo de marcação de posições empedernidas, de reações emocionais por palavra-chave, automatismos e muito, muito melindre de todos os lados. Só um lado pode dizer o que acha sem cair num ostracismo automático, compulsório e inflexível, apesar de travestido numa democracia rota. Independentemente da questão do certo e do errado, o que mais me deixa infeliz é essa crudeza, a dureza e a defensiva das reações. A cólera, a empáfia e o melindre socialmente validado que tornarão o meu pedaço de incômodo algo ainda menor que um mimimi. Parece que o diálogo retrocedeu, que bater o pezinho é via de regra e que o tempo que o outro fala nos serve apenas pra ser usado criando uma nova resposta. Não há um ouvir de fato, um parar pra escutar. Entendo que isso foi potencializado - fudidamente potencializado - pelas redes sociais e a natureza virtual. Mas isso não diminui o espanto com o grau.
Há um projeto de lei tramitando que pretende proibir caricaturas não-autorizadas. E sua justificativa é perfeitamente coerente com o discurso vigente sobre ofensas que virou moda nos últimos tempos. O mote é evitar a todo custo uma ofensa, das que precisam ser feitas às que sequer sejam. Uma pretensa paz, como um lençol que encobre ranços profundos, sujeiras que víamos melhor antes da maquiagem de retidão e que, pela presença declarada, nos faziam refletir.

by Tom Cheney
(The New Yorker - 1985's Scripps-Howard Outstanding Cartoonist Award)


Sinto como se tivéssemos pulado do direito a sertir-se ofendido ao privilégio de não ser ofendido. Uma casta irrestrita de intocáveis que pra mim mostra sua fragilidade, sua arrogância, seus complexos mal resolvidos e principalmente sua estupidez em confundir o direito de sentir-se ofendido com o privilégio de não ser ofendido. Cresci aprendendo que paus e pedras são mais perigosos que as palavras e, hoje, sinto que o mais perigoso é - pela suposição de um novo poder das Palavras - abrir a própria boca.
Tudo ofende. Tudo. Política, religião e futebol não se discutem (e portanto não mudam). Também sexualidade, cor, tipo de humor. Nada se discute. E não sei mais para que serve a boca social senão para sorrisos frios. Lembra-me que os macacos não sorriem, apenas mostram os dentes em ameaça.

Eu pretendia fazer vídeos para o Youtube. Em 2012 montei uma estruturinha aqui em casa, pensei nuns esquetes, coisa e tal. Uns poucos sabiam disso e me perguntam porque morreu. Ora...
Também parei com o cartunismo. Parei também com o jornalismo, mas essa fica pra outro dia. Não crio novos cartuns porque não tenho costas quentes e os processos, com ou sem lei, já estão aí. Todos são agora Maomés intocáveis e não serei eu a ter minha cabeça cortada por tão pouco. Porque minha vontade, como a da maioria dos que pretendem fazer rir, era apenas essa. Fazer rir. Tentar, errar, sentir a emoção de fazer rir. Foi algo que me ajudou a lidar com os meus preconceitos, com as minhas limitações e com aquelas que a crueldade infantil impunha (não quero usar o termo americano, porque ele sugere uma novidade em algo que sempre existiu e que, nas doses semimortais que em geral recebíamos, formou gente forte, resistente e capaz de lidar com os excessos). Fazer rir e fazer refletir, levar adiante a tradição do humor e suas (R)evoluções sofisticou aquele meu desejo inicial de apenas divertir quem gosto, ver sua explosão de gargalhadas, seus rostos relaxando. Era assim aos 8 anos, foi assim aos 18 mas não chegará aos 38.
Tô com 36 e bem desanimado. Não com a polícia, não com a política (que nunca me animou), não muito com os advogados nem com as críticas que sempre existem. Tô desanimado porque o público, a parte que sorria, está com medo de rir. Porque uma voz onipresente, mais pelos auto-falantes que por volume, disse-lhes "que feio!" sem demonstrar (ou perguntar) porque é errado. Se ao menos fizesse refletir faltaria apenas a parte do sorrir, mas nem isso. É uma queda de braço sem intenção de convencer, só vencer. A opressão pelo 'oprimido' só demonstra que a truculência continua no tabuleiro, e todo dia uma nova Israel aparece para, em nome de um nazismo, bombardear um palestino. Esse jogo, espero que saibam, termina em bomba.

OK. Não endosso os crimes cometidos em nome de um pretenso 'humor', desqualificante e depreciador da pessoa (e não dos clichês que a isolam dos demais). Mas a forma como reagiram abriu o precedente que faltava para proibir a profissão de bobo, mais do que cortar esta ou aquela cabeça. Não vê quem não quer (ou é bobo demais pra entender não só isso como também piadas). E a maldição da bruxa na fogueira é sempre a mesma: isso vai se virar contra o autor. É o que a redime consigo mesma enquanto cozinha (e, veja só, sempre houve quem risse de execuções públicas).
Pois bem. Eu também não quero mais brincar. Não riscaram meus CDs, não queimaram minha alcatra nem apagaram a luz. Isso eles querem que nós mesmos façamos, para a vitória da soberba ser completa e servir de exemplo aos demais condôminos (que, não bastasse, parecem aprovar). Como um vizinho poderoso bastou apenas um telefonema pro síndico acabar com a nossa festa, que estava no horário e com os decibéis no limite. Sim, eu reconheço os excessos e já recolhi as latinhas que joguei na piscina. Concordei com a expulsão daquele convidado bêbado.
Mas precisava proibir os churrascos?

Espero que encontrem um bom uso pra área de lazer. Talvez uma sala de terapia para complexos, uma sala de aula de etiqueta ou qualquer outro bloco sisudo que algum dos 180 milhões de moradores desse condomínio, cada um com o seu próprio critério 'racional' para gostos subjetivos, queira e possa bancar com seus lobbies. Talvez façam uma sala de espelhos, daqueles de parque, porque de espelhos reais ninguém gosta. Até entendo: a fachada dessa vida virtual faz com que muitos optem pelo caminho curto de fazer o mesmo na vida real. Quem sabe talvez a fachada de tolerância não acabe incentivando uma mais concreta? Tomara, porque funcionando ou não esse caminho não tem mais volta.
Já não é mais possível brincar com a devida leveza. Não é possível fazer publicidade, humor, notícias, textos e opiniões sem tocar em alguma suscetibilidade (QUALQUER suscetibilidade, válida ou não), justificada apenas por sê-la.
Notícias do front: todos os que criam estão com algum medo. E já há entre nós quem, como eu, se autocensure onde antes bastaria ponderação e responsabilidade pelos seus atos.
Não chamarei de patrulha uma turba de linchamento, porque patrulhas envolvem um objetivo comum organizado (se bem que... bem... há uma organização, apenas não sabem os linchadores que fazem o trabalho sujo pensando ser escolha). Só digo que eu preferia quando rir de mim mesmo e dos outros, sem nada sagrado demais que não pudesse ser questionado, nos igualava no mesmo patamar. Preferia quando notávamos, juntos, que tirar o sarro um do outro nos tornava iguais, desconstruía o que achávamos sério e nos fazia por alguns instantes mágicos membros de uma mesma confraria, onde nenhuma dessas supostas diferenças tinha a menor importância. Pretendia que a coisa evoluísse para um novo patamar, onde brancos fossem alvos (não vítimas, alvos) tão prolíficos quanto negros, onde magros, lindos, altos, ricos e Deuses fossem expostos ao olhar de criança que tudo vê. Preferia mesmo quando tudo terminava numa risada cúmplice. Era isso o que eu sempre quis, foi pra isso que dediquei metade da minha vida, tendo ou não fama e dinheiro por isso, demonstrando ou não algum talento. Um haha e eu ganhava o dia. Dediquei porque prefiro os sorrisos, a alegria, o espasmo do descontrole daqueles segundos mágicos onde somos patéticos, ridículos e... sobrevivemos, mais leves e melhores, apesar de tudo o que pensamos ser.
Mas o que acho ou prefiro não importa porque isso não é um diálogo. É uma ordem.
Farei de conta que ainda estou lutando no palco, mas o fato é que desceram as cortinas.

Obrigado pra quem leu.


OBS: Houve quem me dissesse pra fazer humor pastelão. Estão doidos? Brincar com comida num mundo com 1 bilhão de famintos é um desperdício e uma afronta, coisa e tal...

P.S.: Deixa eu poupar o trabalho das senhoras e senhores de bem: Estou errado, peço desculpas pelo desabafo e pelas opiniões criminosas que possuo, como podem intuir com 100% de certeza através do perfil psicológico que traçaram pelo texto.
É um mimimi vazio, exagerado e vitimista da minha parte que nunca mais se repetirá. Perdão por existir e, se alguém espirrar, saúde.P.P.S.: (Perdão, não tenho nada contra contra os gripados, nem contra contra os imunologicamente desfavorecidos nem contra o vírus. Eu nem tomo Cebion pra não ofendê-lo).


OBS2: (Nada contra o Cebion também, seja o de 500mg, 1g ou 2g, efervescente ou líquido).

OBS3: (nem contra o Redoxon e demais concorrentes, os quais não foram citados por acidente e  não preconceito. Idem aos chás, rezas, macumbas e demais tratamentos, todos dignos de respeito. Perdão pela omissão na cota).

domingo, 21 de abril de 2013

A Verdadeira História por Trás da Moderação do Facebook e suas Denúncias Mesquinhas

Texto interessante sobre a moderação do Facebook e, mais do que isso, sobre o nosso papel no mimimi diário da rede.
Traduzido por Bianca Silva, o texto pode ajudar a refletir sobre as circunstâncias que antecedem o 'compartilhar' nas redes sociais e a maturidade de nossas reações ao que nos 'ofende'.

Lembrando que
você tem o direito de sentir-se ofendido. O que não tem é o direito de não ser ofendido, por antecipação. Não há intocáveis no mundo e nossas noções narcisistas pouco importam pro Universo. Lidemos com isso.


"
Imagine ir trabalhar todos os dias e no começo de seu dia, com sua primeira xícara de café, sentar-se para ver decapitações, crianças prestes a serem estupradas, corpos humanos em vários estágios de decomposição, os resultados vivos e mortos da violência doméstica, corpos de meninos de 10 anos enforcados acusados de serem gays, filmagens de assassinatos reais e rinhas sangrentas de cachorros e seus resultados subsequentes. Você consegue imaginar o horror humano? Eu provavelmente já o vi, ou uma foto, ou um vídeo de algo muito parecido. Posso dizer que algumas das pessoas que trabalham ao meu redor não passam muito bem. Frequentemente elas acabam sofrendo com uma enxurrada infinita de horror que testemunham de 8 a 12 horas por dia. Eu disse que “a maioria” dessas pessoas ganha por volta de um dólar para realizar esse trabalho? É verdade. Mas eu não. Eu sou um americano que exige seus direitos e tal, então, ganho aproximadamente $29 por hora a mais que elas. Tecnicamente, eu não preciso fazer nada além de garantir que estejam clicando nos botões na ordem correta. Não preciso olhar as imagens, mas a maior parte do tempo meu foco em manter-me livre de vieses em face disso me leva a fazê-lo assim mesmo.

Não é só Sangue e Entranhas, às Vezes é Pior

Nem todas as informações a que os moderadores do Facebook são expostos são tão terríveis quanto os resultados acima mostram, algumas são piores. O terror nessas é que são os chamados daqueles de quem os horrores privados, abuso ou assassinato estão em andamento. Verdadeiros gritos de socorro chegam de usuários do Facebook todos os dias, o dia inteiro. Os moderadores da rede social passam boa parte de cada dia de trabalho encaminhando “atos em andamento” às autoridades dos locais onde se encontram essas contas. Quando essas contas são legítimas (não contas-fantasma ou proxies) as denúncias podem e de fato salvam as vidas das pessoas. Essa provavelmente é a razão número um por que muitos traumatizados com os horrores visuais ainda seguem em frente.

Mas você ainda está chateado com quem possa tê-lo banido uma vez? Tente entender que a maioria dos banimentos é feita por um algoritmo automático, e apenas um pequeno percentual passa pelas mãos de uma pessoa. Por quê? Enquanto o Facebook declara ter 1,5 bilhões de usuários este ano, o dado impressionante é que ele possui 1,2 bilhões de usuários ativos que acessam sua conta quase que diariamente. Cada uma dessas pessoas tem um nível diferente do que as ofende.

Considerando tudo isso, eu gostaria de dizer a você o que me ofende. Me ofende que quase 80% das denúncias manuais que tenho que ler são de pessoas que se sentem ofendidas com alguma coisa. Uma lista recente de ofensas inclui (traduzida a partir das pobres desculpas pela gramática e ortografia com as quais a maioria vem):

- “Eu não acredito nessa moeda. Vai contra o que eu acredito.”

- “Esse peixe não parece um peixe, parece as partes íntimas de um homem, e eu tenho crianças pequenas por perto durante o dia.”

- “Eu vi isso no meu feed e não o aprovo, por favor, remova-o.”

- Essa página compartilhou minha foto sem crédito ou permissão.”

- “Você pode remover esta foto? Eu não gosto dela.”

- “Isso não é verdade, meu Deus jamais deixaria isso acontecer.”

Agora, você me perdoando ou não, eu posso garantir que isso é verdade. Face aos verdadeiros problemas que chegam a uma taxa de 250 mil por hora, eu cago e ando se moedas o ofendem ou se você não consegue sair do Facebook enquanto está tomando conta dos filhos do vizinho. O que me importa, que realmente me ofende mesmo, é o fato de que após cinco horas lendo seus mimimis descobri a garotinha de sete anos, muito assustada para contar a uma autoridade, que descobriu como denunciar uma foto dela que seu tio postou, foto que era gritantemente, claramente sexual, e pediu ajuda. “Ele disse que chegará às 2h. Você pode me ajudar, por favor? Eu não sei o que fazer.”

Se você acha que seus maiores problemas no Facebook são fotos ou status que o ofendem, não tem ideia de quantas vezes eu tenho vontade de excluir sua conta.

Graças às suas sensíveis suscetibilidades, eu não li a denúncia dela até que já fossem 5h. Quatro horas atrás eu poderia ter impedido um de seus estupros. Daqui a quatro horas eu provavelmente estarei chorando até pegar no sono porque não o fiz. Graças, novamente, às pessoas que deveriam ficar longe da internet. Por que a denúncia dela não chegou mais rápido? Porque ela tem sete anos, ela denunciou a foto como uma ofensa menor, que, se denunciada apropriadamente, teria furado a fila de denúncias, passando na frente de seus mimimis de injustiça visual. Aquelas coisas feias que estão no topo da fila toda manhã.

Supere seu narcisismo. Seus motivos desprezíveis por trás dessas denúncias de merdas não só são ofensivos como danosos em muitos casos. Quando eu era criança, nós não tínhamos uma maneira de nos comunicar instantaneamente com pessoas do mundo inteiro. Não tínhamos um amigo do outro lado do mundo que se importasse o suficiente para chamar a polícia por nós quando estivéssemos em perigo. Ainda assim, muitos de vocês se dedicam a deformar as potencialidades de uma rede social com um chororô tal que nem mais de 100 mil pessoas trabalhando de oito a doze horas por dia conseguem dar conta. A tecnologia deu a vocês um palco aberto diante do mundo, e alguns o têm usado como um pombo cagando num tabuleiro de xadrez. Vocês deveriam se envergonhar, mas, como um de seus moderadores, vejo claramente que não se envergonham.

Antes de terminar, eu quero compartilhar algumas das perguntas mais frequentes:

“Alguém pode ler minhas mensagens privadas?” Sim. “Mesmo aquelas fotos que eu...?” Sim.

Contudo, ninguém fica fuçando as mensagens privadas de sua conta. As únicas vezes em que elas são observadas por qualquer razão é quando o ID de uma conta aparece repetidamente em denúncias que falam de assédio ou outras questões que exigiriam um maior aprofundamento para se chegar à verdade antes de banir ou chamar a polícia. É uma exigência a que vocês deveriam ser gratos, acredite. Se não o fizéssemos, metade de vocês estaria na prisão agora.

“Por que o Facebook nunca respondeu à minha denúncia ou pedido de banimento?”

Eu vou ser curto e grosso aqui. Sistema sobrecarregado, o algoritmo automático ignorou você. OU, cagaram e andaram para sua questão se ela passou pelas mãos de alguém.

“O Facebook pelo menos vê os apelos ou e-mails enviados sobre minha página ou questões pessoais?”

Curto e grosso de novo: não. O Facebook mantém, e às vezes descarta, apenas um endereço de e-mail que acaba indo parar na lista de tarefas de alguém. O resto é recebe respostas automáticas sobre como eles poderiam ajudar, ou não. Eles não vão ajudar.

“Você verá quando eu denunciar esta postagem?”

Sim, mas vá em frente, você só vai aumentar o problema. Eu terei que remover esta denúncia também, porque não hesitei em xingar, mas...foda-se.

Eu queria poder responder mais perguntas, mas não vou desistir das oportunidades que tenho de ser justo ante as inacreditáveis razões por que alguns donos de boas páginas são banidos ou têm suas páginas removidas injustamente. Isso acontece muito, e provavelmente vai piorar antes que melhore. Provavelmente ajudaria se alguns de vocês voltassem a chorar para suas mães ao invés de fazê-lo para o sistema de moderação do Facebook."

Não sei se o autor é realmente moderador do Facebook, mas independentemente disso o caráter reflexivo do texto é importante.

Texto original: http://theinternetoffendsme.wordpress.com/2013/04/09/the-real-story-behind-facebook-moderation-and-your-petty-reports/

Página no Facebook: http://www.facebook.com/TheInternetOffendsMe

domingo, 6 de janeiro de 2013

• A coragem e bravura do esportista radical nº2

Olá, minha multidão de leitores! Feliz 2013!


Circuito Radical de Tirolesas: Exorcizando 2012 em pleno ar

Como da outra vez, minha super equipe de atletas e eu fomos conferir outra tirolesa nacional, dessa vez no Parque dos Sonhos, na divisa entre Socorro (SP) e Bueno Brandão (MG). Aliás, divisa mesmo! Em uma das tirolesas foi possível cruzar os Estados (e fazer aquelas piadinhas infames do tipo "de Minas até São Paulo em menos de um minuto").

Foi tudo muito bem, obrigado. O dia estava ótimo, com sol, todo mundo numa boa e o principal: dessa vez não fiquei preso no cabo.
O parque tem uma estrutura muito legal e os preços estão dentro do que se espera para um serviço de qualidade. Vamos aos destaques?
Dá uma olhada no vídeo!



É alto. MUITO alto.
Tirolesa do Pânico: É a principal ali no vídeo e a vedete do parque. Tem aproximadamente 1.000 metros de comprimento contínuos (eu poderia dizer 1km, mas segundo o Eike um monte de zerinhos deixa tudo mais imponente!) e mais ou menos 140 metros de altura.
Um show! Encanta mais do que provoca a adrenalina - apesar da grande altura - pois tanto no topo do morro de pedra quanto sob os cabos você tem um visual digno de cartão postal.
Depois do friozinho na barriga durante a saída, o fluxo é suave e não é dos mais velozes (o que nesse caso é ótimo porque, uma vez lá em cima, você não quer que o passeio acabe rápido). Dois cabos de aço que suportam aproximadamente 3 toneladas e equipamentos em ordem, limpos e sem desgastes aparentes nem desfiados asseguram a paz pra diversão.
Atenção: por medidas de segurança o peso máximo do usuário deve ser 120kg (ufa!). Confira sempre se a prestadora de serviços tem os certificados de turismo de aventura e esportes radicais.

Tirolesa do Espanto: Com 400 metros de comprimento, está algo em torno de 35 metros acima da Cachoeira dos Sonhos e cruza os dois Estados. Seu diferencial além de passar entre as copas das árvores é a velocidade: entre 55 e 60Km/H, dependendo do seu peso (sim, fui rapidinho).
Está entre as mais rápidas do parque e garante a excitação.

Tirolesa do Calafrio: apesar do nome é bem tranquila. Não que seja água-com-açúcar: sua graça é ofuscada pelo impacto das duas anteriores. Tem aprox. 200 metros de comprimento e 25 de altura, sendo usada como retorno do circuito.

O "off-road" - um tipo de towner com banco do Playcenter
O chamado circuito radical, aliás, é de longe o melhor custo/benefício do parque (perdendo talvez para o day-use, que nessa época saía em torno de R$150). Por R$50 você usa três das melhores tirolesas do local. Considere mais R$5 por cabeça para o "off-road" - um caminhãozinho que assusta mais do que as próprias atrações durante o transporte até o topo do morro, que encarado a pé não levaria menos que 40 minutos e muito, muito suor.

Pelos mesmos 50 Reais você pode fazer a Tirolesa Voadora, a mesma de 1km, só que deitado de bruços a la superman. O parque tem ainda um bar/restaurante legal (alegrai-vos, gorduchinhos: as porções são bem servidas) e a entrada no complexo custou R$12 nessa data (sendo 10 da entrada mais 2 do seguro). Conta ainda com chalés e estrutura de hospedagem, que não avaliamos porque preferimos encarar, meio sem saber, a distância de mais ou menos 15 km entre o centro de Socorro e o lugar (boa parte estrada de terra, que em dia de chuva deve dar bem mais medo que todo o resto!).
A estrada do parque margeia o Rio do Peixe, a mesma da Gruta dos Anjos. Certifique-se que haja sol, que a suspensão do carro esteja em dia, leve a cueca sobressalente e corra (ou voe) pro abraço.

Sim. Aquele pontinho preto ali no meio é alguém descendo a tirolesa...


Palavra final: Recomendado. Pretendemos retornar! :)

Emoção: *** (três p#taquiparius)
Cagaço: ** (duas ceroulinhas borradas)
Diversão: **** (quatro joínhas)