segunda-feira, 31 de março de 2008

• O bom da enfermidade é o mimo

Tenho recebido milhares de meia-dúzia de votos de melhoras e rápida recuperação, pelos quais agradeço sensibilizado, encantado, quiçá emocionado. Reproduzo aqui alguns desses votos, devidamente acompanhados das mais recalcinofolejantes recomendações alternativas*:

"Ô tesão di hómi! Tome um chazinho de alho com limão! É ótimo e não tem gosto ruim!"
R: Agradeço pelo carinho e digo mais: Mais.
Adorei o tratamento, fiz o recomendado e já estou muito melhor!
P.S.: Tomei a liberdade de acrescentar picanha à mistura e realmente não ficou ruim!

"Denuxito sabor bacon, tem um remedinho fitoterápico, tiro e queda, meu otorrino que me ensinou, muito bom pra pulmão: tome Kaloba"
R: Grato pela boa intenção, mas declino por rigor científico. Se tomar kaloba fosse bom pro pulmão, Rômulo e Remo não ficariam gripados.


"Rômbulo e Êmbulo tomano ka loba"

Lisonjeado, peço para que não se preocupem: embora incapaz de respirar dignamente, o fato de fazer piadinhas idiotas só demonstra que minha saúde está em franca melhora.

Beijos, abraços e encoxadas na pia.


P.S.: Aguardem! Em breve mais mensagens diretamente da missa de 7º dia!

* Os nomes, CPFs, razões-sociais, nomes-fantasia, perímetros do prepúcio e tonalidades do mamilo foram mantidos no anonimato para preservar os depoentes.

• Fluimucildo e mal pago

É. Tô pôdi mesmo.
Voltei ao médico hoje, não teve jeito. Mais 4 horinhas pra uma injeção de 2 segundos e uma inalação de 7 minutos. E ainda terei de aguentar inéditas piadinhas nos comentários, do tipo "E aí? Tomou na bunda?". Nem ousem.
Pelo menos o japa (o único médico desse quadrante do Sistema Solar com caligrafia bonita) mandou bem e concluiu o óbvio, que havia uma infecção a ser combatida.
Só volto ao batente na quarta-feira, o que por si é uma merda. Embora eu seja um apreciador convicto do ócio, gosto do que faço e as pessoas com quem convivo em sua maioria me fazem feliz. Bom seria dar um migué no trampo pra ir Boiçucanga, como diria aquele sábio infografista amigo do Seri. Mas não há alegria alguma em ficar de molho em casa arfando como um cachorro velho de filme de blues.

***
Agora é oficial: 2008 tornou-se o ano da saúde (quase um pronunciamento governamental - ao menos nas metas eu sei que deve ser assim, só não sei se vou cumprir). Apesar do meu velho refluxo gastroesofágico, dos triglicerídeos familiares, da minha mãe recém diabética, minha muié hipoglicêmica e meus 6 cães com sérias suspeitas de cinomose, a boa notícia apareceu:
Meu pulmão, meu arfante e carburado pulmãozinho, tá quase virgem. O médico não notou que sou fumante (a essa altura do campeonato não sei se isso serve como referência, mas...). Em outros tempos eu diria "beleza, então posso fumar mais uns 20 aninhos!", mas não é o caso.
Em resumo, eis mais um ótimo motivo pro puto do Denis (autocrítica em terceira pessoa é mais contundente, não acham?) parar o quanto antes com o mais estúpido dos seus vícios.

A vocês, nobilíssimos leitores, dedico a profunda sabedoria de um dos Masters ófi de tuênti cênturi:

"Saúde
é o que
interessa.
O resto não
tem pressa"


Paul Waist in "Teatcher Raymond's School"

domingo, 30 de março de 2008

• Tô pôdi

Você que odeia tópicos grandes deveria tentar com esse.

Estive meio capenga de saúde desde quinta-feira passada e a coisa toda chegou ao limite neste sábado... era tosse seca, peito chiando, falta de ar, febre que não parava (raramente na minha vida cheguei aos 38º e bati nos 39 dessa vez), enfim... uma merda. Cheguei a pensar que fosse coisa pior mas, por sorte, não.

Hoje me carregaram ao médico, não teve jeito. Não porque sou daqueles que têm medo de hospital (ojeriza não é fobia!), mas eu não estava em condições de decidir sequer isso.

É incrível. Pago 300 paus numa porra dum convênio SulAmérica (aquele do comercial com súperes helicópteros levando você pra desencravar a unha).
Fui ao hospital mais metido a besta da cidade, a referência de saúde da Classe Mérdia da região. Cheguei às 11h e só fui receber a inalação/medicação 3 horas depois. A porra da inalação, a única coisa que de fato me motivou a ir pra lá (uma vez que não fui pra ouvir que o que eu tenho é uma "virose" - "Mesmo? Qual?"); a única coisa que poderia me trazer alívio e que era o que eu tinha ido buscar.
Três horas.
Fiquei arfando como um cão velho das 11h às 14h num hospital particular. Não me acho mais merecedor que ninguém, mas descobri a força da necessidade.
Mais ridículo do que pagar caro pra receber um subserviço, mais absurdo do que precisar pagar por saúde, para além dos impostos, porque o hospital público é outro lixo, é eu chegar num hospital reformadinho, com cara de hotel, piso de mármore e gente desmaiando num domingo banal por falta de atendimento. Por falta de competência. Porque o brilhantismo da administração achou que as sancas de gesso com iluminação gradual seriam mais úteis aos doentes do que um bom atendimento.
Eu compreendo: depois de tanto fru-fru, o que deu pra contratar foi a meia dúzia de garotos mal pagos da recepção incapazes de lidar com público, com saúde e com a burocracia digital a qual chamam "Sistema".
É o novo dogma do planeta. "Tá sem sistema". Deus quem quis. Nada pode ser feito.
Sinceramente não me interessa quem é mal pago, se não dão estrutura aos profissionais, se o convênio paga mal, se médico também almoça: quem não pode não se estabelece e quem representa vai ouvir pelo representado. Principalmente no que concerne à negligência.
Nesse jogo de empurra, azar nosso? Jura, benhê?

Eu via Mony reclamar aqui, ali, tensa, notando a piora, a perguntar.
"Já mandamos a ficha pro médico, senhora" - disse o atendente. "Como você vê, a ficha não está aqui" - disse o médico.
Quando, às 14h da tarde, eu finalmente soube que esperaria pelo menos mais uma hora e que o suposto sistema de triagem (um tipo de pré-consulta que, sozinho, levou 1 hora pra atender-me) não considerou meu pulmão fechado e meus 39 de febre como prioridade em relação aos domingueiros que torceram o pé no futebol (nem os piores que eu, como o velhinho à beira de um infarto precisando de medicação pra pressão, nem as crianças desmaiadas no colo dos pais, etc), usei meu último fôlego.
Invadi a enfermaria aos berros, praticamente chutando os extintores no chão e fiz o mais ridículo dos papéis.
"Quem eu preciso assassinar aqui pra ser atentido?"
Bingo. Atenção.
"Três horas de espera. Eu vou esperar aqui a porra da inalação e se algum filho da puta engravatado* tentar encostar em mim vai ganhar um B.O. nas costas"

Ridículo.
Mas não é que funcionou?
Uma das 6 enfermeiras, duas das quais de braços cruzados, encontrou minha ficha lá num canto. Fui pra sala de inalação.
Estava vazia. Completamente vazia.

A partir disso tomaram uma atitude eficiente:
Trancaram a porta do ambulatório pra evitar novas invasões.

*Agora entendo porque há tantos seguranças. Três circulavam pela porta da sala de inalação. Fiquei encantado. O meliante aqui, com 1,60m e os brônquios implodindo, precisava de três pra garantir que não perturbasse a paz.

Enfim, inalei. Um alívio básico, simples, barato. Saí, passei pelo corredor. O velhinho estava lá, cabeça tombada sob o peito, ao lado do bebê roxinho. Eu ainda tremia e a mão formigava, mas não era da virose.
Deve ser um tratamento experimental: afinal você até esquece que está doente.

Aproximadamente...
Tempo de consulta: 4 minutos
Tempo de raio-x: 6 minutos
Tempo de retorno: 2 minutos
Tde inalação: 8 minutos
Tempo de incompetência: 2 horas e 40 minutos

Agradeço ao Hospital Brasil, a melhor cabana-do-pai-Thomás travestido de hotel da Grande SP, pela graça concedida.


P.S.: Se eu fosse minimamente próximo da incompetência dessa trupe, já tinha morrido de fome. Ocorre que, diferentemente do caso deles, os meus clientes sabem exigir seus direitos. Amanhã mesmo, são ou enfermo e após atender aos meus, ligarei pro convênio exigindo que não pague a consulta. Espero que o médico, único a atender-me com a mínima atenção necessária, receba salário fixo e portanto não seja prejudicado.

sábado, 29 de março de 2008

• Atchooooooo!