Às vezes eu chego a pensar que estou cercado de bundas-moles. Bunda mole mesmo, daquela que não encara nada mais firme que sorrisos gelatinosos.
Mas aí eu percebo que o problema é meu mesmo. Meu e de minhas ilusões.
Sempre senti, desde pivete, que um relacionamento ideal e franco envolvia despir-se dos joguinhos e estratagemas sociais. Por que? Porque é cansativo, oras. Uma perda de tempo. Não tenho fôlego pra cortar todas as toras que a fogueira das vaidades demanda - achei que tinha, mas não tenho. É fogo rápido, consome tudo, não aguento o tranco.
Por mim, tirando aquelas situações sem escapatória (e mesmo isso é relativo), onde você tem de sorrir amarelo enquanto te enrabam porque disso depende sua sobrevivência, o resto é sentir, pensar, ponderar e dizer.
Pois não é que, pela milionésima vez, eu desobedeci a regra máxima da vida coletiva?
O negócio é calar mesmo. Como todos os outros, aqueles, os ditos bunda-moles, na verdade muito espertos. Eles vieram, disseram, replicaram e treplicaram - mas só na surdina. Na frente, ah, na frente... é boquinha de siri. Entrar por um ouvido sem jamais sair pelo outro (e nem pela boca). É isso: o trouxa aqui não entende que ser aquele que vai e diz de frente o que todos estão dizendo por trás é serviço sujo a ser evitado.
Eu agradeço pela lição. Não posso dizer que seja um aprendizado, porque não é - o burro aqui demora pra entender, e demorar é pecado capital nessa época. Mas vocês estão certos. Certíssimos.
O negócio é falar, falar... e negar quando confrontado. Guardar aquele "eu? Maginaa" na manga, pronto pro saque, e deixar algum trouxa (que, em geral, tem blogue e se arrepende de dizer coisas) diga por você. Deixe que ele defenda seus interesses por tabela, e então se queime e se desgaste.
É pra isso que os ponta-de-lança foram feitos: pra quebrar no couro. Deus, em Seu tabuleiro, precisa de um tantão de idiotas pra armar a greve e ser demitidos enquanto você espera seu aumento em casa. É exatamente isso que esse povinho patético precisa: de porrada na orêia pra ver se aprende que, ao invés de chorar as pitangas em momentos tardios de auto-piedade, deveria é ter o mesmo senso de autopreservação que os espertos esbanjam.
Com sorrisos gelatinosos.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Toda desgraça, pra trouxa, é pouca
sábado, 5 de setembro de 2009
Férias!
Férias é aquela coisa estranha, como a vida: você leva tempo pra se ligar e se acostumar, e quando finalmente tá pegando o jeito, ela acaba. Na hora de aproveitar pra valer, você tem de abrir mão.
Férias é coerente com um mundo onde você passa a broxar justamente quando tem o quinourráu pra trepar.
Férias é mesmo tão estranha que você fica na dúvida se ela é ou elas são, até que elas passam ou acaba.
Férias, amiguinhos, é basicamente tempo ocioso e mal aproveitado com sofismas sobre as férias.
Ou não.
Então deixo aí pra vocês, meus milhares de leitores apreensivos com meu sumiço, dois súperes posts supímpares, que eu tenho mais o que fazer.
Abraço e não chorem (de rir), pois eu volto!
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Caí duas vezes
Peguei um gripão lascado e caí de cama. Quase entrei na paranoia da gripe suína e caí na onda de achar que estava com isso. E ninguém aguenta mais esse assunto. Fui parar no hospital com febrão, tossão, dor nas juntas e mais alguma merda que eu não estava em condições de avaliar. Fiquei no Pronto-Atendimento das 4h da tarde até a meia-noite, o que dá um novo paladar a esse nome.
O que nos mostra que:
a) os fatos tornaram-se assuntos e, independentemente do curso de sua existência, tornam-se "cansáveis" como uma história repetida à exaustão, com prazo de validade baseado em seu Ibope e não em sua relevância. Acabe ou não, num dado ponto ninguém mais quer saber dele. A gripe A, como a AIDS, deixará milagrosamente de existir à medida em que sumir dos jornais.
b) Pude notar que a comunidade médica regozija-se em finalmente ter outra possibilidade de diagnóstico que não seja "virose". Agora seu bico-de-papagaio pode ser culpa do H1N1.
c) Os hospitais estão cheios, entre outros, de gente em busca de atestado médico. Nunca um atchim fez tanto pelo corpo-mole de alguns.
d) a única coisa relevante na Gripe A foi mostrar que, se um dia rolar algo realmente sério, como uma pandemia do capeta, o bicho vai pegar. Não há estrutura alguma - nem pra barrar doenças desse porte, nem para tratá-las em escala.
e) Ah você tem convênio caro? Má notícia: não adianta ter American Xpress no Xingu. Os hospitais particulares também estão cheios e estouraram suas cotas com uma doencinha com 0,5% de mortalidade. O lado bom é que você vai agonizar por horas numa sala de espera com piso de mármore.
f) Donald Rumsfeld, dono do Tamiflu (a 'vacina'), agradece pelos meses de paranoia. Se você não lembra quem ele é, tem mais é que ter medo de espirro mesmo.
g) Mais uma vez demonstro minha falta de empreendedorismo em não ter aberto uma vendinha de máscaras e álcool em gel. Droga.
domingo, 23 de agosto de 2009
KAGHANDA RESPONDE - Nº1
Balzaquian@ carente


