quarta-feira, 2 de julho de 2008

• FÉRIAS!

PUSTAQUELOSPARÓLA!
E não é que saí em férias?

Pois é. Isso é uma ótima notícia pra você (que vai ficar livre do meu besteirol inútil por uns dias) e também pra mim. Depois de dois anos sem parar (e sem lembrar que antes desse emprego trabalhei uns três seguidos), peguei meus trinta dias de alforria.
É curiosa a euforia que se sente. Misto de alívio (quase como retirar uma coroa-de-cristo dos testículos) e devaneio irrestrito ("agora - em 30 dias - farei tudo o que não fiz nesses dois anos!").
Mas tá joínha, não reclamo não! Pelo contrário!
Vou mais é dar vazão ao Kunta Kintê que jaz em mim, sambando e pulando num candomblé Angola que promete paz e liberdade aos meus dias (nem que sejam 30!). Nessas horas, Kunta sonha com África, com axé, com casa, comida, roupa lavada e o cangote da cabocla. Mesmo que amanhã ele volte à senzala, porque não tem onde ir.
Mas... Lição aprendida: amanhã é amanhã!

Poizintão! Vai, Kunta, ser gauche na vida!

***

E por falar em férias...
Novíssima campanha jamais vista numa Sessão das Dez, logo após Topa Tudo Por Dinheiro!
Eu adoraria saber:

"Quais os posts de Uaderrel que você mais gostou até hoje?"

Não adianta dizer que foram os últimos só porque tá com preguiça de ver os anteriores, hein?
Tempo vocês terão de sobra, afinal eu estarei tostando meu bacon na praia por tempo indeterminado (mas, para o vosso azar, retorno a qualquer momento).

Sem mais, despeço-me com beijos, abraços e aquela velha musiquinha de Raízes:
"Êeeeee ilebáaa... binhó nó tinôboooo... Êeeeee ilebáaa..."

• Eu adooooro a imprensa - parte 1

Olá, nobre leitor de Uaderrel!

Muito se discute sobre a polêmica Nova Lei de Trânsito (e novas leis nunca são novidade). Mais especificamente sobre a que regulamenta o consumo de álcool.

(N. do B. ao populacho chulo leitor de Uaderrel: mé, pinga, marvada, cachaça, a boa et correlatos).
A imprensa, claro, sempre no mais amplo vigor de esclarecer, ensinar e (por que não?) elucidar as dúvidas dos leitores, preferiu não dizer quanto vale 0,02 g/l em talagadas de cana ou discutir sobre a fiscalização que faria a Lei valer, investiu em palpites súperes supímpares tais como este:

Folha Online 01/07/2008

Adorei. Imagino que, se também foi impresso, foi parte de uma sub. Imagino mais e vejo aí umas oitenta e poucas linhas de texto para o abre de página, o que, junto de uma foto grande (também chamada lesa-leitor) deve matar uma meia página. Considerando, ainda, que é a Folha, um supermegainfográfico ocupou o outro 1/4, logo ao lado do anúncio da Ismirnófi Áice. Dá um trabalhão, pensa que não?
Compreendo que, obviamente, desde o caso "não sou pipa, papai", a mídia anda sem assunto. É aquela coisa: o Obama, ninguém liga; a dona Ruth não rendeu; o Ronaldo já virou piada.
Tudo bem, eu entendo. Toda a minha compaixão nesta dura hora do fechamento.

Au ráiti. Lei é lei e é muito pertinente estudar o que ela diz.
Mas eu, que não tenho 500 mangos pra propinar o guarda nem tenho chofer (como o Lula, que pode continuar saindo torto dos churrasco na Granja), gostaria de ver discutirem, por exemplo, se 'essa Lei Seca não é um mero paliativo', ou 'como se faz pra beber nessa porra de cidade', uma vez que não há transporte público rápido e de qualidade (nem sem, das 0h às 4h) e a tal "carona solidária" não funciona (numa região onde um amigo mora na Zona Leste e o outro no Morumbi).
Não, amiguinho, não importa se uma canetada que custou horas e dinheiro aos bolsos públicos (digo, cofres) com a burocracia nacional na verdade não resolve puêrra nenhuma; não interessa se mudar o valor de álcool por litro de sangue não vai impedir o pinguço profissional que bebeu uma garrafa da marvada, atropelou alguém e contou com a impunidade quando o valor era de 6dg/l.
O que importa é... é... ora, leia e não encha o saco.

Mui bién! Perdão pelo atrevimento de pensar, pero...
avaliemos el bunda-lelê. Senão, vejamos:
Segundo o pesquisador, um cara com uma brejinha na cuca (aprox. 5 decigramas/litro) que dirija a 60 km/h (16,6m/s) e tenha o tal "comprometimento nos reflexos em microssegundos" ao pisar no freio (micro = milionésimo 0,000.0001 - usemos o milésimo pra dar uma canja = 0,001), teria um atraso de frenagem de quantos metros?
Vejemo... nove os fora, vai um... hummm...

16, 6 milímetros????


É... realmente faz diferença (pras moscas no parabrisa).
Na boa, a menos que você pilote um Mirage da Aeronáutica, o estado dos freios interfere mais do que esse preciosismo. No mais, não entendi porque discutir uma unidade de medida maior da que está na Lei (2dg/l - que equivale aproximadamente a um copo de chope [não tulipa, copo], quase uma latinha de cerveja, um cálice de vinho ou uma dose pequena de cana - "AAAH Agoooora sim!"). É claro que não me prenderei a detalhes como "'esperar uma hora' sendo homem, com 80 kg e tolerância ao álcool ou sendo mulher, 50 kg sem hábitos de bebida?" ou "com o fígado em sobrecarga e sem sonolência em clima frio?", nem qualquer coisa que evidencie a grande variação metabólica de indivíduo para indivíduo, porque afinal... de punheta mental estamos todos cheios.
Uoréver, eu, que bebo pouco e bem posso viver sem goró, estou cagando e andando pra tudo isso.


Poizintão, amiguinho. Não digo que você deva ignorar a imprensa, de modo algum, longe de mim!
Apenas recomendo que não tenha a mínima consideração.

Saiba mais (pois estou com preguiça):
A Lei (Diário Oficial)

P.S.: Não se preocupe se está confuso; a polícia também.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

• Outra pequena Elegia

E por falar em estupidez, uma pequena homenagem a um cara legal. Não costumo ter Papas mas algumas pessoas realmente me fazem pensar - e isso é algo que sempre retribuo com gratidão, mesmo quando dói.

George Carlin, comediante (logo, filósofo) americano, faleceu nesse dia 22. Um dos Cabeções do Stand-up Comedy, foi o primeiro host do Saturday Night Live. Esse taurino insano dedicou 40 anos aos palcos, os quais dividiu com bambas como Richard Pryor e cia. Dono de um humor ácido, cínico e negro, atacou como podia o tal American Way of Life, que em muitos aspectos (importados ou não) é nosso também. De Jim Carrey a South Park, de Simpsons a Morgan Spurlock, não há ninguém na nova geração do humor americano que não tenha alguma influência, direta ou indireta, dessa figura.

"A Religião chegou a convencer as pessoas de que existe um homem-invisível morando no céu, que vê tudo que você faz, todo dia, a todo instante. Se você pecar, Ele tem um lugar especial cheio de fogo, fumaça, ardor, tortura e angústia, para onde ele te envia para sofrer e queimar e sufocar e gritar e chorar para todo o sempre até o fim dos tempos...

...mas Ele te ama!"


Carlin não poupava nem família, nem Presidentes, nem Deus: não havia hierarquia ou limites claros para suas palavras. Um dos seus vários méritos (se assim preferirem) foi o de provocar uma tremenda discussão sobre o que se pode dizer ou não em público, o que terminou por gerar um desconforto tão grande que o Governo prontamente criou uma lei de "pudor" (traduzindo, assumiu declaradamente a vocação de limitador das liberdades individuais). De fato, Carlin agredia unicamente a hipocrisia coletiva; todo o resto foi não mais que vestir-se a carapuça.
Tanto desgaste faz mal. Alcoólatra e viciado em analgésicos, Carlin ao longo dos anos trocou as gags humorísticas pela crítica cada vez mais ferina, que nos últimos tempos já tomavam mais da metade de seus 'shows' (não sei se podemos chamar ou não de show, mas o fato é que as pessoas pagavam para ouvi-lo e, cá pra nós, é sempre um show presenciar alguém Pensando, mesmo que você não concorde).
Controvertido, polêmico, selvagem... há uma infinidade de nomes que não chegam lá.

Carlin está na minha modesta lista de grandes comediantes, junto do Monty Phyton, do Chaplin e do Marx (o Grouxo, ófi córsi).

Segue um link pra quem estiver interessado...
(Procure pela net, há muita coisa interessante)...


Puns vaginais

Religião é balela

"Save the Planet"

Experiências comuns

Sem legendas:

We like War!

Eufemismos

Bugingangas (antigão)

"Have a nice day"

Cães & Gatos

• Carências estúpidas

O que se passa comigo, eu não faço idéia. Mas sinto-me um completo e irrestrito idiota por sentir o que sinto, mesmo sabendo o que sei. Sempre aprendi rápido, mas em certas coisas insistentemente fracasso. Por exemplo, nas expectativas.
A motivação do post, no caso, é a que sinto pelas pessoas. Eu digo "Puêrra, Denis! De novo?" - pois é, de novo. Eu já sei, mas mesmo assim...
O meu repertório mal contido de carências não se justifica.
Primeiro, porque "tenho" muito (ainda mais quando sei, de antemão, que nada tenho de fato nessa vida).
Segundo, porque é simplesmente incongruente esperar de primatas que eles sejam (ou melhor, nós sejamos) diferentes do que são.
Ora essa! Em alguns aspectos isso é até bem vindo! Deveríamos até ser mais dados à primatice no dia-a-dia.
Ainda assim (e sempre há um 'ainda assim'), dói um pouco.
Eu sei que todo ser humano (ser vivo) sempre advoga em causa própria. Eu sei que todo e qualquer acordo, contrato ou vínculo social no fundo implica apenas em convivência e aliança pacífica enquanto há 'benefício mútuo', seja lá o que isso signifique. Também sei, por empirismo e teoria, que a coesão dos grupos é frágil, extremamente frágil. Então... for godisêiquis! Por que simplesmente não aceito, emocional e naturalmente, esses simples fatos?
Por que não é natural, pura e simplesmente, aceitar que as pessoas nos usam e desaparecem quando perdemos o sentido? Que sociedade, seja qual for, não passa de dois ou mais indivíduos interessados na própria satisfação? Que o mercado, um entre tantos reflexos, descreve o modo real como convivemos, livres de discursos morais?

Lá vou eu, após um curto período de lucidez e sobriedade, novamente querendo amigos e pessoas do modo como eu enxergava as relações, quando era criança. Se não há nenhuma fixação psicológica, nenhuma frustração específica e nenhuma babozeira teórica dessas que todo mundo usa como manual de autoajuda pra se convencer nos dias de carência, então... por quê?

Sinto que aí tem algo mais do que teimosia (pois, se teimo, é justamente em me convencer da realidade). Espero poder, muito em breve, manter a tal 'consciência lúcida e sóbria' por longo tempo; ser capaz de aceitar tranquilamente a sordidez inerente à raça e evitar fomes maniqueístas que me façam ignorar, por um minuto sequer, na multiplicidade do homem, capaz de glórias e tragédias (e que nenhuma delas é lá grande coisa).
Não há justificativa coerente em tanto confiar, em tanta entrega, em tanta expectativa, se os conheço nessas facetas (e principalmente se reconheço as mesmas em mim - ou a 'espera por reciprocidade' não dá na mesma?).

Nessas horas bem vejo a distância entre meu racional e o Todo que sou (e, sinceramente, não gosto muito disso não). Cada vez mais discursos valem menos.


Taí, comecei de um jeito, mas... agora me sinto mais estúpido do que carente!


P.S.: ao ler isso, uma certa amiga há de concordar que está na hora de postar o Manifesto dos Inaptos...