terça-feira, 16 de junho de 2009

• Viver não dá lucro

E é assim, de leve, com aquele jeitão de "vamos cooperar" e um amplo sorriso, que tudo vira merda. Tudo morre. Jesus morreu (se ressuscitou, já são outros quinhentos); o Gafanhoto shaolin morreu (é, mataram o Bill); os passageiros da AirFrance, o Elvis, o motor do meu Palio... até o Bella Lugosi, que já era morto. Vivo, mas morto. Dinossauro, a Dercy, as estrelas distantes... ninguém escapa.
Pois morreu também o tal conceito de sustentabilidade apregoado na virada do século por bancos, empresas e inocentes de toda espécie. Aquele conceito bonito de equilíbro sócio-ecológico nascido de imbigo roxo, como diria minha vó, posto que fruto de mãe desnaturada. Também pudera: ô ventre seco! Pois dava pra temperar a farofa ali dentro, viu. Responsabilidade social? Para bancos? Sim, claro; no dia que Nosferatu se contentar em chupar O.B.
Trouxa de quem acreditou que pelo menos 200 anos de mentalidade capitalista, somados a 600 anos de mentalidade exploratória expansionista, baseados em 100 mil anos de atividade predatória viral e devidamente temperados com um sistema límbico ávido e digno de um jacaré... fosse dar noutra coisa.Crescimento sutentável? Hum... Qual deve ser a taxa de crescimento de um órgão em relação ao corpo? Pela lógica do tumor neoliberal, até tomar tudo. E o câncer, amiguinhos, é aquela explosão de vida e fartura, vocês sabem. Um verdadeiro espetáculo do crescimento.
Epa. Mas meu exemplo é falho como toda metáfora de boteco: a expansão que dá corpo a essa insustentável sustentabilidade do ser está mais para gordura, daquelas típicas dos milhões de gringos obesos e, vejam só, desnutridos.

Poizintão. Dividida entre ficar viva ou aumentar a margem de lucro, a massa de gente perdida em abstrações intituladas corporações finalmente resolveu assumir o óbvio: não vai mexer uma puta duma palha para resolver a questão. Détis íti. Fueza-se. E bastou a atual crise econômica para cair a máscara (imaginem o que virá na próxima crise de crédito, quando a China parar com o bunda-lelê da importação de commodities, por exemplo).
Senão, vejamos. Eis a última pérola da tchurma que pensa que meio-ambiente é aquela salinha de apê de pobre:
Segundo a cocota Linda Cook, uma diretora da Shell, a empresa não vai mais investir em tecnologias de geração de energias renováveis como a eólica, solar e hídrica por não serem lucrativas [investimento esse que girava em torno de 1% de seu orçamento]:
"Essas alternativas tecnológicas não oferecem oportunidades de investimento atrativas. Se não houverem oportunidades de investimento, nós não vamos por o dinheiro. No momento, pensamos no biodiesel".

É isso aí, Linda, lindona, lindíssima Linda! Cook, mas cook mesmo e em fogo alto, senão o bolo não estufa.

Conclusão: não dá lucro manter o mundo em condições habitáveis, logo não é uma boa ideia. E não se pode deixar Oroboro$ morrer. Só o mundo, na cabeça desses fulanos, não morre. Esse aguenta tudo. Para sempre. Como o meu saco.

Ê saudade de quando eu achava que havia uma conspiração organizada por impiedosos seres superinteligentes para dominar o mundo...

3 comentários:

Moacir das Candongas disse...

Nem li, mas quem leu concorda que viver não dá lucro.

Em compensação não dá prejuízo tampouco.

Karin disse...

Ah, eu li!

Putz, tava com saudade de passear por aqui, mesmo que seja pra ler quão fudido anda o mundo. E anda mesmo. Eu, a eterna libriana que gosta de tudo bonito e cor de rosa (na verdade não gosto de cor de rosa, mas não vem ao caso) tô começando a achar que bom mesmo é quando tudo explodir de vez. Caos completo. Quem sabe da total desestruturação do mundo algo realmente novo surja, porque anda difícil reaproveitar qualquer coisa desse velho sistema encalacrado.

Aliás, falando em maus hábitos cristalizados, vou até voltar pro meu empoeirado blog para comentar algo correlato...

Obs: Não seria "intitulado"? ;)

Beijos!

De Marchi ॐ disse...

Tem razão, Karin. Corrigido... :)