quarta-feira, 2 de julho de 2008

• Eu adooooro a imprensa - parte 1

Olá, nobre leitor de Uaderrel!

Muito se discute sobre a polêmica Nova Lei de Trânsito (e novas leis nunca são novidade). Mais especificamente sobre a que regulamenta o consumo de álcool.

(N. do B. ao populacho chulo leitor de Uaderrel: mé, pinga, marvada, cachaça, a boa et correlatos).
A imprensa, claro, sempre no mais amplo vigor de esclarecer, ensinar e (por que não?) elucidar as dúvidas dos leitores, preferiu não dizer quanto vale 0,02 g/l em talagadas de cana ou discutir sobre a fiscalização que faria a Lei valer, investiu em palpites súperes supímpares tais como este:

Folha Online 01/07/2008

Adorei. Imagino que, se também foi impresso, foi parte de uma sub. Imagino mais e vejo aí umas oitenta e poucas linhas de texto para o abre de página, o que, junto de uma foto grande (também chamada lesa-leitor) deve matar uma meia página. Considerando, ainda, que é a Folha, um supermegainfográfico ocupou o outro 1/4, logo ao lado do anúncio da Ismirnófi Áice. Dá um trabalhão, pensa que não?
Compreendo que, obviamente, desde o caso "não sou pipa, papai", a mídia anda sem assunto. É aquela coisa: o Obama, ninguém liga; a dona Ruth não rendeu; o Ronaldo já virou piada.
Tudo bem, eu entendo. Toda a minha compaixão nesta dura hora do fechamento.

Au ráiti. Lei é lei e é muito pertinente estudar o que ela diz.
Mas eu, que não tenho 500 mangos pra propinar o guarda nem tenho chofer (como o Lula, que pode continuar saindo torto dos churrasco na Granja), gostaria de ver discutirem, por exemplo, se 'essa Lei Seca não é um mero paliativo', ou 'como se faz pra beber nessa porra de cidade', uma vez que não há transporte público rápido e de qualidade (nem sem, das 0h às 4h) e a tal "carona solidária" não funciona (numa região onde um amigo mora na Zona Leste e o outro no Morumbi).
Não, amiguinho, não importa se uma canetada que custou horas e dinheiro aos bolsos públicos (digo, cofres) com a burocracia nacional na verdade não resolve puêrra nenhuma; não interessa se mudar o valor de álcool por litro de sangue não vai impedir o pinguço profissional que bebeu uma garrafa da marvada, atropelou alguém e contou com a impunidade quando o valor era de 6dg/l.
O que importa é... é... ora, leia e não encha o saco.

Mui bién! Perdão pelo atrevimento de pensar, pero...
avaliemos el bunda-lelê. Senão, vejamos:
Segundo o pesquisador, um cara com uma brejinha na cuca (aprox. 5 decigramas/litro) que dirija a 60 km/h (16,6m/s) e tenha o tal "comprometimento nos reflexos em microssegundos" ao pisar no freio (micro = milionésimo 0,000.0001 - usemos o milésimo pra dar uma canja = 0,001), teria um atraso de frenagem de quantos metros?
Vejemo... nove os fora, vai um... hummm...

16, 6 milímetros????


É... realmente faz diferença (pras moscas no parabrisa).
Na boa, a menos que você pilote um Mirage da Aeronáutica, o estado dos freios interfere mais do que esse preciosismo. No mais, não entendi porque discutir uma unidade de medida maior da que está na Lei (2dg/l - que equivale aproximadamente a um copo de chope [não tulipa, copo], quase uma latinha de cerveja, um cálice de vinho ou uma dose pequena de cana - "AAAH Agoooora sim!"). É claro que não me prenderei a detalhes como "'esperar uma hora' sendo homem, com 80 kg e tolerância ao álcool ou sendo mulher, 50 kg sem hábitos de bebida?" ou "com o fígado em sobrecarga e sem sonolência em clima frio?", nem qualquer coisa que evidencie a grande variação metabólica de indivíduo para indivíduo, porque afinal... de punheta mental estamos todos cheios.
Uoréver, eu, que bebo pouco e bem posso viver sem goró, estou cagando e andando pra tudo isso.


Poizintão, amiguinho. Não digo que você deva ignorar a imprensa, de modo algum, longe de mim!
Apenas recomendo que não tenha a mínima consideração.

Saiba mais (pois estou com preguiça):
A Lei (Diário Oficial)

P.S.: Não se preocupe se está confuso; a polícia também.

Um comentário:

Karin disse...

Eu já cuspi tudo o que tinha pra dizer a respeito lá na Chill Out... abastecida com meia garrafa de Merlot.

Não, eu não saí de carro depois. :P

Vou manter o meu histórico de excesso de velocidade até 20% mesmo (hoje chegou outra, a primeira em Diadema, que mimo...) e passar pelo mico de fazer escolinha de novo quando me apreenderem a carta por estourar os pontos... mas posso perfeitamente respeitar a imbecilidade da nova lei.

Enquanto isso o nojo pela incapacidade prática de qualquer coisa de importância nesse país continua crescendo.