sábado, 6 de setembro de 2008

• Falha de Comunicação nº2

Já tratei desse tema tanto aqui quanto com alguns amigos...
Não sei se é uma limitação da palavra escrita, do meio ou o que for, mas... depois de tanto tempo trabalhando com comunicação, ainda fico surpreso...
A quantidade de mal entendidos que rola nos sites de redes sociais, MSNs, blogs e mesmo na imprensa é gigantesca. Além da importância óbvia, vale acrescentar que a molecada de hoje passa horas diárias na frente da net justamente nesses veículos (e não para estudar, como gostariam os otimistas - nem pra se masturbar, como pensariam os cínicos). Tá clara mais uma vez a nossa vocação pra comunicação, esse diferencial que nos levou ao que somos (para bem e para mal). A questão é: nunca se comunicou tanto sobre nada. Mas isso fica pra outro dia.
No momento o meu foco está na competência dessa fórmula de contato. As idéias, independente de seu conteúdo, vêm sendo transmitidas a contento? A infinidade de meios e quebra de fronteiras interferiu efetivamente no nosso entendimento mútuo?

Traduzindo: ainda falamos alho e entendem passaralho?

Num mundo construido, que depende de atos coordenados, eis mais um assunto entre as urgências prorrogadas. A primeira reação diante do problema da Interpretação de texto é pensar que o mundo tá fodido mesmo, tornou-se uma Babel de analfabetos funcionais, disléxicos, etc. Mas a gente sabe que não é bem assim.
A impressão que eu tenho (e o orkut me ajudou a formar essa visão) é que temos uma amplitude de sentimentos e idéias que as palavras simplesmente não abarcam, porque parte desses mesmos nós sequer temos consciência plena. Não à toa esses meios eletrônicos usam 'emoticons': as letras parecem não bastar.

Fulano diz 'casa' e vocês lêem 'casa', mas a Casa que imaginamos não é a mesma.

Que acentuação se usa para 'dar o tom'?
Esse é um desafio que até o García Márquez já confessou enfrentar.
Por outro lado... e quando se usa da ambiguidade, do cinismo e das entrelinhas? A subjetividade é praticamente a mesma da poesia, a interpretação é livre e depende de coisas que estão no limiar da comunicação (como o semblante) ou mesmo fogem desta (como o momento pessoal, intenções, conceitos prévios e associações).

Pra você, qual é o melhor meio de comunicação?
Sente-se plenamente capaz de manifestar-se, de ser compreendido e, principalmente, de compreender?

7 comentários:

Mario Ferrari disse...

olho na mão, mão no olho - LIBRAS,
Linguagem brasileira de sinais.
Pelo menos é super estético e, dizem, eficiente, além do que, pelo jeito sem margem para mal entendidos...
Ah e deixa o "voiuer de conversa alheia" sem entender porra nenhuma mesmo que não consiga tirar o olho dos deficientes fono-auditivos e seus gestos incríveis e às vezes sensuais.
Um abraço emudecido pra vc.
Mario.

웃 Mony 웃 disse...

* Cinisco?!
Não seria cinismo?

Toda relação humana tem dessas, tanto faz se ao vivo ou online.
O fato é que a leitura que fazemos das frases que ouvimos passam por um filtro que está sintonizado com o humor, estado de espírito do dia, maneira como vemos o mundo. Na verdade não estamos ouvindo o outro, mas, uma fala do outro segundo nosso prisma.
Um ou outro tem essa isenção, e por vezes parcialmente...
Na verdade, ninguém escuta ninguém, muitas vezes não quer escutar!

Mario Ferrari disse...

PassarAlho dependendo do lugar, arde.

Assim como Pym Hentay now koo dossothros hard dee!

Karin disse...

Falando em casa...

Eu tenho uma memória de infância, de quando eu tinha uns 4 anos de idade, ou algo mais. Uma amiga minha da pré-escola me convidou pra ir na casa dela. Deu o endereço e, pra garantir, descreveu a casa, como tendo um "monte de bolinhas coloridas". Claro que eu achei o máximo! Até hoje tenho a lembrança da imagem que eu construí na minha cabeça. Falei com a minha mãe que nós iríamos no sábado. Só que chegando lá, cadê as bolas coloridas? Eu não queria entrar de jeito nenhum, pois não era aquela casa... Enfim, as "bolinhas" eram uma espécie de acabamento de exteriores (cujo nome não lembro) e que se tinha que olhar quase de lupa pra perceber as ditas...

Pelo menos essa falha não atrapalhou em nada a vida... somos amigas até hoje. :)

De Marchi ॐ disse...

hehehehehe belo exemplo, Karin!


Mony, obrigado. Devidamente corrigido... :)

Walter disse...

Seria tudo tão mais fácil se entendessem quando dizemos "coisar o negocinho" ou "aquele troço assim"...
Aliás, nem entendi o que o Denis escreveu. [:P]

Inicio disse...

Palavras são incapazes de expressar o que sentimos em apenas um segundo..
Esse foi sempre meu problema com texto..minha mente é faminta..ansiosa.. e elas não conseguem acompanhar o pensamento e minha instuição.
Por isso eu prefiro as imagens, o movimento, o "hipertexto"... minha mente se satisfaz mais com eles.
É claro que há a ironia, as entrelinhas, o simbólico e inúmeros desdobramentos estratégicos de um texto tentar tocar a complexidade do pensamento e das sensações...mas isso, para mim, também é hipertexto.
Confusões acontecem pois nem todos seguem os mesmo links? deveriam?
O caos as vezes é criativo (Luiz que não me ouça..)

Obrigada por essa oportunidade de refletir nesse dia-a-dia maluco que me encontro.