quarta-feira, 8 de abril de 2009

• Mais evidências da estupidez do blogueiro nº5

Eu pensava que os blogues ficavam vazios quando as coisas melhoravam na vida do blogueiro. Era batata: blog parado? Podia crer que o cara estava namorando, a moça tinha arrumado um emprego, a senhora tinha recebido uma nova receita de fluoxetina e o senhor arrumado outra amante.
Pois vejam só como é a falseabilidade da metodologia científica, amiguinhos. Este incomensurável bem da sabedoria da humanidade que, como toda sabedoria, não lhe pertence, nos traz exceções à regra. Claro, falseabilidade não é bem isso, mas soou bonito e parece até que eu sei do que estou falando.
Após minha longa ausência, sentida por milhares de fãs perdidos no Triângulo das Bermudas de popeline do além, passei por alguns blogs e notei a velha matemática: o namorante, trepante e enricante dovarante não postam mais. Voltam brevemente, ao menor sinal de desequilíbrio na balança de usufrutos da vida humana, mas o que importa é que no momento se ausentam.
E eu, por que tão ausente?
Não sei. Por desgraça não é, graças. Os problemas sempre existem e dou atenção a eles na mesma medida em que não dou. Perdi meu avô, coisa e tal, mas isso na pior das hipóteses renderia um bom post. Essa desculpa não cola.
Eu podia dizer que perdi o tesão de postar, o que seria mentira porque é mais fácil eu perder a fome do que a vontade de falar mais que o hómi da cobra. Também podia dizer que o mundo virtual me cansa por que os temas do mundo são sempre os mesmos, dos quais fala-se e fala-se e nada muda. Não seria mentira, mas faltaria aquele agente egoista que define o peso maior de toda equação humana.

O fato é que eu não levo adiante nenhum projeto que começo e que demande muito tempo (não à toa minha rotina de trabalho é imediata e não se arrasta para além de um mês). Não consigo: mil e uma ideias sobrevêm à cuca e logo logo estou em débito com aquela história inacabada, aquele quadro jamais começado, aquela crônica sem final, aquele I.R. pra fazer... (e, pela sequência de escolha dos exemplos, dá pra ver como defino bem prioridades).

Coisa de brasileiro? Sei não. Mas acontece. E a gente nessa época maravilhosa tem à disposição todo um armário vip cheio de prateleiras, um verdadeiro shopping center de desculpas. Falta de tempo, por exemplo, ocupa um andar inteiro.
Mas não é bem assim: há tempo. Mal aproveitado, mas há.
Por que não damos conta do nosso tempo? Por que o perdemos com orkuts, com conversa fiada, com aquele programa de bicho do Discovery que já decoramos a narração?
Talvez porque estejamos cheios de tanto "preciso" e tão pouco "quero". Talvez porque o que queremos realmente não seja nada ligado ao dever, ao horário marcado, ao "tenho de". Talvez porque nosso tesão não esteja lá. E o mapa do tesão... ah, o mapa do tesão... esse, nenhum shopping center tem bem exposto no hall de entrada!

Uatéver, blogues tomam tempo. Mas não é, afinal, nenhum tempo além do que disponho para perder com outras tolices. E quem irá dizer que não há utilidade no inútil?

6 comentários:

A Moça disse...

opa! Myself and I somos especialistas em transformar o inútil em útil. Senti falta de te ler, hadukeiro blogueiro duma figa :P Vê se nao some tanaanto!

웃 Mony 웃 disse...

Nem preciso dizer da identificação que tive com esse teu texto, né?! ;)
Bom demais te ler.

Karin disse...

Fico feliz quando alguém escreve o que eu deveria escrever porque assim me poupa o trabalho... Obrigada, Denis. :D

P.S: e obrigada por me lembrar do I.R., já tinha até esquecido dessa bagaça..

Pepe disse...

Poizintão e não é que é assim mesmo pr'eu tb!

Mariana disse...

tudo muito lindo tudo muito bonito
esse post seu vc pode colocar no seu closet de desculpas
não quero nem saber se tanajura é ou é não é formiga
pode fazer o favor de manter esse blog em dia e não demorar de postar nunca mais humpf!

Manooster disse...

Hehehe... Eu em verdade vos digo: Sofro de Transtorno Obsessivo Compulsivo. Sinto um nó abaixo do estômago se me afasto muito tempo do blog. Leio e releio meus posts na intenção de não provocar a ira alheia, hahaha... Sabe como é. Ainda assim, briguei com minha irmã, pois a danada interpretou errado meu último texto, rsrsrs... Enfim, vida de blogueiro é isso! Abraços!!