sábado, 15 de agosto de 2009

Fumation or not fumation, détis de question

...O fato é que tá todo mundo de olho no cigarro.
Não sei porque tanto bafafá sobre a Lei anti-fumo em lugares públicos da trupe do humanista e filantropo José Serra.
Primeiro que esse tipo de lei no Brasil não significa muito nem sobrevive por longo tempo. Lembra da Lei seca? Poizintão! Poderíamos desfilar uma série de tópicos proibidos que ocorrem livremente (até porquê, ia faltar fiscal pra tudo isso).
Segundo que, reparando bem, a proposta não é tão ruim assim.

Acho que a lei é justa.

Talvez fosse ainda mais se liberassem aqueles donos de bares que quisessem ter só fumantes nos seus estabelecimentos, mas não teve jeito - local fechado onde serve comida não entra cigarro.
No começo fiquei bolado com essa lei, mas agora sosseguei.

Vejamos algumas vantagens para os fumantes:
quando você está num espaço onde fumar é restrito (casa de alérgico, consultório médico etc), tende a demorar mais pra fumar outro. E goró chama cigarro - todo fumante sabe que exagera quando tá num bar ou num lugar onde pode fumar à vontade (um maço que você consumiria o dia inteiro vai fácil-fácil numa noite). Assim, se tiver que levantar e sair, vai espaçar mais o tempo entre um e outro, vai avaliar se compensa fumar outro e não apenas acender por impulso. Como minha preguiça é quase tão grande quanto meu vício, já estou fumando menos (isso, claro, só é vantagem para quem tem essa intenção ou a de parar).

No bar, outro efeito interessante: os miguxos estão saindo conosco pra conversar lá fora enquanto fumamos, deixando na mesa apenas os malas mais preguiçosos que a gente. Isso nos leva à próxima vantagem.

Mais importante:
A questão do fumante atrapalhar a vida do não-fumante chega ao fim.

A lei faz mais do que apenas oficializar o que todo fumante educado (educado - 'consciente' não existe) e com algum semancol já tentava fazer; ela cria um efeito colateral interessante.
Com o appartheid, teoricamente, um não pode mais incomodar o outro, certo? É fumante de um lado e não-fumante do outro.
Pois agora os não-fumantes xiitas perderam seu argumento fundamental pra justificar a perseguição contra nós. Os malas terão de arranjar outro meio de nos atrapalhar (talvez entrando numa tabacaria pra reclamar - algo como um crente que vai catequizar no baile-funk).
Ou seja: daí pra frente, estaremos dentro da Lei e se continuarem a vir encher o saco, podemos mandá-los tomar no glorioso olho do cu com toda a propriedade!

***

Uma historinha*
Tive o prazer de passar por isso semanas atrás. Estava na calçada, ao lado de um cesto de lixo, quase na guia e sem atrapalhar a circulação. Um certo velho conhecido na região, caminhando até seu carrão a gasolina de alto consumo, resolveu passar grudado em mim (apesar da calçada, de uns 2,5 metros de largura, estar livre) e reclamar do meu cigarro na hora do rush.

"Um dia vão proibir de fumar na rua e aí eu quero ver!"

Baforei e fiquei quieto - ele provavelmente vai morrer bem antes desse dia chegar.
Fiquei curioso e pensativo quanto ao que leva as pessoas a definir prioridades sobre o que é nocivo num mundo de nocividades, quais escalas utilizam e que tipo de sortilégio faz com que aquele fulano que nunca ligou para cigarro de repente se invoque com o assunto. Já viu isso? Claro que já, tá lá no álbum de foto da família, 1975, a mulher com cara de massa de pão no quarto do hospital, o filho recém-nascido no colo, cercada daqueles parentes que vieram visitá-la, entre os quais aquela tia com o cigarrão aceso, fumando mais que puta presa. Isso: dentro do quarto da maternidade. Essa tia, se pudesse, cederia à sanha mortal de apagar o passado, tal e qual uma Xuxa a recolher VHS de Amor, Estranho Amor.
Pensei muito. Nisso e no quão é assustador notar que o puto do Brecht não morreu - o povo não deixa. Levaram professores, comunistas, operários. Hoje levaram os fumantes, mas quem não fuma não liga. E amanhã... não importa.

Uatéver. Pensa-se muita besteira quando fumamos.

Pois não foi sem algum prazer que sorri ao vê-lo, então, dar uns três passos e disparar a tossir com a fumaça que um veículo parado no trânsito vomitou na sua cara.
O mais interessante é que a uma lata velha sem manutenção é da empresa DESSE CARA, que é anti-tabagista convicto 'porque faz mal à saúde'.
Essa categoria vale um compêndio por si. Vocês sabem, é típico: aquele cara que te recrimina enquanto olha ávido pra sua tragada - daí ele respira fundo e na sequência discursa. Sua verve vem de ser ex-fumante, ou seja, de precisar caçar-nos pra se convencer a não ter recaída.
Caçar e sentar no rabo. Como quem faz cooper na hora do rush depois de 60 anos comendo torresmo. Ou como aquele pinguço mui ético, de discurso e fígado inflamado, que arrisca a vida dos outros no trânsito mas sempre fala do seu tabaquinho; nem aquele que 5 anos atrás não reclamava porque ainda não estava na moda caçar fumante, e por aí vai.
Pois graças a Deus e ao Serra, seu primeiro-ministro, tudo mudou. Só falta uma lei para que os proprietários de veículo poluente só possam ligá-los em garagem fechada. Mas, um passo por vez. O que importa é que como eles há muitos e, finalmente, caladinhos: cigarro agora é problema só nosso.

Quem diria, liberdade na limitação! Fumemos um Marlborão pra comemorar!

Portanto regozijem-se, fumantes: esse tipo de hipócrita que vocês bem conhecem também foi limitado pela situação. Imaginem sua tristeza sem um fumante por perto, sem o prazer de anti-tabagizar na nossa orelha; terão de abandonar o discurso furado 'daquele que só pensa no bem-estar do coletivo' e assumir que cagam e andam pros outros quando se trata do que OS PRÓPRIOS fazem de errado.

Será um prazer não dividir a mesma mesa com eles!

* (Ligeiramente modificada para preservar o blogueiro)


Nota pessoal: Boa notícia! O médico me mandou diminuir o cigarro (o que é ótimo porque, se eu não fumar, o cigarro vai continuar do mesmo tamanho!).

3 comentários:

Mariana disse...

A lei anti-tabagismo é tão mal divulgada quanto o horário de verão.
O governo lança o horário de verão aproximando-se do povo com o papo de se economizar energia (quem é do ramo sabe que não é esse o motivo).
E agora a lei anti tabagismo, que já pelo nome erra.

O objetivo principal da lei anti-tabagismo não tem nada a ver com proteger o homem (para que ele se torne lobo de si mesmo) e sim de proteger os fumantes de segundo grau funcionários de bares, clubes, restaurantes e afins.

Você sentando ali fuma o seu cigarro, talvez metade do seu vizinho ali do lado e pronto.

Mas o garçon, esse coitado que está ali já há muitas horas, esse fuma o cigarro de todas as pessoas q ali dentro estão fumando.

A exposição é absurda, e já se sabe que o fume em segundo grau é mais prejudicial do que o de primeiro (parabens a todos os fumantes pela sábia escolha).

Então antes de acenderem os seus cilindros nicotinosos pensem no zé q te traz a cerva geladinha e que está ali, respirando aquele ar de 10 cigarros, em dias de pouco movimento, e que vai ter um problema causado pelo cigarro sem nunca ter sequer acendido um.

A melhor maneira de se protestar contra um fumante q joga fumacinha em vc é borrifar nele um pouquinho de perfume.

Veja se ele gosta, eu ja borrifei, perfume, água.

Experimente!

Mas agor estou livre, aqui onde vivo é proibido fumar nos butecos já tem um tempinho.

Gi Caipira disse...

Eu vou fumar e já venho!

웃 Mony 웃 disse...

Hahahahahahahahahahahahahaha!!!!!!!!!
Mari, Denis tá reclamando, mas não dos fumantes e sim da proibição da fumar...
Ele é, no caso, o agente passivo da borrifação...