quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

• Eutanásia

Sempre fui a favor. Sempre. Nunca houve uma linha de dúvida, nem mesmo antes de atingir a Idade da Razão e abandonar o catolicismo, como diria o finado Carlin.
Nenhuma dúvida. Maaaas com ressalvas, claro.
O assunto voltou à mente hoje, após sacrificarmos a cadela de estimação da Mony, minha patroa, poucas horas atrás. O emocional está envolvido - nesse mesmo ano passei pelo mesmo com o meu cão - e mesmo assim o racional está presente (necessário para dar o apoio e pensar nas coisas que ela, a "parente", não estava em condições de fazer).

Eutanásia. Os pró-argumentos, pra mim, são muitos. Não só no caso de animais irracionais (seja lá o que isso significa); mas de todo e qualquer ser vivo.
Convenhamos: a cristandade mundial adora um cavaderzinho. Uma feridinha, uma enfermidade pra dar aquele charme. Sabe, morrer na cruz, sangrar, coisa e tal. As igrejas, principalmente as européias, têm o saudabilíssimo hábito de cultuar o dente, dedo, osso e sangue de tudo quanto é santo (e ainda chamar de relíquia). Algo bem materialista, por sinal, mas isso fica pra outro dia.
O fato é que eu repudio. Dispenso a necrofilia. Não tenho prazer na dor, nem na minha nem na alheia. E vida pra mim passa pelo prefixo "qualidade de", do contrário trata-se apenas da descrição de uma função químico-biológica e nada mais. Se há algo de sagrado na Vida - e nisso eu também acredito - não está em manter uma picanha pulsando sobre uma maca (ou numa colher de proteína flutuante num útero - o que nos leva à outra polêmica e cria um gancho pra outro post). O espírito, senhoras e senhores, a alma. É só o que me interessa. Fora disso é bife, máquina de carne, automóvel que, sem piloto, é só veículo inútil. Bom... não sei vocês mas eu não ficaria com um carro parado na garagem nesses termos; ou venderia ou mandaria pro ferro velho, onde alguém necessitado poderia usar suas peças.
Eu gostaria de saber: sem considerar o fato de que o Estado não deve se meter em cada detalhe íntimo da vida do cidadão... por que este mesmo Estado, dito laico, baseia-se numa moralidade religiosa para legislar sobre algo que envolve lógica e escolha pessoal?
Crime? Que eu saiba tortura também é. Não é o Congresso quem vai sofrer por mim se eu tiver um câncer terminal. Eu quero, EU quero uma dose cavalar de um bálsamo qualquer que me deixe dessa vida a impressão derradeira de relaxamento. Dispenso a cara contorcida e desfigurada da dor extrema, injustificada e inútil. Pra ficar bonitinho no velório, talvez. Tanto faz o depois.
Este é um apelo à lógica: se eu não vou melhorar, se vou morrer por mim mesmo dali a alguns dias, pra quê vou ficar agonizando até lá? Qual o proveito nisso, qual o enlevo espiritual para qualquer um dos envolvidos? Suicídio é botar fim numa vida que poderia seguir em frente, melhorar. Enquanto há jeito, há jeito!
Não é o caso do terminal, cuja sentença já foi dada (e é das mais torturantes). Clemência, compaixão e solidariedade nem de perto se parecem com "deixar seu ente querido agonizando por dias (ou meses)".
O fato é que o bando de bundas moles - o grosso da população gnu desse planeta - não quer assumir o fardo de desligar o botão. É por elas - e não pelo enfermo - que não o fazem. É por egoísmo, pela indisposição em sacrificar seus medos em nome da paz do outro. Mesmo após todo aquele discurso de "passei os últimos 6 meses limpando a bunda do pobrezinho", o que resta no final é o complexo de culpa de finalizar o caso, por medo de sonhar que "matou o ser amado porque estava cansada de lavar a bunda". Bulchíti, amiguinhos. Incomensurável e irrestrita bulchíti.

Bulchíti parte tchu
Os supostos pró-vida dizem que terminar com a vida é anti-natural. UADEFóQUI? Isso ocorre a todo momento na verdadeira Natureza - que passa longe dos clichês da modinha vegan, neo-hippie ou qualquer paliativo pra aliviar consciência que o valha. Um animal moribundo no mato vira janta, ora essa. Essa é a clemência da Selva: antes que o câncer te coma em vida, pouco a pouco, algum animal se aproveita da sua vulnerabilidade e te finaliza em segundos. Então por que eu, macaco pelado com aspirações megalomaníacas, me atreveria a negar a solução que a natureza levou 2 bilhões de anos pra aprimorar? Que alternativa eu daria em resposta? Manter o bife latente sob máquinas? Prolongar a dor até o extremo ou dopar miseravelmente (mantendo o corpo e matando a consciência)? Para quê?
Falta foco, gente. Falta foco. É preciso muito esforço de semântica pra enxergar no amontoado de carne inerte sobre a mesa aquele parente, ativo e alegre (ou chato e apático), aquele bichinho simpático e brincalhão... é justamente pelo sorriso do alegre, pela simpatia do brincalhão, que sem pensar duas vezes eu daria o prêmio do descanso (por mais que me doesse, seria menos do que doeu nele).
É tudo questão de dispor-se ao sacrifício (Seu, mais que o de outros).

***

Claro que há poréns, todos mais técnicos do que filosóficos. Qual era a vontade do moribundo? Dá pra saber se ele realmente não vai melhorar, se realmente morreu? O hospital é correto ou estão esperando um fígado zeradinho pra transplantar no filho do filantropo que já deixou 45 mil prontinhos no cofre por ele?
São muitas perguntas que eu espero que você não tenha de responder. Mas... sinceramente? Pra todas elas, após encarar tantas mortes, a minha resposta ainda é a mesma:
Sacrifique(-nos).

13 comentários:

웃 Mony 웃 disse...

Afe!
Pára de me chamar de patroa, caraio!
Isso pesa uns vinte anos a mais de idade e de relacionamento do que o que já tenho/temos...


Quem falou que fazer o certo não dói?! Ledo engano, baby!
Eu concordo contigo em tudo isso aí...
Obrigada pelo carinho, pela presença, pela ajuda, saiba que doeu, mas teria sido muito devastador sem você por perto.
Normalmente sou mais proliza, teria até mais a acrescentar, mas hoje me dou ao direito de silenciar um pouco...
Beijo.

Janaina disse...

Pode me chamar de covarde, fraca, o que quiser rsrs Mas eu jamais seria aquela a apertar o tal botãozinho da morte. Por puro egoísmo mesmo, eu sei disso. Sou passional demais pra conseguir enxergar a tal picanha encima da maca :P
Beijão.

Zé disse...

Assunto tenso. Doloroso. Principalmente lidar e encontrar a morte.

Mas só concordo com a EU tanásia, que é aquela que por livre arbítrio, eu decido interromper a minha propria vida.

Mas quem tiver sob meus cuidados, eu vou tentar de tudo até o fim salvar a fagulha de vida que resta. Sou fã de um padre preto que tem aqui em São Carlos, um filosofo intelectual que decidiu colocar batina. E nas homilias dele sempre falou que enquanto há vida há esperança e sem hipocrisia, nem dele e nem a minha, eu me apeguei nisso. Cachorro, pai, mãe, amigo, ou seja quem for, vou acreditar sempre qualquer que seja a opiniao, se tem jeito ou não. Vou lutar e manter até o fim a esperança da vida. E se a morte vier, que quem a lutou, que lutou o bom combate e tenham certeza que todos nós temos a força necessária para essa ultima etapa da vida.

Mariana disse...

Vejamos, minha humilde opinião é, não se deve nunca, jamais, misturar estado com religião, se o estado por exemplo permite certas coisas, como a eutanásia, aborto, casamento homosexual, cabe ao cidadão agora apenas escolher, afinal o estado não obriga, apenas permite
É o caso aqui na minha nova pátria, tudo acima mencionado pode e tá tudo bem.
O engraçado é quando o Papa João Paulo II aqui esteve, na década de 80 e o povo fez fila para pedir a ele que permitisse o aborto, ora bolas, ser católico é não abortar, quer abortar? Deixe de ser católico!
Agora Estado já é outra coisa, se vc fizer algo contra a lei, vai para o xilindró, inferno queimar eternamente... quem sabe?
Minha difinição é materialista, simplesmente por que acredito em Deus (paradoxo?).
Deus é amor, e é pai, não quer que sigamos religião, nem na Bíblia fala isso.
Jesus qdo aqui veio não disse, fundemos uma religião, ou congreguemos para repetir regras!
Não! Ele disse, amais uns aos outros, ao próximo como a ti mesmo, o AMOR está acima de qualquer coisa.
Sacrificar o cãozinho é um ato de amor, por que ele não está mais vivendo, e sim sobrevivendo com dor, sofrendo.
O mesmo a eutanásia, é amar a si mesmo, vc está sofrendo, dor, não há mais esperança, não há mais o que fazer e todos a sua volta sofrendo tb por ver vc na situaçao: eutanásia!
Ai que vontade de tomar uma cervejinha e comer um torresmo esse papo me deu

Zé disse...

Pois é, meu comentário parece mesmo muito conservador, antigo, religioso, antiquado. Mas olha, quando voce ja tem esse tipo de pensamento de eutanásia ele acaba forçando a antecipação de uma situação que podia ser resolvida sei la em que circunstancias..milagre?? ja vi cada coisa que nao quero cometar... Eu li o blog da Mony, e adoro essa menina, mas por exemplo, eu achei rápido demais e seguro demais uma decisao de eutanasia na cachorrinha, onde se tinha a "suspeita" de tumor. Eu numa situaçao dessas, mesmo pra praticar uma eutanasia complementaria mais exames ou opinião de outro profissional. Mas nao sei qual a situaçao que a cachorra tava, só achei estranho em 2 dias que a cachorra adoeceu ja resumir tudo numa injeção. E quanto ao que o Denis falou que numa situaçao na selva a cachorra assim ia virar bife, tudo bem mas voce ta lidando com um animal dependente do ser humano, que vode domesticou longe da selva, que vive sob os cuidados de humano, e que infelizmente achamos que temos todo o direito de usar o bichinho vivo, mas também quando a nosso critério mata-lo também?...eu nunca vi cachorro tentando o suicídio por estar com dor...
E falando em egoísmo, a gente quando compra ou pega um cachorro pra criar, não estamos também pensando no nosso prazer de usufruir uma amizade sincera? É o que ele espera da gente! Ele confia tanto na gente que nos deixa levar e até tem certeza que aquela injeção que ta sendo aplicada nele, foi o seu amigo humano que vai dar para ele se restabelecer, e não para mata-lo.
É engraçado eu que sou da área de biológicas que sei cada meandro das funçoes vitais e celulares me apegar a essa fagulha de alma, da vida e da esperança, mas é assim que eu penso, existe sim um algo muito superior a matéria carbonica.
Só estou falando isso tudo pq eu tenho amizade o suficiente com vcs e acho que vcs esperam de mim a minha sincera opinião. Não é questão de quem está certo ou quem esta errado, não é uma crítica. É só o que eu acho e o que eu sinto de verdade. Verdade que vem da minha alma e não das sinapses cerebrais :)

Zé disse...

E vamo marcar um churrasquinho coreano de cachorro que acompanha bem um frango com polêmica sem moio. hehehe

웃 Mony 웃 disse...

Zé, meu amigo mequetrefe serelepe querido, eu também adoro voc~e essa querideza de amiga tua companheira... ;)
Aceito o churrasco, mas que não seja de cachorro...
É assim, o que aconteceu foi relatado em dois dias, mas, tem um antes um tanto mais longo...
Já tem dois meses eu via minha cadelinha dar umas falhadas na perna traseira, sair derrapando, levantar e continuar andando, abanando o rabinho feliz da vida, tudo normal.
Ela continuava linda, alegre, comendo bem, todas as atividades normais... Eu olhei praquilo antevendo que ela estava velhinha e que uma hora me deixaria... É natural, ela já tinha 13 anos, todos bem vividos, com saúde, bem cuidados... O que fiz foi me aproximar mais dela, curtir o tempo que restava...
Nas duas últimas semanas de vida dela as patinhas traseiras respondiam menos, tinha dias onde ela estava muito bem, noutros amuada, mancava. Eu brincava com ela, dava um remédinho e ficava tudo bem...Ela comia bem, tudo tranquilo.
Num desses dias eu notei um nódulo em uma de suas mamas. Fiquei apreensiva e não quis levar à veterinária por medo do que ia escutar, já sabia, já tive outras nessa condição... E sabe, é a primeira vez que optamos pela eutanásia aqui em casa... Das outras vezes atravessamos juntos a situação, que inevitávelmente deu em morte sofrida pra uns, e só morte pra outros. Todos os meus cães, a exceção de um que teve parvo, e uma envenenada (aos 18 anos) morreram de velhice...
Então, ela passou alguns dias arrastando as patinhas traseiras, julgava que fosse pelo tumor que coincidia com a patinha que ela começou a arrastar, pq era na última mama do mesmo lado da pata...
Dava remédio e ela até voltava a andar... Eu tardei em levá-la, podia ter feito isso uma semana antes, mas, confesso , tive medo do que ia ouvir, tive medo justo da decisão que tive de tomar...
Quando enfim levei, optamos por tratar, parecia ter jeito, fiquei os dois dias todos de prontidão só cuidando dela...
No primeiro dia foi só injeção, ela ficou bem e não precisava de outra medicação, no mesmo dia comprei todos os remédios que precisava, separei-a das outras que estavem com ciúme dela, coloquei-a num lugar confortável para que não tivesse esforço para andar...
No dia seguinte acordei às seis da manhã para a primeira medicação, fiz tudo certinho, no horário... Na madrugada ela passou muito mal, achei que o sistema gástrico estivesse sobrecarregado pela medicação. A todo momento estive lá. Praticamente não dormi.
Ela chorava um choro de dor terrível desde então. Eu estava desesperada sem saber o que fazer... A acalmava, acariciava, nada! Ela já não queria nem água.
No dia anterior já tinha comido pouco...
No primeiro horário fui dar o remédio, boquinha travada, mordida na própria boca e travada. Ela só berrava... Não quis remédio, não destravou a boca nem a força, não quis comioda, nem o pãozinho que adorava, nem leite, nem água... Nada!
Fiquei com ela até meio dia e pouco só tentando, ela se contorcia, as dores aumentavam, a frequência dos gritos também, não aceitava nada, só queria minha companhia e chorava muito... O inchaço era maior que no dia anterior, já náo defecava havia pelo menos 48 horas. Provavelmente pq o nervo pinçado deveria ser o que controlava os intestinos...
Por vezes a dor era tanta que os olhos fuicavam vidrados... Era doloroso demais vê-la assim.
Quando chegamos ao consultório, a veterinária ficou consternada com a situação, ela estava mole, completamente entregue, sua língua não tinha cor alguma, ela só se movimentava para berrar de quando em quando, urrar...
Notamos então que ela espelia leite, gravidez psicológica, em decorrência de tumor uterino, uma vez que nunca cruzou...
Ela me disse transtornada que se eu quisesse ela medicaria e levaríamos para casa, mas, que em questão de dias, ela partiria. E sim, eu acreditei pq sabia que ela estava agonizante, já vi isso antes, com gente e com bichos...
Foi a decisão mais difícil que já tomei em toda a minha vida. Não queria de jeito nenhum, mas achei indigno demais deixá-la passar por aquilo por mais tempo... Ela só me deu alegrias, eu não poderia deixá-la em sofrimento.
Doeu, pq nem sempre fazer o certo é gostoso, mas eu senti do fundo de minha alma que era o melhor para ela... Eu sempre a amei, e embora não tenha conseguido ficar mais que dois minutos na frente de meu pai entubado na UTI, eu fiquei ali ao lado dela enquanto partia, pq era o que podia fazer por ela nessa hora...
Doeu, dói, eu por segundos penso se deveria ter feito, se não havia jeito, mas uma voz interior vem clara me tranquilizar e dizer que foi o certo sim...
Eu sei que não estás me julgando, eu sei que opiniões divergem apesar da amizade, ainda mais num tema como esses, e eu por muito tempo compartilhei da tua opinião, até ter oportunidades, não só essa, não só com animais, de ver o outro lado da situação...

Com gente, acho que a pessoa tem de deixar documentado de preferência, embora a legislação não permita, ou pelo menos dito claramente a alguém de seu convívio e extrema confiança, num momento de total lucidez, antes de qualquer situação...
Minha Brendinha, eu era responsável por ela, pelo seu bem estar e só tomei essa atitude pq ela não poderia optar, mas também pq senti que de certo modo era alívio que ela desejava, e que como não tinha jeito o alívio era aquele...
Bom, é isso, te mais, mas não sei se ainda quero falar idsso hoje, pq ainda dói...
Não postei tudo lá no meu blog pq detesto fazer alarde de desgraceira, detesto drama, tragédia não combina comigo...
Eu nem ia contar nada lá, mas fiz pq tava me afligindo e meio que, como em outras ocasiões, eu já sabia, só não queria admitir que era assim que a história acabava...
Eu sou muito lúcida, percebo os sinais tão bem que fica difícil me iludir, mas, pra evitar a dor, assim como todos, eu tento... ;)

Karin disse...

Demorei pra postar aqui porque esse é mesmo um tema complicado...

Em primeiro lugar, meus sentimentos pra Mony. Eu ainda não sei o que é perder um desses nossos companheirinhos de vida, ainda tenho o gosto de tê-los no meu colo (um deles nesse momento, inclusive). Mas prevejo que não é fácil. Menos ainda quando somos nós que temos que tomar uma decisão com relação a isso.

Quanto ao tema... eu sou cuidadosa. A bem da verdade, concordo com o Zé: enquanto houver um fio de esperança eu não interrompo nada. A questão talvez seja: qual é o limite da esperança? Esperança não é algo racional, envolve outros sentidos além do nosso mundo palpável. Acho que essa é uma daquelas situações que só vivenciando é que descobrimos como agimos.

Talvez queiramos prolongar situações insustentáveis por egoísmo. Mas afinal, qual é o limite da dor? Eu nunca passei por um momento de dor que me fizesse querer morrer de verdade. Sumir, dormir, fugir... tudo bem, mas não morrer. Talvez por isso eu ainda ingenuamente acredite que tudo passa. Mas algumas coisas não passam. E o limite de cada um pode não ser o meu limite. O que me dá o direito de decidir por mais alguém?

Hoje é muito difícil definir quando eu tomaria a decisão de tirar o fio de alguém da tomada. Confesso que com meus bichos me sinto incapaz. E não tenho esse poder de decisão sobre mais ninguém. Com um ser humano, eu teria que conhecer muito bem essa pessoas, todos os seus medos e crenças e ter certeza de estar fazendo a sua, e não a minha, vontade. Sei que o limiar de dor de alguns é diferente que o meu. Como julgar estar fazendo o melhor para aquela pessoa, estar realizando o seu desejo? Só estando lá para decidir.

Sinceramente espero não ter que tomar essa decisão por ninguém. Quanto aos meus bichos, continuo rezando e pedindo para que sejam saudáveis até o fim. Que eu possa propiciar uma existência feliz para eles. E que eu seja capaz de dar conforto sempre que eles precisarem. Parecem pedidos covardes, se pararmos para pensar. Pois espero nunca estar na posição de ter que levá-los ao sacrifício, não creio que conseguiria fazê-lo. Covardia, egoísmo... não sei se não há mesmo nada de bom nessa dificuldade. Acho que a dor é algo muito difícil de se evitar nesse mundo, mas quero ao menos poder protegê-los do medo e do desamparo. Isso é, para mim, o pior da morte.

De Marchi ॐ disse...

Na verdade, todos concordamos nisso (eu disse que "Enquanto há jeito, há jeito"). Talvez discordemos sobre quando é o ou não, e sobre o que fazer nessa hora. Creio, por exemplo, que o caso recente daquela americana em coma, que foi deixada pra morrer de fome porque não queriam desligar os aparelhos, é de uma hipocrisia gritante - não deu na mesma? Não, foi pior, porque prolongou o sofrimento da família (dela não - morte cerebral - mas foi inútil mesmo assim). Se já concordavam que ela não ia sair daquilo, por que esperaram? "Por que só Deus pode tirar a vida de alguém"? Em 31 anos, amiguinhos, nunca vi Deus fazer isso, só gente, bicho e agente patológico.

Whatever... defendo a liberdade de escolha, a partir daí vai de cada um. Não vejo argumentos lógicos para caracterizar crime algo tão íntimo.

***


Blog é pra isso mesmo, é pra opinar. Se eu for fazer julgar o que se diz aqui é melhor eu tirar a opção de comentários, né...

Abraço!

Karin disse...

Mas esse blog vai começar o ano falando em eutanásia? Muito sombrio...

Mario Ferrari disse...

EU HEIN... NA PRÓXIMA ENCADERNAÇÃO QUERO SER PEDRA E ESPERO QUE A RAÇA HUMANA TENHA DESAPARECIDO!

Mario Ferrari disse...

Se me permitem o chiste amargo, o "serumano" é uma semana, cagada de deus!
e explico:
EM NOME DO AMOR MAIS VELHO DOS MUNDOS
Sou um ser à parte, um arremedo da criação! Um anjo caído, um ser antigo e culpado de existir até os ossos. E culpado de ter existido tantas vezes sem conseguir ser nada de melhor.

Rejeito essa raça por tudo que somos e fazemos, mas estou preso à sina de amar esse ser abominável que é o macaco nu. E isso eu não consigo mudar apesar da mágoa, da raiva e da solidão em que vivo.

Mas posso pelo menos esperar por dias melhores sem pedir nada em troca, pela mais pura e estúpida teimosia desse carma que é amar.

Não saúdo o deus dos cristãos, pois estes não sabem nem nunca saberão o que fazem conforme o disse o próprio Cristo ao ser assassinado na cruz.(E NEM SE PENSOU EM EUTANÁSIA NO CASO DELE, HEHEHE)|

Não posso aceitar um deus cuja infinita justiça vem antes da infinita bondade. Um deus que permitiu que se MATASSE em nome dele e como pretexto de difundir sua palavra, tanta gente e tantos seres vivos, muito mais do que se matou em nome de qualquer outra religião. (E COM REQUINTES DE CRUELDADE QUE A VÃ EUTANÁSIA FICA PARECENDO CARINHO DE PUTA SANTA).

Não! Esse deus não me dá nenhum alento, e não o aceito.

Festejar o Cristo, um avatar amável que nunca quis ter uma igreja ( E COMO DISSE O PESSÔA, NEM CONSTA QUE TIVESSE BIBLIOTECA...)é uma coisa que não pertence a esses tais cristãos. Eles esqueceram completamente o que ele disse. Esta é a pior humanidade que pisou sobre o planeta. A MAIS HIPÓCRITA!

Esse deus vingativo que irá fazer os homens queimar no inferno, que separará o joio do trigo, que rebaixou as mulheres a menos de coisas, como se o maior pecado do mundo fosse culpa delas, não é, NEM É POSSÍVEL QUE SEJA o pai desse Cristo. Esse Deus nem mesmo existe. É ele uma criação dos homens à sua imagem e semelhança. E esses homens estúpidos o merecem. Supondo porém que ele ainda assim exista, quero dele somente uma coisa:

QUE ELE ME ESQUEÇA!

Festejar o Cristo, para mim que nem cristão me considero, eu o pecador cheio de dúvidas que escolheu o caminho mais difícil, onde a fé está morta e o que ainda tenho é apenas o cordão umbilical da sagrada Fêmea Eterna a me jogar nesta face imunda do mundo, festejar o Cristo como eu dizia deveria ser a coisa mais importante de todos os dias dos homens de boa vontade que nele crêem (OU DIZEM QUE CRÊEM). Deveria ser parte de seu quotidiano amar e ainda sem pensar nisso. E, contra todos os prognósticos mais egoístas, OU MESMO MAIS HIPÓCRITAS, deveriam amar esse Cristo e sua sagrada proposta de amar ao próximo como a si mesmos, como se os seres fossem sagrados de fato, e DEVERIAM FAZÊ-LO por toda a existência deles sem almejar merecer por isto uma gleba no paraíso! E ISSO DE AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO EM TAIS POSSIBILIDADES DE SEREM CONSIDERADOS SAGRADOS, VALE ATÉ PARA OS NÃO CRISTÃOS, PARA OS CÉTICOS E PARA OS ATEUS DE PLANTÃO, COM OU SEM EUTANÁSIA...

Esse avatar extremamente amável só falou do amor. Só apontou para a igualdade dos homens e das mulheres. Disse que em cada lugar, em cada galho de árvore, em cada pedra em que se visse algum arrebatamento ele estaria lá com os homens. Não haveria necessidade de igrejas para isso.

Não, não posso POR TUDO ISSO desejar feliz natal a ninguém. Mas posso esperar que algumas pessoas saibam o que sinto e desejar-lhes alguma paz e dar a elas algum amor, algum carinho (E SE PARA ALGUÉM FOSSE UMA BÊNÇÃO DESEJADA, A MORTE POR EUTANÁSIA EU LHA DARIA DE BOM GRADO!)

Desejo apenas isso. Que as pessoas aprendam a amar sem dó, com luz e arrebatamento, com desprendimento, pois tudo vale a pena à nossa volta. E a alma pequena é essa capacidade de se emocionar com coisas aparentemente simples e bobas da antiga criação, daquilo que é eternamente sagrado.

Beijos sinceros a todos os amigos deste anjo torto, caído e doente, mergulhado em sua dor e na dor deste mundo sujo no qual sou culpado também por existir...

E Cristo, apiede-se dos seres humanos TÃO CRETINOS, TÃO RUIZINHOS, TÃO BURROS, como O FEZ sua eterna Mãe, tão antiga como a própria humanidade, ELA QUE sempre se apiedou. ELES NÃO SABEM MESMO O QUE FAZEM!

FELIZ ENTRADA A TODOS!
A todos Paz, Amor e Solidariedade.

MARIO FERRARI

PS - Nota: o comentário é longo para que os analfomegas de plantão desistam pelo caminho pois num tenho mais paciência com isso e esses. SAUDAÇÕES DIONISÍACAS!!!

Luiz Rogério disse...

Temas como esse são espinhosos, sim.
Mas às vezes precisamos passar por momentos difíceis para valorizarmos os bons (momento Lair Ribeiro).
Quem sabe o ano novo comece com um post sobre esperança...
Percebo que nossa amizade fez um ano, mas parece muito mais. Talvez seja esse algo mais que a gente não sabe nomear e que nos aproxima.
Foi um prazer estar com vocês, amigos (momento Xuxa)!