terça-feira, 20 de maio de 2008

• Otoridade

Pois é. Nunca entendi bem isso. Alguns íntimos levantam a tese de que minha "rejeição às hierarquias" deve-se ao conflito com a figura paterna, essas viadagens freudianas. Embora parcial (ignoram que já respeitei muitas válidas, por boas razões), vale a menção. Mas aposto em outros motivos.
A Primeira e mais tosca: todo bom mandão odiaria hierarquia por desejar ser o topo da pirâmide, o que me tornaria mais um imbecil prepotente com mania de grandeza, como outro qualquer. Ruim, mas pode ser, por que não?
A segunda, um tantinho mais refinada e mais impessoal: todo bom macaco precisa admirar e respeitar antes de obedecer. Essa parece melhor, mais pseudociência.

Só consigo respeitar a quem respeito.
Óbvio, não?
Sua empresa não acha.

Taí. Tive uma amplíssima coleção de boçais aos quais prestei subordinação. Daquele professor corno com pipizinho menor do que o giz (o qual comprimia com avidez sobre o quadro negro) até aquele "chefe", "encarregado" ou seja lá o nome que se dê para o chimpanzé sobrinho do dono que estala o chicote no seu setor. Aquele mesmo que, quando falta, não faz falta e tudo sai do mesmo jeito (senão melhor).
As empresas, escolas e grupos em geral não sabem escolher líderes. Tudo bem, o hábito da escolha é novidade. Ainda assim, nunca souberam nem desejam este 'fardo': se o fazem, é por arremedo, por chute ou, máxima das máximas, porque o concorrente faz. A prova disso é a existência de empresas (em franca expansão) que auxiliam outras na tarefa. Não pretendo entrar no mérito da funcionalidade desse auxílio. Lá estão os clichês merdacológicos, digo, mercadológicos que douram a pílula e disfarçam o foco na abstração sistemática, mecânica e completamente ausente de emoções concretas (exceto pela tal "motivação", que consiste em iludir tolinhos com quadros de funcionário do mês e plaquinhas de prata - quando vêm). O fato é que existem e, aqui, apenas atenho-me aos seus reflexos nas demais áreas das nossas vidinhas supimpas.
Um presidente, por exemplo... qual o critério da nação (ou danação - não sei mais)? O Pater familias? O ditador, o bom ouvinte, o sábio? Um Messias a limpar nossas cagadas, que não nos traga problemas? Qual o arquétipo?
Ninguém sabe. Mal e mal sente. E um país herdeiro de uma mente escravocrata e elitista como o nosso não só não sabe como sabe errado.
O assunto é tão velho quanto atual e a roupagem do tocador de bumbo não muda a natureza das galés. Ainda remam sob uma força qualquer que não aquela, desejada, de vestir a camisa e fazer parte de algo que não seja um estupro consentido.

Uél... aguardemos que todos mostrem a que vieram. Enquanto isso, as dúvidas.
Será só eu que reajo mal aos "você sabe com quem está falando?", ao "quem manda aqui sou eu"?
Será só eu quem espera de um líder a capacidade de gerenciar capacidades (suas e alheias)?
O tonto aqui é a única ponta-de-lança a esperar inspiração da mão que a mim porta?
Para onde vai Roma com os 'generais' de hoje?


Cartas à Redação.

3 comentários:

Vinícius Castelli disse...

O que mais parece é que é 'cada um pos si e deus que faça algum milagre'.

Só mudam os umbigos, não é?

Si bien que, lembre-se de que a cada pequeno gesto, podemos mudar atitudes de quem nos observa, e tivemos ALGUMAS provas disto ultimamente.
Que cada um faça seu melhor, e danem-se os generais.

De Marchi ॐ disse...

Tem razão. O chato é que o "Muito cacique pra pouco índio" dispersa fôlegos e recursos, né...

Karin disse...

Quanto à primeira pergunta... não. Mas eu não me revolto. Na verdade eu sinto uma certa vergonha de quem usa esse tipo de argumento, especialmente porque em geral a pessoa alvo não sabe mesmo, o que ressalta ainda mais a falta importância do sujeito que o utiliza.

Quanto à segunda pergunta... não também. Essa parte revolta um pouco mais, mas em geral eu tento me colocar perto de quem eu respeito e "respeitosamente" ignorar quem eu não respeito, se é que vc me entende... Algo assim como japonês, que te dá um sorriso e faz exatamente aquilo que ele bem entende.

Quanto à terceira... Nunca esperei inspiração de chefe. Acho que inspiração é algo tão pessoal, não tem muito a ver com quem manda ou desmanda. No que me diz respeito pode até vir de um bom chefe, mas não necessariamente.

A quarta... A Roma de antigamente tb foi pras cucuias, por que esperar algo diferente agora?

Na boa, enquanto o povo precisar de cabresto pra fazer qualquer coisa, nada vai mudar. O chefe tirano só existe porque há espaço pra ele. Não digo que seja uma mudança simples, mas é uma questão de mentalidade. E não é a fórmula Você S.A. que vai resolver a situação. Enquanto vc trabalhar/viver para algo ou alguém que não faz parte das suas causas pessoais, os papéis vão ser esses mesmos.