sexta-feira, 21 de março de 2008

• Amigo-minoria

Já que estamos em época de enchente, "let's rain on the wet again", como diria São Pedro - the Zelator (que provavelmente não tinha mãe, pois a minha enchia o saco quando eu largava a torneira aberta).

Tô curiosíssimo a respeito das lições de vida dos Fofuxos do Bem, essas pessoas maravilhosas que, quando questiona-se o que fariam se estivessem armadas e encontrassem o estuprador da filha, sempre respondem com mensagens de perdão mui centradas (embora não cause repúdio a idéia de estarem armadas). Essas pessoas, meus não-solicitados pero siempre bienvenidos faróis de proa, iluminam-me por entre as brumas da minha ignorância.
Mas quase sempre deixam mais perguntas.
Por exemplo: como é ter "vários amigos gays"?

Deve ser como ter amigo preto, amigo judeu, amigo minoria. Eu não sei. Eu sou amigo do Mario, do Claudio, do Vini, da Angelita, do Dedé, do Galego, da Illênia, do Tuco, do Gil... Até do Demétrio eu sou amigo. Mas amigo de gay... taí, complicou. A maioria dos meus é só amigo mesmo. Dedé por acaso é negão. O Claudio é mameluco. O Tuco dizia que era judeu, mas tinha cara de Talibã. O Gil é gay. O Demétrio eu não sei, mas leva mó jeitão. Preciso aprender a usar isso. Pra variar, tô por fora da Nova Ordem Mundial.
Ei, não inveje minha sorte, você não sabe mas bem pode ter xupermiguxos. Faça o teste: pergunte-lhes sobre preconceito. Voila. Esses Labradores do Novo Milênio, que sempre têm muitos amigos-gays, alertam: "Não fique ugly in the picture, bote hoje mesmo essa gentinha na sua rede de contatos!". Agradeço por apontarem minha pessoalidade arcaica, chula e primitiva. O trouxa aqui não gosta de preto, não gosta de viado. Nem tenho motivos. Eu gosto Daquele, Desse. Minha sofisticação tem o valor nutricional de um churro, ainda não cheguei ao estágio de ser amigo de adjetivo.

Cá entre nós
Não sei vocês, mas... embora eu seja simpatizante do A.T.T. (Amigos Também Transam) e acredite que amigos sejam amantes para além de qualquer libido, não me lembro de já ter pensado neles no sentido trepadorístico da questão.
Sendo assim, cá com meus botões (por pura falta de fofuxos do bem pra guiar-me), pergunto:
UADERREL me interessa o que eles fazem com seus buracos?

Nada de tucanês pra inglês ver; não me entenda mal. Eu daria um piau na orêia do Clodovil com muito gosto e sem dó. A questão é que os motivos seriam outros: importa-me o que interfere na minha vida.
Apesar de sua natureza, sexo me parece muito mais uma questão de gosto do que os hábitos alimentares (quem come sarapatel, por exemplo, deve comer até carpete e isso sim é inadmissível. Credo). Então, a menos que eu possa criar um apartheid contra comedores de buchada de bode só pra reabraçá-los em nome da paz universal,vai ficar difícil. Mas não importa o que eu acho, importa o que eu preciso fazer para tornar-me cidadão
politicamente correto da Disneylândia. Vamos lá.


>> Confira no infográfico: O Tabuleiro
Temos esses dois extremos pelos quais navegam os xupermiguxos: de um lado a tolerância de poliuretano extrudido (às custas de muito, mas muito sopro); do ,os mil e um poréns sobre dizer com quem andas pra que vos digam quem és. Há sempre o risco, nesse crêizi uôrl ófi maigódi, de que teus iguais te vejam como semelhante aos diferentes. Essas coisas derrubam reputações, famílias, cargos e até torres. Menos tabus.
Você, meu caro legumão, em qual panela quer estar?
Não reclame, ficou mais fácil decidir: o tom de pele, a opção sexual, a crença... foi tudo posto no mesmo tacho (e melhorou - antes eram colocados no tacho dos bandidos, junto de quem tá no tóchico e correlatos). É só escolher, "O importante é molhar o dedo no molho sem tomar dessa sopa" - diria Washington.

Enquanto você se decide, perderei longo tempo pensando nessa questão assaz fundamental, prometo. Um dia eu chego lá. Amanhã mesmo vocês me encontrarão numa Casa do Norte, quiçá, numa mesa de miguxos. Amigos sarapateleiros.
Credo.



P.S.: Só espero que meu chefe não passe em frente ou vai pensar que eu como carpete.


Este post é um oferecimento de Clube do Sodoku
"Sodô ou num dô, ninguém tem nada com isso"

Um comentário:

Lenia disse...

amigo-minoria é mesmo de foder (com o perdão do trocadilho infame e não-intencional). e muito me envaidece (imagina, eu quase não me envaideço) estar na lista dos amigos-ponto. amigo é amigo. ponto. saudade