domingo, 30 de março de 2008

• Tô pôdi

Você que odeia tópicos grandes deveria tentar com esse.

Estive meio capenga de saúde desde quinta-feira passada e a coisa toda chegou ao limite neste sábado... era tosse seca, peito chiando, falta de ar, febre que não parava (raramente na minha vida cheguei aos 38º e bati nos 39 dessa vez), enfim... uma merda. Cheguei a pensar que fosse coisa pior mas, por sorte, não.

Hoje me carregaram ao médico, não teve jeito. Não porque sou daqueles que têm medo de hospital (ojeriza não é fobia!), mas eu não estava em condições de decidir sequer isso.

É incrível. Pago 300 paus numa porra dum convênio SulAmérica (aquele do comercial com súperes helicópteros levando você pra desencravar a unha).
Fui ao hospital mais metido a besta da cidade, a referência de saúde da Classe Mérdia da região. Cheguei às 11h e só fui receber a inalação/medicação 3 horas depois. A porra da inalação, a única coisa que de fato me motivou a ir pra lá (uma vez que não fui pra ouvir que o que eu tenho é uma "virose" - "Mesmo? Qual?"); a única coisa que poderia me trazer alívio e que era o que eu tinha ido buscar.
Três horas.
Fiquei arfando como um cão velho das 11h às 14h num hospital particular. Não me acho mais merecedor que ninguém, mas descobri a força da necessidade.
Mais ridículo do que pagar caro pra receber um subserviço, mais absurdo do que precisar pagar por saúde, para além dos impostos, porque o hospital público é outro lixo, é eu chegar num hospital reformadinho, com cara de hotel, piso de mármore e gente desmaiando num domingo banal por falta de atendimento. Por falta de competência. Porque o brilhantismo da administração achou que as sancas de gesso com iluminação gradual seriam mais úteis aos doentes do que um bom atendimento.
Eu compreendo: depois de tanto fru-fru, o que deu pra contratar foi a meia dúzia de garotos mal pagos da recepção incapazes de lidar com público, com saúde e com a burocracia digital a qual chamam "Sistema".
É o novo dogma do planeta. "Tá sem sistema". Deus quem quis. Nada pode ser feito.
Sinceramente não me interessa quem é mal pago, se não dão estrutura aos profissionais, se o convênio paga mal, se médico também almoça: quem não pode não se estabelece e quem representa vai ouvir pelo representado. Principalmente no que concerne à negligência.
Nesse jogo de empurra, azar nosso? Jura, benhê?

Eu via Mony reclamar aqui, ali, tensa, notando a piora, a perguntar.
"Já mandamos a ficha pro médico, senhora" - disse o atendente. "Como você vê, a ficha não está aqui" - disse o médico.
Quando, às 14h da tarde, eu finalmente soube que esperaria pelo menos mais uma hora e que o suposto sistema de triagem (um tipo de pré-consulta que, sozinho, levou 1 hora pra atender-me) não considerou meu pulmão fechado e meus 39 de febre como prioridade em relação aos domingueiros que torceram o pé no futebol (nem os piores que eu, como o velhinho à beira de um infarto precisando de medicação pra pressão, nem as crianças desmaiadas no colo dos pais, etc), usei meu último fôlego.
Invadi a enfermaria aos berros, praticamente chutando os extintores no chão e fiz o mais ridículo dos papéis.
"Quem eu preciso assassinar aqui pra ser atentido?"
Bingo. Atenção.
"Três horas de espera. Eu vou esperar aqui a porra da inalação e se algum filho da puta engravatado* tentar encostar em mim vai ganhar um B.O. nas costas"

Ridículo.
Mas não é que funcionou?
Uma das 6 enfermeiras, duas das quais de braços cruzados, encontrou minha ficha lá num canto. Fui pra sala de inalação.
Estava vazia. Completamente vazia.

A partir disso tomaram uma atitude eficiente:
Trancaram a porta do ambulatório pra evitar novas invasões.

*Agora entendo porque há tantos seguranças. Três circulavam pela porta da sala de inalação. Fiquei encantado. O meliante aqui, com 1,60m e os brônquios implodindo, precisava de três pra garantir que não perturbasse a paz.

Enfim, inalei. Um alívio básico, simples, barato. Saí, passei pelo corredor. O velhinho estava lá, cabeça tombada sob o peito, ao lado do bebê roxinho. Eu ainda tremia e a mão formigava, mas não era da virose.
Deve ser um tratamento experimental: afinal você até esquece que está doente.

Aproximadamente...
Tempo de consulta: 4 minutos
Tempo de raio-x: 6 minutos
Tempo de retorno: 2 minutos
Tde inalação: 8 minutos
Tempo de incompetência: 2 horas e 40 minutos

Agradeço ao Hospital Brasil, a melhor cabana-do-pai-Thomás travestido de hotel da Grande SP, pela graça concedida.


P.S.: Se eu fosse minimamente próximo da incompetência dessa trupe, já tinha morrido de fome. Ocorre que, diferentemente do caso deles, os meus clientes sabem exigir seus direitos. Amanhã mesmo, são ou enfermo e após atender aos meus, ligarei pro convênio exigindo que não pague a consulta. Espero que o médico, único a atender-me com a mínima atenção necessária, receba salário fixo e portanto não seja prejudicado.

14 comentários:

Anônimo disse...

Uia...ficou braba a biba que nao aguenta uma febrinha de 39. Eu domingo passado tava com 39,4 e comendo feijoada meio dia debaixo do sol.

Bibona.

Zé ferormonimo ..hehehehe

De Marchi ॐ disse...

Não vale a comparação. Tu tem calor na bacurinha, faz de tudo pra abocanhar um paio e tá acostumado com a brasa nas costa.

Anônimo disse...

Denuxo, pior que é verdade rsrsrs
||
||Melhoras, amigo! (Jana)
\/

Anônimo disse...

Me referi ao comentário do Zé :P

De Marchi ॐ disse...

Acho que eu também teria ganhado mais se tivesse comido uma feijuca, viu...

Anônimo disse...

Sem falar que chupeta de beluga lembra picolé no toba.

Zé anonimo.

Anônimo disse...

E ve se aproveita a febre dessa vez em ubatuba pra envolver a serpentina no meio das tuas nádegas e nao deixar congelar o chopp nessa vez.

Zé anonimo.

Anônimo disse...

que linda a troca de elogio entre vcs hahahaha

De Marchi ॐ disse...

Nem brinca, Zé. Eu tava parecendo o Darth Vader... :((

Angela disse...

Tadico dele...
Também passei por isso lá no 'hotér brasil'... Da próxima vez, exija pelo menos um retalho de veludo azul impregnado de gás hélio. Deu um 'grau' no Denis Hopper...

Pimentinha, espero que esteja melhor!

grande beijo

Cris Bomfim disse...

Pior que saber que a saúde pública é um lixo é pagar para ser mal atendido. E nunca há ninguém para reclamar que possa ajudar. Nunca há sistema.

Quem paga quer ser atendido. Quem tá doente tem o direito de ser atendido e rápido. É obrigação do hospital. Ainda mais um cheio de frescurinhas...

O problema é que nesse País, todos estão acostumados a serem tratados com descaso. Isso virou coisa normal e ninguém reclama. Quando o atendimento é bom, as pessoas acham que é preciso agradecer... tudo errado...

Querido. Espero que você fique bem logo. Saudade. Você faz falta nessa redação.

Beijocas

Anônimo disse...


é lojico mano. é ele que fas tudo sosinho la ora bolas. he he he he he he he he he he he he he he he he he he he

Anônimo disse...

denuxo tah ofegando no boquete? huahuahuahuahuahuahuahua

De Marchi ॐ disse...

Tô sim, mas pode continuar mamando.
>:(


Respeitem esse blog de família, ora essa.