quarta-feira, 19 de março de 2008

• Regurgitações matinais: bom po papai, bom pa mamãe!

Trabalhar com comunicação é um 'exercício quântico': você nota a todo momento que o que tem em mãos é basicamente nada. E olha que dizer isso em plena Era da Informação soa pessimista ou, como diria a monja tibetana Condolência Reich, "demodê".

UADERRÉL?
Comunica-se o quê, afinal?
Mesmo aqui na net, essa Alexandria do Novo Milênio - esse desfile de 70% de pornografia, 15% de SPAM, 10% de papo furado que a ninguém interessa, 5% de conteúdo supostamente útil pero certamente ambíguo e 100% de ego pueril imperene - o que se vê?
Então. E não é por falta de espaço.

Meaculpa (ou "assim sim, mas assim também não")
Recorro a um velho mais-que-amigo, meu xangô predileto:
Então...
68 brigou pra poder falar... mas esqueceu o assunto? Ao menos serviu como tema de minissérie da Globo. Fica difícil ouvir o Brecht e pensar em vós com simpatia: vocês também estão aqui na mesma e não há virgem nesse bordel. Cobrar salto ornamental não é coisa pra quem nos tira o trampolim.

Contexto
Algum gênio lá atrás achou que era o máximo desconstruir as coisas (como se a entropia do universo por si já não o fizesse a contento). Pronto: foi seguido por mais um clã de gênios dos mais variados tipos, que desenvolveram tratados de auto-ajuda e magníficos quadros de Pomarolla com mijo e giz de cera do Basquiat.

TÁ. E?

Daí que hoje tudo é um grande cachimbo desenhado (que, vejam só, não é um cachimbo). Ora, minha Nossa Senhora da Endoscopia... estes brilhantes senhores acharam, assim por um acaso, que passar o dedo na fila das formigas faria com que encontrassem um caminho melhor?
Apostinha arriscada, hein?
Desse jeito não há Pompom com Protex que proteja o nenê.

Ah, os místicos...
Sim, tudo é Maya, ilusão, o nada que é tudo.
Tá. Relativize agora o seu IPVA. A bala na testa. A febre do filho. Você está em Maya. Você é Maya. Os Maias eram maya. Até o Nuno é leal maya. Então por que não parar de "masturbar o falo murcho" e, por puro pragmatismo inicial, aceitar que uma porra de um quadrado é uma porra de um quadrado*?
Você é parte deste sonho, portanto está imerso nas regras do tabuleiro, goste ou não. Sairá dele, independente de sua vontade e mais rápido do que imagina. E não pense nos Iluminados - eles não saem, eles entram de vez.
Que tal ignorar os pressupostos dos desconstrutores, o voltar atrás dos saudosistas e ouvir aquela voz de 3 bilhões de anos que jaz aí dentro? Assumir a vocação de ser humano, mais honesta que a atual. Tópas?
É. Nem eu.

Ainda assim, ater-se à própria escala não é tão ruim, principalmente enquanto você mal dá conta dela.


Falo pra você (opa!) mas o recado é pra mim também.

2 comentários:

Vinícius Castelli disse...

Cobrar salto ornamental não é coisa pra quem nos tira o trampolim.
E cobram, viu...

Tão querendo demais, nénão ?

Denis ॐ disse...

Se o passado fosse magnífico como dizem, não teria dado onde deu, né?